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Balaio de Siri

Um balaio onde tudo cabe: comentários sobre livros, filmes,discos,coisas do cotidiano...O nome - Balaio de Siri - é em homenagem a Dona Lina,antiga moradora da Lagoa da Conceição,em Florianópolis,que gostava de pegar siri nas águas da lagoa.



Sábado, Maio 17, 2008

BEIRA-MAR NORTE

Foto: elaine borges

FLORIANÓPOLIS

Maio, outono, minha estação favorita.

postado por: elaineborges 1:08 AM



A PANTERA

Rainer Maria Rilke (*)

(No Jardin des Plantes – Paris)

De tanto olhar as grades seu olhar
esmoreceu e nada mais aferra
Como se houvesse só grades na terra
grades, apenas grades para olhar.

A onda andante e flexível do seu vulto
em círculo concêntricos decresce,
dança de força em torno a um ponto oculto
no qual um grande impulso se arrefece.

De vez em quando o fecho da pupila
se abre um silêncio. Uma imagem, então,
na tensa paz dos músculos se instila
para morrer no coração.

(*) Rainer Maria Rilke é conhecido pelos versos das Elegias de Duíno. Nasceu em Praga (1875/1926) e é um dos mais importantes poetas do século XX em língua alemã.
No capítulo “Os poetas e os animais” do A Vida dos Animais (J.M.Coetzee) essa poesia é citada.

postado por: elaineborges 12:53 AM


A VIDA DOS ANIMAIS

Li e reli por esses dias A Vida dos Animais de J.M.Coetzee, Prêmio Nobel de Literatura, (2003), tendo ainda recebido o Booker Prize por Desonra (2000). Um dos meus autores preferido (na minha famosa pilha de futuras leituras está o Homem Lento). Divido com vocês trechos do livro que me chamaram a atenção. A Vida dos Animais (Companhia das Letras) está dividido em três partes. Nas duas primeiras, Coetzee aborda “Os filósofos e os animais” e “Os poetas e os animais”. Na terceira - "Reflexões" - dá a palavra a quatro pessoas que, de alguma forma, refletem sobre questões envolvendo animais. Entre elas, Barbara Smuts (citada abaixo).

PRISIONEIROS DE GUERRA

As pessoas reclamam que tratamos os animais como objetos, mas na verdade tratamos animais como prisioneiros de guerra. Você sabia que quando foram abertos os primeiros zoológicos, os tratadores tinham de proteger os animais dos ataques dos espectadores? Os espectadores sentiam que os animais estavam ali para serem insultados e humilhados, como prisioneiros em uma marcha triunfal. Já promovemos uma guerra contra os animais, que chamamos de caça, embora, na verdade, guerra e caça sejam a mesma coisa... Essa guerra foi travada ao longo de milhões de anos. Só a vencemos definitivamente faz algumas centenas de anos, quando inventamos as armas de fogo. Só quando a vitória foi absoluta é que pudemos nos permitir cultivar a compaixão. Mas a nossa compaixão é muito rarefeita. Por baixo dela existe uma atitude mais primitiva. O prisioneiro de guerra não pertence à nossa tribo. Podemos fazer o que quisermos com ele. Podemos sacrificá-lo aos nossos deuses. Podemos cortar o pescoço, arrancar seu coração, atirá-lo ao fogo. Não existe lei quando se fala de prisioneiros de guerra.

MELHOR VIVER COM OS CAVALOS

Quem diz que a vida importa menos para os animais do que para nós nunca segurou nas mãos um animal que luta pela vida. O ser inteiro do animal se lança nessa luta, sem nenhuma reserva. Quando o senhor - (interlocutor a quem Elizabeth Costello, a personagem do livro, se dirigia (grifo meu) - diz que falta a essa luta uma dimensão de horror intelectual ou imaginativo, eu concordo. Não faz parte do modo de ser do animal experimentar horrores intelectuais: todo o seu ser está na carne viva.

Se não o convenci foi porque faltaram às minhas palavras, nesta ocasião, o poder de despertar no senhor a inteireza, a natureza não abstrata e não intelectual do ser animal. É por isso que o incito a ler os poetas que devolvem à linguagem o ser vivo, palpitante; e se os poetas não o comovem, sugiro que caminhe lado a lado com o animal que está sendo empurrado pela rampa na direção do seu carrasco.

O senhor diz que a morte não importa para um animal porque o animal não entende a morte. Isso me lembra um dos filósofos acadêmicos que li para preparar minha palestra de ontem. Foi uma experiência deprimente. Despertou em mim uma reação bastante swiftiana. Se isso é o melhor que a filosofia humana pode oferecer, eu disse a mim mesma, eu preferia ir viver entre cavalos.

HUMANOS E NÃO-HUMANOS

(...) Para mim, um filósofo que diz que a distinção entre humanos e não-humanos depende de você ter a pele branca ou preta, e um filósofo que diz que a distinção entre humanos e não-humanos depende de você saber ou não a diferença entre sujeito e predicado, são muito semelhantes entre si.

Em geral sou cautelosa quando se trata de excluir alguém. Eu soube de um importante filósofo que simplesmente afirma não estar preparado para filosofar sobre animais com gente que come carne. Não sei se chegaria a esse ponto – francamente não tenho essa coragem -, mas devo confessar que não faria a menor questão de conhecer o cavalheiro cujo livro venho citando. Especificamente, não faria nenhuma questão de me sentar à mesa com ele.

AMIZADE

(...) Minha vida me convenceu de que os limites que encontramos em nossas relações com outros animais refletem não as nossas limitações, como sempre pensamos, mas a visão estreita com que pensamos quem são eles e que tipos de relações podemos ter com eles. E assim concluo convidando todo mundo que tenha interesse nos direitos dos animais a abrir o coração para os animais à sua volta e descobrir por si mesmos como é fazer amizade com uma pessoa não humana. Barbara Smuts (1)

(1) Barbara Smuts é professora de psicologia e antropologia na Universidade de Michigan. É editora de Primate Societies e autora de Sex and Friendship in Baboons, assim como de numerosos artigos científicos sobre as relações sociais entre primatas selvagens e golfinhos. (J.M.Coetzee)

postado por: elaineborges 12:11 AM


Quinta-feira, Maio 15, 2008


Foto: elaine borges

AS BORBOLETAS

Vinicius de Moraes

Brancas
Azuis
Amarelas
E pretas
Brincam
Na luz
As belas
Borboletas


Borboletas brancas
São alegres e francas.


Borboletas azuis
Gostam muito de luz.


As amarelinhas
São tão bonitinhas!


E as pretas, então . . .
Oh, que escuridão!

postado por: elaineborges 12:41 AM


Quarta-feira, Maio 14, 2008


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O TRENTINO

Santa Catarina tem um novo jornal na praça: O Trentino, voltado totalmente para os moradores de Nova Trento. Dirigido e editado por Raul Sartori e Vanessa Célis Ruberti, o jornal é “sustentado exclusivamente por publicidade”. O primeiro número foi lançado dia 9 de maio com a presença de várias lideranças da comunidade. Como diz o editorial, "O Trentino quer ser um jornal eminentemente comunitário, Isto é, só vai veicular assuntos que tenham ligação direta ou indireta com Nova Trento. Na sua independência, quer ser também um jornal totalmente desvinculado de políticas partidárias ou de outros grupos, sejam quais forem”.
O Raul Sartori é, antes de tudo, um jornalista ético, sério, digno e um dos mais respeitados de Santa Catarina. Daí a certeza de que no seu jornal não leremos notícias visando agradar grupos ou políticos e, sim, as informações ali publicadas serão sempre de interesse da comunidade neotrentina. E se o jornal tem como sede o mesmo município que acolhe o Santuário da Santa Paulina, certamente conta com sua benção. Como escreveu Dante Mendonça (cartunista nascido em Nova Trento) na carta de boas-vindas ao jornal, se a Santa já cometeu o milagre de “ressuscitar a economia de Nova Trento” agora “nos concede uma nova graça: OTrentino."

postado por: elaineborges 11:31 AM



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A LOUCA DA CASA

Quando me recolho, ficando um pouco longe do computador, me limitando apenas a ler os e-mails e dando uma rápida olhada nas notícias do dia, é porque me dedico a outro dos meus grandes prazeres: a leitura. E nesse período, um livro, por indicação de uma amiga, tomou alguns dias da minha vida. A Louca da Casa, de Rosa Montero. É uma mistura de romance, ensaio e autobiografia – como diz na apresentação, mas é também a certeza de que nele leremos um texto bem escrito, com frases bem elaboradas onde autora relata suas lembranças, fantasias, puxa um assunto, que leva a outro e assim vai, em ondas.
O curioso é que ontem, olhando minha estante a procura de mais livros para ler, descobri que já tinha comprado A Louca da Casa em junho de 2005. É um dos tantos que estão na famosa pilha (e quem não tem?) para futuras leituras.

IMAGINAÇÂO

A Louca da Casa é a imaginação, como a chamava Santa Teresa de Jesus que é, segundo Rosa Montero, “puro excesso e deslumbrante caos”.

DE PALAVRAS E PEIXES

O escritor está sempre escrevendo. Nisto consiste a graça de ser romancista: na torrente de palavras que borbulham constantemente em seu cérebro. Já redigi muitos parágrafos, inúmeras páginas, incontáveis artigos enquanto estou passeando com meus cachorros, por exemplo: na minha cabeça vou deslocando as vírgulas, trocando um verbo por outro, afinando um adjetivo. Muitas vezes escrevo mentalmente a frase perfeita e volta e meia, se não a anoto a tempo, ela me escapa da memória. Resmunguei e me desesperei muitíssimas vezes tentando recuperar aquelas palavras exatas que por um momento iluminaram o interior da minha cabeça e depois tornaram a mergulhar na escuridão. As palavras são como peixes abissais que só nos mostram um brilho de escamas em meio às águas pretas. Se elas se soltarem do anzol, o mais provável é que você não consiga pescá-las de novo. São manhosas as palavras, e rebeldes, e fugidias. Não gostam de ser domesticadas. Domar uma palavra (transformá-la em clichê) é acabar com ela.(Rosa Montero).

VIVER SEM LEITURA

Porque, como se pode viver sem a leitura? Deixar de escrever pode ser a loucura, o caos, o sofrimento; mas deixar de ler é a morte instantânea. Um mundo em livros é um mundo sem atmosfera, como Marte. Um lugar impossível, inabitável. De maneira que muito antes da escrita vem a leitura, e nós romancistas somos leitores derrubados e transbordados por nossa fome ansiosa da palavra.(RM).

O PRAZER DE LER

Escrever é uma maneira de viver, dizia Flaubert, e este livro de Rosa Montero o confirma em cada página. (“...) Se lê, do princípio ao fim, num puro movimento de prazer”. Mario Vargas Llosa, no jornal El País.

postado por: elaineborges 1:16 AM


Terça-feira, Maio 13, 2008


Foto: elaine borges

O FRIO E OS GATOS

Os cientistas dizem que é possível adivinhar a temperatura ambiente pela posição de um gato dormindo: se ele está esticado languidamente, indica 26°C ou mais; um pouco encolhido, cerca de 20C mas, se ele está bem enrolado para o lado do rabo, com a cara parcialmente coberta, mostra que a temperatura está abaixo de 12°.

Do livro Os gatos nem sempre caem em pé – Erin Barrett e Jack Mingo – PubliFolha.

Se voce tem um gato, faça o teste. Eu fiz. E no dia em que fotografei minha gatinha fazia muito frio.

postado por: elaineborges 11:37 PM



O BARBEIRO DE PALHOÇA

Cá no Sul acontecem casos que, embora trágicos e tristes, não deixam de ser bizarros. Recentemente foi o caso do Padre Voador que sumiu nos céus levado por 900 balões coloridos e nunca mais foi visto. No último domingo, tanto o corpo de bombeiros, polícia militar, parentes e amigos do padre - tristemente famoso - encerraram suas buscas. Agora temos o caso do Barbeiro de Palhoça. Osvaldir da Cunha, 39 anos, foi visto pela última vez no dia 11 de janeiro retirando 25 mil reais na caixa de uma agência bancária de Palhoça, na Grande Florianópolis. Antes, em casa, disse a sua mulher, Rose Mere, que iria fazer uma “surpresa”. A família, aflita, denunciou a policia o sumiço do barbeiro. Ontem apareceu o Osvaldir: foi visto em Fortaleza, também em uma agência bancária, retirando 500 reais. Ou seja, o Barbeiro de Palhoça foi curtir a vida no nordeste e abandonou a mulher e um filho de um ano e nove meses.
Rose Mere, chorando e muito revoltada, ao reconhecer o marido através de imagens registradas pela Polícia de Fortaleza, já decidiu: vai processar o barbeiro fujão por abandono do lar, pedir separação e conversar com uma advogada para tomar “as providências cabíveis”.


postado por: elaineborges 11:09 PM


PONTE HERCÍLIO LUZ

Foto: elaine borges

A RELÍQUIA

Próximo a um dos pilares da ponte Hercílio Luz mora João Firmino de Abreu e sua mulher, Maria. Cedinho, os operários que trabalham na recuperação da ponte começam suas tarefas. O som que vem das máquinas às vezes é ensurdecedor. O casal não fica perturbado. E nem tem medo que ela possa desabar sobre sua casa. João diz que a ponte é uma “relíquia” e quer um dia voltar a caminhar em toda a sua extensão e, quem sabe, sentir no rosto o vento que, muitas vezes, chegou a balançar seu corpo.

Todo dia, todo dia, todo o dia eu levanto de manhã, lavo o rosto, tomo café e saio a caminhar na praia com a minha bichinha, a Bolinha. Todo o dia, todo o dia eu passo debaixo da ponte e olho. Qualquer barulhinho que vem lá de cima corro pra olhar. Trabalhei 22 anos no Continente e quatro vezes por dia atravessei a ponte. Moro debaixo dela há mais de vinte anos. Ela faz parte da nossa vida, minha e da minha mulher. Nasci em 1926, tenho a idade da ponte. Faço rede, olho a ponte, passeio e olho a ponte... Ela está sempre ali...

Há 82 anos a ponte Hercílio Luz ostenta sua beleza e é ela que identifica a cidade de Florianópolis. Ligando a Ilha de Santa Catarina ao continente é uma "relíquia", como disse João Firmino de Abreu quando, em 2002, o entrevistei. Seria para o livro Uma Ponte, da Tempo Editorial mas, por falta de espaço, o texto não foi publicado. Fica minha homenagem pelo aniversário da nossa imponente ponte Hercílio Luz que foi inaugurada em 13 de maio de 1926. Hoje, em reforma, deve ser reinaugurada em 2009 (essa é a promessa).

postado por: elaineborges 3:02 PM


Quarta-feira, Abril 23, 2008


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O PADRE VOADOR (1)

Foram infrutíferas todas as tentativas de localizar o padre Adelir de Carli que desapareceu ao tentar quebrar o recorde mundial de permanência no ar. O padre inventou uma engenhoca: uma cadeira puxada por 1.000 balões cheios de gás hélio de onde ele partiu domingo, de Paranaguá (PR), para chegar a Ponta Grossa, 113 quilômetros do local da partida. Uma hora depois, ele já estava pedindo socorro. O tempo chuvoso e ventos fortes empurraram os balões para a costa catarinense. Após quatro dias, Marinha e Aeronáutica, auxiliados em terra pelo Corpo de Bombeiros, só haviam encontrado partes dos balões em pontos diversos da costa de Santa Catarina. As chances de encontrar com vida o padre voador são remotas.

E o surpreendente nessa aventura mal planejada - como diz a Marise no comentário abaixo - é que o padre voador nem sabia usar o GPS!

postado por: elaineborges 10:22 PM


Terça-feira, Abril 22, 2008


Reprodução


O PADRE VOADOR

Padre voador (“flying priest”) ou padre audaz (“Daredevil priest”). É assim que a mídia internacional está chamando o padre Adelir de Carli que, no domingo à tarde, decolou suspenso por cerca de 1.000 balões de festa coloridos, preenchidos por gás hélio, saindo de Paranaguá. Ele pretendia seguir rota para oeste do Estado do Paraná, mas, surpreendido por fortes ventos, foi levado para a costa catarinense. Sua aventura virou notícia devido ao inusitado da engenhoca: ele amarrou cerca de 1.000 balões em uma cadeira e, para se proteger do frio, vestiu um macacão térmico. Como alimentação, levava água, barras de cereais e pílulas. A engenhoca, no entanto, se perdeu no oceano e até agora só foram encontrados vários balões a 50 km ao largo da costa de Santa Catarina, próximo a Florianopolis. Ainda há esperanças de que o padre aventureiro seja encontrado com vida.

postado por: elaineborges 11:51 PM


Segunda-feira, Abril 21, 2008

FREE TIBET

Foto: elaine borges

LIBERDADE AOS TIBETANOS

Sábado, da janela do meu apartamento, vi a faixa amarrada ao principal cartão postal de Florianópolis, a ponte Hercílio Luz. A faixa dizia: "Free Tibet". Mas a manifestação de apoio ao povo tibetano durou pouco. A chuva impediu que a faixa lá permanecesse por muito tempo. Mas valeu o esforço.

postado por: elaineborges 8:40 PM


Quinta-feira, Abril 17, 2008

JURERÊ

Foto: elaine borges

FLORIANÓPOLIS E O PLANO DIRETOR

A jurista e professora Samantha Buglione , em seu artido da última terça-feira no A Notícia, comenta a queda-de-braço que há entre associações de bairros e fortes corporações no momento em que se discute o novo Plano Diretor de Florianópolis. No artigo, com o título "Entre o Céu e o Inferno", cita dois exemplos que ocorrem nos bairros Tapera e em Jurerê.
Transcrevo abaixo parte do artigo (os subtítulos são meus):

Entre o céu e o inferno está o futuro. Em tempos de plano diretor, é hora de desenhar a cidade, mas conforme o interesse público. A queda-de-braço entre associações de bairro e corporações é uma verdadeira luta de Davi e Golias. Espero que o final seja o mesmo. Em um extremo de Florianópolis, lá na Tapera, nos embates envolvendo o plano diretor, há, de um lado, uma comunidade sobre a qual os políticos nunca manifestaram grande interesse; e, de outro, propostas de remanejamento de locações urbanas. Até aí não haveria razão para conflito. Até porque não é possível reordenar uma cidade que se fez com ocupações desordenadas sem remanejar o espaço urbano. O problema é que na proposta de construção de uma orla que irá valorizar - e muito - aquela área da cidade vem junto o remanejamento de boa parte dos moradores para um local considerado por vários técnicos e pela própria comunidade como insalubre. Era a área que a comunidade queria destinar para o tratamento de esgoto. Imaginem a beleza do lugar.

EM JURERÊ, SEIS ANDARES

Do outro extremo da Ilha, em Jurerê, recomeça uma velha briga. Ressurge o fantasma dos arranha-céus. Anos atrás, foi vetada na Câmara de Vereadores a possibilidade de 12 andares nas praias; isso custou o mandato de vários vereadores, inclusive de uma das únicas vereadoras mulheres nos 300 anos de Câmara de Florianópolis. O argumento é que esse povo que não quer 12 - agora a discussão é por seis andares - não quer o progresso. Eu, humildemente, acho que esse povo quer apenas sol e praia limpa. Basta caminhar em Balneário Camboriú às 16 horas para ter de pegar um casaquinho, porque sol já não tem. Isso se alguém tiver coragem de entrar na água, porque não há usina de tratamento de esgoto que dê conta.
Ah, mas claro, Camboriú é a praia adorada pelos turistas. Mas vamos construir uma cidade para quem? Essa é a pergunta. Por acaso alguém é o dono da cidade? E se não tem dono, por que uns se metem a Golias? Qual a intenção de querer seis andares em Jurerê? Será que a razão é que a oferta de imóveis usados está aumentando e essa é a única alternativa de se manter alta a margem de lucro no lado Norte da Ilha ou a única alternativa de construção é em cima da reserva? Não vai faltar gente querendo lotear Carijós e aterrar o mangue. Eu só não quero estar por perto quando chover.

QUEM GANHA?

Na Tapera, a estratégia é colocar os moradores pobres no local adequado para o tratamento de esgoto. Simbólico, não? Em Jurerê, é chegar perto do céu - ou seria do inferno? A pergunta que fica é: quem ganha com tudo isso? Porque alguém ganha. E ganha à revelia de uma comunidade inteira e do meio ambiente. Enquanto no Brasil o interesse público for coisa menor, não vamos para a frente. E ir para a frente não é esse conceito de progresso sem eira nem beira. Refiro-me à democracia mesmo. Está na hora de aqueles que têm condições de alteridade e de cuidado efetivamente cuidarem dos outros.
Não se pode exigir que alguém que vive sem as menores condições sociais pense politicamente, mas que alguém com necessidades básicas supridas e boa educação tenha um compromisso e uma responsabilidade com o outro. Não estou dizendo que necessidades supridas sejam condição para isso, até porque há muito exemplo de solidariedade na miséria. Refiro-me ao nível da responsabilidade. A lógica do egoísmo é autofágica. A praia de Jurerê, pelo que dizem alguns, não está muito limpinha, não. Ou se trabalha em conjunto ou todo mundo vai sofrer, de alguma maneira, os danos das próprias ações.


postado por: elaineborges 4:57 PM


Terça-feira, Abril 15, 2008

GUGA KUERTEN

Reprodução da TV

DESPEDIDA

Guga não fez feio no jogo de hoje à noite no Challenger cá em Florianópolis. Com a torcida toda a seu favor, foi aplaudido de pé ao entrar na quadra. Por 2x0 venceu o colombiano Cesar Salamanca. E mais aplausos, ao final. Às vezes, antes dos saques, Guga colocava a mão no quadril, numa visível demonstração que hoje ele não tem mais condições de jogar profissionalmente. Sente dores mas, quando pode, ainda joga bonito. Foi triste constatar que o grande ídolo se afasta das quadras. Entrevistei-o uma vez e vi o quanto é simples, gentil e muito simpático. E, mesmo famoso, não perdeu a simplicidade. Parabens, Guga, os catarinenses te agradecem.

postado por: elaineborges 9:51 PM


Domingo, Abril 13, 2008

SANTO ANTONIO DE LISBOA

Foto: elaine borges

TARDE DE DOMINGO

Macarrão ao pesto, um bom vinho, uma pitangueira frondosa protegendo nossas cabeças, um beija-flor sobrevoando por ali... Pedir mais é exagero. Santo Antonio de Lisboa Spaguetteria Café oferece tudo isso. Bom programa para uma tarde de domingo. Tarde de outono, com o céu coberto de grossas nuvens, uma suave brisa soprando do mar, logo ali, pertinho... Depois, olhar novamente as belas casas açorianas construídas no século XVIII, as árvores frondosas... E voltar pra casa e dedicar o resto do dia a outros pequenos prazeres: ler, escrever, e ouvir algumas musiquinhas (hoje, Bach por Andrés Segovia).

postado por: elaineborges 4:55 PM



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