Balaio de Siri

Textos variados,comentários, dicas,elocubrações, informações, enfim, de tudo um pouco. Balaio de Siri é em homenagem a um antiga moradora de Florianópolis. Ao puxar um siri, vem sempre um monte de dentro do balaio - o mesmo quanto aos textos:um assunto puxa o outro e assim vai...



Quarta-feira, Outubro 30, 2002



O dia hoje em Florianópolis amanheceu chuvoso - como na foto do amigo Tarcísio Mattos.

postado por: <$elaineborges$> 4:02 PM


CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

Para homenagear nosso maior poeta, nosso anjo torto, no centenário de seu nascimento basta reler suas poesias, prosas, contos... mas fico com algumas frases extraídas aleatóriamente da sua extensa obra:

A palavra é justamente o que dificulta a percepção. O mais difícil é esboçar um gesto, o movimento de mão que anule a palavra errada.

Aquilo que revelo/ e o que mais segue oculto/ em vítreos alçapões/ são notícias humanas, simples estar no mundo.

Nada é alheio à poesia, quando ela, mediante recursos artísticos, vai ao fundo das coisas e dele extrai substância humana.

postado por: <$elaineborges$> 3:55 PM


Terça-feira, Outubro 29, 2002


A CLASSE OPERÁRIA VAI AO PLANALTO

Francisco Foot Hardman é professor do Instituto de estudos da Linguagem da Unicamp e publicou no site nominimo um comentário sobre a eleição de Lula. Vale a leitura do último trecho:


Uma inovação radical

Por maior semelhança entre discursos e programas, o fato é que a vitória de Lula significa uma radical inovação na cultura política e nos movimentos sociais no Ocidente. Independente das mudanças que venham a ocorrer, o processo e as práticas que conduziram a este incrível resultado já revelam a mudança de atitude e sentimento em parcelas enormes da população brasileira. Era isso que se estampava nas caras alegres das pelo menos 50 mil pessoas que se aglomeraram na avenida para ver e ouvir o novo presidente, tão ¿atualizado¿ pela publicidade, pragmatismo e exposição na mídia, na produção da respeitabilidade de que nos falava Hobsbawm a propósito da busca de legitimação social da classe operária. Mas, ao mesmo tempo, tão ¿identificado¿ com sua história pessoal que se inscrevia como autêntica não por esse ou aquele registro, essa ou aquela testemunha, mas simples e cabalmente por encarnar, nessa voz rouca em luta com a gramática normativa da língua, a voz dos que, em quinhentos anos, ou neste exato minuto, permaneceram sem voz, sem terra, sem nome.

Isto, sim, é a história que se narra nas ruas. E que nenhum oligarca, velho ou neo, nenhuma mídia, nenhum poder dos bacanas será, agora, capaz de roubar. A mudança não virá só amanhã. Ela já começou há pelo menos duas décadas, e escreve sua saga no asfalto molhado da Paulista, o que nenhum paulista até há pouco sonhara: a classe operária vai ao Planalto pelas mãos de um ex-torneiro que dispõe de uma só língua e de apenas nove dedos, mas carrega a clarividência luminosa, não da rasa razão de filósofos despeitados, mas do singular pensamento-coração cujo segredo e unidade somente os verdadeiros líderes populares revolucionários encerram.

postado por: <$elaineborges$> 11:01 PM


Sexta-feira, Outubro 25, 2002


VELHOS E TRISTES TEMPOS

O episódio ocorrido na noite de quarta, na redação do Correio Brasiliense, é um sério atentado à liberdade de imprensa. Se esse período eleitoral foi pautado por uma cobertura jornalistica relativamente isenta ( nem tudo são flores, é verdade), nada justifica a atitude do advogado do grupo Joaquim Roriz e do TRE da capital federal. Vivemos um período agitado, de debates, discussões, alguns entreveros, mas não a ponto de ameaçar todo um processo eleitoral que culminará neste domingo, com a eleição inquestionável do Lula. Lamentavel, portanto, o que ocorreu em Brasília, mas, com certeza, é apenas um fato isolado creditado ao desespero (imagino) de um candidato ameaçado de ser derrotado pelas urnas.

postado por: <$elaineborges$> 10:09 AM


Quinta-feira, Outubro 24, 2002

QUE MARAVILHA!!!

Ao voltar do último comício do Lula, em Florianópolis, uma amiga exclamou: "Que maravilha! ". Referia-se ao entusiasmo do povo. Mais de 30 mil pessoas agitando bandeiras, cantando, aplaudindo...Então lembrei o tempo que passou para chegarmos a viver esses belos momentos. Foram anos difíceis. De 64 para cá muita águas rolaram. Muitos morreram, outros fugiram, sumiram, e uma minoria enriqueceu e continua enriquecendo, protegida por privilégios...O que suscita esperança agora é que sentará naquela portentosa cadeira de Presidente um homem com um imenso senso de justiça social, de solidariedade. Os ventos da mudança estão soprando. O que se espera é que, breve, todos fiquem maravilhados com o que virá e que todos sejam bafejados com essa suave brisa da mudança.

postado por: <$elaineborges$> 6:24 PM


Quarta-feira, Outubro 23, 2002


DISPUTA EM SC

A cidade hoje passou o dia inteiro recheada de bandeiras vermelhas, brancas, verdes, azuis... De um lado a turma que apóia Amin ocupando espaços pelas ruas da cidade. Do outro, a turma do peemedebista Luiz Henrique, misturando suas bandeiras com os petistas, também disputando palmo a palmo os espaços das ruas de Florianópolis. Lula deve chegar à noite - lá pelas 21 horas - para seu último comício.Vou dar uma olhada e depois comento. O agito é muito grande. Viva a democracia !

postado por: <$elaineborges$> 7:19 PM




Praia da Joaquina - foto é do meu amigo Tarcísio Mattos (Tempo Editorial), um dos melhores fotógrafos de S.Catarina.

postado por: <$elaineborges$> 12:19 AM



BALAIO DE SIRI

Oi pessoal, estou chegando. E vai um texto explicando porque Balaio de Siri:

"Eu nunca fui á praia, nunca, nunca.
Meus filhos gostam de praia, eu não. Eu ia na praia quando tinha pescaria, ia lá na praia da Joaquina - antes chamavam Praia de Baixo.
A rede cercava e nós se metia dentro d'água e ajudava a puxar.
Ganhava peixe...Ah, voltava toda contente!
Íamos eu, as minhas filhas, as vizinhas...
Mas só entrávamos na água pra puxar a rede.
Na lagoa, nós entrávamos pra pegar siri.
Nós fazíamos sacos de bambu e íamos lá, de noite, pegar siri.
Era tão bom! A gente voltava toda molhada.
Às vezes eu chegava lá e encontrava o namorado.
Mas eu queria mesmo era pegar siri.
Naquele tempo, a gente não se importava com homem.
A gente quebrava o bambu e fazia um facho com
palha de bananeira. Fazia uma forquilinha, botava em cima do siri e botava
dentro do balaio.
Voltava pra casa com o balaio cheio de siri".

O relato acima é de Carolina Teixeira Rosa, nascida em 1914, moradora do Retiro da Lagoa, na Lagoa da Conceição.
São memórias de um tempo muito mágico cá da Ilha de Santa Catarina. São fragmentos de um tempo e de um lugar hoje ameaçado por um "progresso" que , aos pucos, vai tirando a magia desse pedaço de Florianópolis.

postado por: <$elaineborges$> 11:42 PM



arquivo