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Balaio de Siri
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Textos variados,comentários, dicas,elocubrações, informações, enfim, de tudo um pouco. Balaio de Siri é em homenagem a um antiga moradora de Florianópolis. Ao puxar um siri, vem sempre um monte de dentro do balaio - o mesmo quanto aos textos:um assunto puxa o outro e assim vai... Terça-feira, Dezembro 31, 2002 ESPERANÇA É comovente ver quantas pessoas, saídas do meio do povo, incógnitas, se dirigem à Brasília para assistir um grande acontecimento: a posse de Lula. Carregam consigo a alegria e sobretudo a esperança de que, a partir de agora, o Brasil mudará. Tratará melhor seus filhos desamparados. Haverá mais justiça e divisão mais igualitária entre os homens. Analistas que entendem melhor os meandros da economia dizem que o primeiro ano será difícil. Mas há boas perspectivas de uma melhora gradativa. Lula é um homem sensível. Sabe das dores do povo. E saberá encontrar o caminho certo para dar mais dignidade aos brasileiros que moram no Brasil profundo. Um Brasil que ele bem conhece. Que Deus o proteja Lula.
postado por: elaineborges 10:07 AM AMOR OU BONDADE Temos que acreditar em algo divino, sem a ajuda de Deus. Algo que poderíamos chamar amor ou bondade. PRESENÇA Até onde devo me afastar do teu espírito para evitar a tua presença? Eu subo até o paraíso e tu estás lá. Se vou para o inferno, olho, tu estás lá. Se tomo as asas da manhã e for para os mais remotos cantos do mar, até mesmo lá, sua mão me conduzirá e tua mão direita me abraçará. Os textos acima são do filme IRIS, com a excelente atriz Judi Dench, no papel da escritora e filósofa irlandesa Iris Murdoch. A escritora tinha o mal de alzheimer ( doença que o acompanhou por mais de 30 anos). O filme é muito comovente. Recomendo.
postado por: elaineborges 9:52 AM Quinta-feira, Dezembro 26, 2002 RECEITA DE ANO NOVO Carlos Drummond de Andrade Para você ganhar um belíssimo Ano Novo Não precisa fazer lista de boas intenções Para arquivá-las na gaveta. Não precisa chorar arrependido Pelas besteiras consumidas Nem parvamente acreditar Que por decreto de esperança A partir de janeiro as coisas mudem E seja tudo claridade, recompensa, Justiça entre os homens e as nações, Liberdade com cheiro e gosto de pão matinal, Direitos respeitados, começando Pelo direito augusto de viver. Para ganhar um Ano Novo Que mereça este nome, Você, meu caro, tem de merecê-lo, Tem de fazê-lo novo. Eu sei que não é fácil. Mas tente, experimente, consciente. É dentro de você que o Ano Novo Cochila e espera desde sempre...
postado por: elaineborges 4:42 PM
(foto: Tarcísio Mattos) A Lagoa da Conceição é toda essa maravilha aí de cima.O problema é que este paraíso está ameaçado: ocupações irregulares, poluição, insegurança...
postado por: elaineborges 4:34 PM LAGOA DA CONCEIÇÃO: ROUBOS, ASSALTOS... - Sargento, o senhor poderia informar qual o contingente que teremos para dar segurança aos moradores e turistas nesta temporada? - No momento somos quatro, para a temporada teremos mais dois. No total, seremos seis. O delegado da Polícia Civil em rápido aparte informou: - Nós somos três e podemos, eventualmente, ajudar os policiais. No verão passado colocamos 300 cones para organizar o trânsito, mas roubaram 200. - Se roubam da polícia, imaginem de nós, moradores! O diálogo, hilariante, se não fosse trágico, ocorreu na última reunião entre as lideranças da Lagoa da Conceição para saber as providências que estariam sendo tomadas para dar mais segurança aos moradores e turistas que por lá circulam na temporada de verão. O fato é que o aumento da violência, dos assaltos à mão armada, dos arrombamentos, do tráfico de drogas, está transformando a Lagoa da Conceição (principal ponto turístico de Florianópolis) em um local de risco. Tanto que não está afastada a hipótese de ser solicitado ao comando da PM o envio da polícia montada para intensificar mais as rondas na região.
postado por: elaineborges 4:23 PM Roberto DaMatta é um conhecido antropólogo que escreve semanalmente no Estadão. Transcrevo abaixo trechos da crônica de hoje. Vale a leitura: NINGUÉM É DOUTOR EM TUDO Ter como presidente da República um homem realmente do "povo" no sentido brasileiro e profundo da expressão, um trabalhador real formado na tal "escola da vida" é - admitamos - um autêntico "advento". Um sinal não só de igualdade política, mas de capacidade de renovação cultural. Essa renovação que muitos supunham, inclusive dentro do PT, que não poderia existir no Brasil. E, no entanto, eis aí o presidente eleito Lula festejando com o Brasil o advento que tem seu ponto central no Natal e o seu advento como futuro ponto culminante do nosso Poder Executivo. Mas o fato concreto é que poucas vezes se testemunhou esse potencial de inovação - esse advento, repito - no nível do governo federal como esse que é despertado pelo governo Lula. E tanto isso é mais verdadeiro quanto se sabe das origens sociais do presidente e dele se espera a simplicidade dos que têm plena confiança e orgulho de suas origens. Quando se sabe que não existe ninguém totalmente culto, preparado ou sábio em todas as coisas deste mundo. Sobretudo quando o governado é a tal de sociedade brasileira com a sua ambigüidade, a sua desconfiança, a sua resistência à mudança, a sua mediocridade e também a sua confiança, a sua compaixão e a sua fé num mundo mais feliz e mais justo. Um dia, em pleno sertão goiano, ia este cronista em busca de um grupo de índios apinaiés acampados em local distante, para com eles complementar seus estudos etnográficos, quando o guia e companheiro de viagem, Aldírio, perguntou no meio daquele mundão rosiano, feito de areia, sol e céu azul: "Mestre Roberto - disse ele com os olhos brilhantes de ironia - se eu lhe deixasse aqui, o senhor saberia voltar para a aldeia?" "É claro que não!", respondeu um eu meu sobressaltado pelo potencial agressivo da questão e já querendo entrar em pânico. "Pois é como digo, cada um é doutor no seu ramo. O senhor na escrita e na leitura, eu no caminhar pelo sertão, no selar dos cavalos, no cozinhar e no saber dos caminhos. Ninguém - concluiu meu companheiro de viajem - é doutor em tudo!" A verdadeira igualdade nasce precisamente dessa ignorância de saber-se não sabendo tudo; o que pode ser a nossa maior sabedoria. Certamente algum sábio zen-budista ou mestre hindu tenha tido isso, como manda o mestre Paulo Coelho. No meu caso, foi um magro, pobre e inteligente sertanejo, lá no centro do nosso imenso Brasil...
postado por: elaineborges 3:30 PM Terça-feira, Dezembro 24, 2002
(foto:Tarcísio Mattos) A Av.Beira Mar, em Florianópolis, está assim, toda iluminada. E que essas luzes que iluminam a cidade, iluminem também todos os corações. Paz, amor, solidariedade e muita alegria são meus votos aos amigos e leitores ( meia dúzia?) deste blog. Com certeza não somos só seis. Além do que, alguns, como eu, gêmeos com ascendente gêmeos, só podemos andar de Topic, porque não cabemos nos carros comuns (faz as contas: eu sou quatro, mais os egos, somos oito, no mínimo). Tens uma legião de leitores e fãs atentos a tudo o que fazes. Feliz Natal e grande 2003. Cesar Valente Depois destes elogios, meu ego está infladíssimo. Obrigada Cesar. Meu carinho vai pra ti, Lúcia e crianças.
postado por: elaineborges 12:57 PM A PATRÍCIA DO VERÍSSIMO Patrícia Barber é mesmo brilhante, magnífica, incomparável e todos os adjetivos que li no site da cantora. Graças ao meu amigo Cesar Valente descobri que a cantora tem quatro CDs, cada um melhor do que o outro. Ouvi, encantada, sua interpretação do "Ligh my fire" - The Doors - que está no CD Modern Cool e fiquei maravilhada. Neste CD tem também "She's a Lady", do Paul Anka, lembram? Pois com a Patrícia deve ser legal (não ouvi). No Modern Cool o trumpetista Dave Douglas dá um banho ( como dizem os Ilhéus "dás um banho, rapaz), tocando maravilhosamente bem. Há outros CDs que relaciono: Cafe Blue; Companion; Nightclub: e Verse ( o último), todos pela gravadora Blue Note. Vale pesquisar e descobrir ( no meu caso com a ajuda do Veríssimo e do Cesar Valente) que a Patrícia Barber não só tem uma voz linda, como toca piano e compõe.
postado por: elaineborges 12:52 PM Sexta-feira, Dezembro 20, 2002 Luis Fernando Veríssimo escreveu a crônica que o Estadão publicou hoje. Vejam se não dá vontade de sair correndo procurar o disco da Patrícia? OUTRA PATRÍCIA O Antônio D'Ávila e eu, além de divergir sobre o uso da salsinha na comida (ele pró, eu contra), competimos na categoria cantoras novas que o outro não conhece. Depois que o Antônio me apresentou a Lisa Ekdahl, não consigo igualar o jogo. A Norah Jones ele já conhecia. A Jane Monheit também. Não duvido que, lá em Paris, já esteja sabendo da filha da Elis e até da mineira Ceumar. Pensei que tivesse uma vencedora na Patrícia Barber, mas quando falei no seu nome para o Antônio, ele fez cara de quem conhecia desde criança. Eu é que não sabia que ela tem um bom público na Europa, onde se apresenta regularmente. Patrícia Barber, cantora e pianista de Chicago, o que a Diana Krall vai ser quando crescer. Bela voz, suinga como poucos no piano, boa compositora. Tem uma certa tendência para o experimental que pode dar em coisas raras, como improvisações sobre um canto gregoriano do século 11 com acompanhamento só de guitarra, e um Manhã de Carnaval acompanhado só por um percussionista usando o próprio corpo como bateria, mas também pode dar em preciosismo chato. No mesmo disco do canto gregoriano e do Manhã, chamado Café blue, tem uma faixa que é apenas sua voz repetindo uma frase de um texto de Virginia Woolf - "É agradável pensar na madeira" - em gravações superimpostas. Não dá para ser mais abstrato do que isso sem se desmanchar no ar. Mas no folheto que acompanha o disco tem o texto integral da Virginia Woolf, que compensa tudo. É assim: "Aqui está algo definitivo, algo real. Quando, acordando de um sonho de horror à meia-noite, ligeiro acendemos a luz e ficamos quietos, adorando a cômoda, adorando a solidez, adorando a realidade, adorando o mundo impessoal que prova que há outro existir além do nosso. É disso que queremos ter certeza... É agradável pensar na madeira." Na música de Patrícia Barber tem sonho, tem até um pouco de horror, mas também tem muita madeira, e da boa.
postado por: elaineborges 3:35 PM VOZES DO VENTO pouco a pouco vou cativando dou o meu colo vou encantando sopro umas notas no teu ouvido muito suave enfeitiçando se estás dormindo ou acordado sempre contigo estou cantando como o vento emocionante. vou pela vida te enfeitiçando A letra acima é do Milton Nascimento, música do Kiko Continentino, do belíssimo CD Pietá, lançado agora e já à venda em Florianópolis (oba!) . A música chama-se Vozes do Vento . O CD é muito bom, sobretudo porque traz a participação de Maria Rita Camargo ( filha da inesquecível Elis Regina). Sua voz é muito semelhante à da mãe, mas há tb mais duas vozes femininas - Marina Machado e Simone Guimarães. Estou maravilhada com o CD. Já ouvi várias vezes e sei que vou escutá-lo todos os dias. Sempre gostei do Milton Nascimento, mas não ouvia mais seus últimos CDs por achá-los apenas razoáveis. Mas - aleluia - o bom Milton está de volta, com aquele vozeirão e cuidadosos arranjos, com direito a coro, percussão, participação de Pat Metheny, Herbie Hancock... Recomendo com entusiasmo. .
postado por: elaineborges 12:32 AM NATAL EM FAMÍLIA Natal chegando, hora de buscar na memória os natais do passado. Maria de Pompéia ( 68 anos), dá uma volta ao passado e conta as festas natalinas em sua casa. Na época (década de 40) os moradores de Florianópolis usavam como meio de transporte bondes puxados por cavalos e a única ligação com o Continente era através da ponte Hercílio Luz ( hoje temos a Colombo Salles e a Pedro Ivo Campos): As lembranças das festas familiares, principalmente do Natal, provocam em mim muita saudade. Meus avós não dispensavam nas festas natalinas a presença de todos os filhos, netos e até alguns parentes mais longínquos. Meu avô trazia a árvore de Natal, um pinheiro típico aqui da Ilha que perfumava toda a casa com o cheirinho de mato. O pinheiro era enorme, quase alcançando o teto. Havia uma grande disputa entre eu e meus primos na hora de colocar os enfeites - algodão, representando a neve, bolas de vidro coloridas e velas presas em pequenos castiçais que eram acesas na hora em que se cantava Noite Feliz. Na Ceia prevaleciam os costumes do nordeste. Comíamos pastéis de carne de porco, (pulverizados com açúcar e fritos), cuscuz (feito com fubá molhado com leite de coco), pamonha (creme extraído do milho verde ralado), mungunzá (canjica) além de mineiro de botas (sobremesa de bananas com creme de gemas e claras em neve). Vejo minha avó abanando um fogareiro com brasas e sobre ele uma panela com gordura de porco derretida, banha que era usada para frituras. Não faltavam as fatias paridas - rabanadas (não sei até hoje porque chamavam fatias paridas). Mas o bom mesmo era a convivência com os primos e primos vindos do interior de Santa Catarina. As brincadeiras se multiplicavam e as brigas também. Ganhávamos os brinquedos somente no dia 25. Nessa ocasião vestíamos roupas e sapatos novos. Como morávamos na Praia de Fora (hoje Av.Beira Mar) o Jardim do Katicipes era a nossa pracinha.Tínhamos espaço e segurança, não havia maldade entre meninos e meninas o que tornava a convivência muito boa. Ah! O Natal já não é mais como antigamente. O que fica, são as memórias e seus retalhos.
postado por: elaineborges 12:04 AM Quinta-feira, Dezembro 19, 2002 A VIDA É RIR E CHORAR... Oscar Niemeyer dias destes completou 95 anos. Em outubro último ele deu uma entrevista à revista ISTOE. Veja sua lição sobre o bem viver: A vida é rir e chorar. A gente não quer o niilismo. A gente quer estar dentro da realidade para saber se conduzir. Tem de aproveitar os momentos de paz que podem ser vividos nesta cidade... Aproveitar a praia, o futebol, como toda pessoa sadia. Ao mesmo tempo, eu gosto da solidão. Gosto de fechar a porta e ficar aqui pensando na vida, nas posições em que devo me manter radical. Penso no passado, na família, nos amigos que se foram. E uma tristeza mansa me envolve e me faz até bem. Sou pessimista. Não como Schopenhauer. Eu me identifico com a linha do Nietzsche, do Sartre. A vida não tem perspectiva. O importante é a gente estar dentro da realidade, saber que tudo é um minuto e não vale a pena estar brigando. Sempre digo que todos têm um lado bom. Isso ajuda a viver. A minha preocupação é ajudar as pessoas, ser útil, reconhecer que a vida é um espaço curto e estamos no mesmo barco.
postado por: elaineborges 11:39 PM A GUERRA AGORA EM CD-ROM A Guerra, relato do jornalista Julio Mesquita sobre a Primeira Grande Guerra, chega agora às livrarias em CD-ROM. De acordo com a responsável pela editora Terceiro Nome, Mary Lou Paris, que assina a edição do livro com Ruy Mesquita Filho, a intenção do lançamento em CD-ROM é ampliar a distribuição do material. "Por ser mais barato e ter mais apelo junto ao público jovem, esperamos ampla distribuição", afirma. Em A Guerra, o jornalista Julio Mesquita analisa os impactos da Primeira Guerra Mundial sobre o mundo com distanciamento. Tal imparcialidade, explicitada em 198 boletins publicados em diversas edições do jornal, tornaram possível ao autor prever acontecimentos, tais como a Revolução Russa, e compor o que se tornou o principal documento em língua portuguesa sobre aquele episódio histórico. ( A informação é do jornal O Estado de S.Paulo ).
postado por: elaineborges 11:23 PM Terça-feira, Dezembro 17, 2002
HERCÍLIO LUZ - A PONTE A foto acima é capa do livro a ser lançado hoje, em Florianópolis, todo dedicado à ponte Hercílio Luz, um dos mais belos cartões postais da Ilha. O livro - belíssimo - é resultado de um trabalho em equipe liderado por Tarcísio Mattos, da Tempo Editorial. Colaborei tb com a turma: Suzete Sandin fez as fotos e eu os textos de um pedacinho do livro. Gostei do resultado, está bem lindo. É livro para exibir aos amigos e deixar exposto. Basta folhear. O projeto gráfico casa bem com o todo do livro. A ponte há muito merecia uma pesquisa como fez a equipe do Tarcísio.
postado por: elaineborges 4:00 PM Sexta-feira, Dezembro 13, 2002 OS SERTÕES Não li ainda Os Sertões, de Euclides da Cunha. Há quem diga que o livro é muito chato nos primeiros capítulos, mas, superada essa parte, a leitura vira uma grande encantamento - é o que dizem. O livro é considerado a primeira grande reportagem do Brasil. Trata-se de um grande relato sobre uma das maiores barbáries ocorridas há cem anos nos sertões do país. O que Euclides viu no sertão foi uma carnifina e a demonstração de uma grande capacidade de resitência do povo do local. Viu táticas de guerrilhas, demonstrações de astúcia de quem conhecia bem um terreno arenoso e estéril. É o que pretendo descobrir ao ler o livro. Mas só após as festas. Por enquanto, só leituras leves.
postado por: elaineborges 11:42 AM MARIA, MARIA Milton Nascimento, todos sabem, teve sua maior visibilidade quando Elis Regina gravou "Canção do Sal", lá pela década de 60. Pois agora o mesmo Milton dá espaço no seu último CD à filha da Elis, Maria Rita Camargo. Há alguns meses ouvi a menina cantando no programa Metrópoles (TV Cultura) e fiquei encantada. Milton no seu CD "Pietá" (que ainda não chegou a Florianópolis) deu duas canções à Maria Rita:"Tristesse"( dele e de Telo Borges) e "Voa, Bicho"(Tele e Márcio Borges). Pedro Alexandre Sanches se derrama em elogios em comentário publicado na Folha de S.Paulo:" Em Maria Rita são cantadas com força emotiva certeira de Elis e sem a carga dramática excessiva de Elis; com a sinceridade que Elis sempre desfibrou e com a leveza humorada que Elis nunca alcançou. Há algo novo no ar, e não são os aviões da Panair". Maria Rita Camargo - que tinha 4 anos quando sua mãe morreu - é a herdeira incotestável de uma das melhores vozes que o Brasil já teve.
postado por: elaineborges 11:24 AM Sexta-feira, Dezembro 06, 2002 OS HIPPIES ENVELHECIDOS A Academia Catarinense de Letras (ACL) entrega hoje, em Florianópolis, o prêmio Othon D'Eça/Escritor do Ano para o contista Emanuel Medeiros Vieira, pelo livro "Os Hippies Envellhecidos" (Editora da Universidade Federal de Santa Catarina). Emanuel tem 18 livros publicados, mora em Brasília, e na entrevista publicada na edição de hoje no jornal A Notícia fala sobre a arte de escrever: Só a arte nos salva. Escrever não é a coisa mais importante do mundo. Mas deixar de fazê-lo quando se tem vocação para tanto, poderá ser a pior coisa do mundo. "Basta sentir que se poderia viver sem escrever para não mais se ter o direto de fazê-lo", dizia Rainer Maria Rilke. "Até na prisão vocês serão menos infelizes se gostarem de ler", dizia o pai de um escritor espanhol. A arte faz com que o homem permaneça. Mais que isso: que o homem prevaleça. Termino com Paulo Leminski: "Escrever é só uma das coisas que o ser humano sabe fazer. E eu me sinto mais humano depois de fazer isso." Chega de fundamentalismos! O fundamental é a gente!
postado por: elaineborges 10:07 AM ELOGIOS - BOM PARA O EGO Elaine, fui arremessada, com a linda foto da ponte Hercílio Luz, para a década de 50. Minha prima e eu íamos pedalando na nossa bicicleta até o Estreito - que nos perdoem os ilhéus! Eu, na garupa, curtindo intensamente aquela aventura, sentindo, impiedosamente, o fustigar do vento sul em minha face. Lembro que minha grande preocupação era não sujar meu vestido nas engrenagens da bicicleta. Mesmo conscientes que nossos pais nos castigariam por aquela desobediência, o ploc-ploc da ponte nos levava à paixão adolescente daqueles tempos (namorávamos garbosos rapazes da época e... do continente). Valeu!!!!!!!!!!! Que bom que vocês existem! Um abraço. DIDA FOTO Linda a imagem!! Sílvio
postado por: elaineborges 12:58 AM Quinta-feira, Dezembro 05, 2002 PONTE HERCÍLIO LUZ - O LIVRO Até 1982 ainda era possível trafegar na ponte Hercílio Luz - essa harmoniosa estrutura de ferro, construida em 1926. Por mais de meia década, histórias e mais histórias tiveram como estrela principal a ponte, que liga a Ilha de Santa Catarina ao continente. A equipe do fotógrafo Tarcísio Mattos resolveu produzir um livro contando essas histórias: sua construção, o dia em que parou, personagens que têm a ponte como eterna presença, cronistas que dedicaram belos textos à ponte...enfim, a grande homenageada é a ponte Hercílio Luz. O livro será lançado daqui a duas semanas, no Palácio Cruz e Souza e - tenho certeza - vai agradar àqueles que gostam de manusear belos livros, com lindas fotos e cuidadoso texto. A foto abaixo é do Tarcísio Mattos.
postado por: elaineborges 9:31 PM
postado por: elaineborges 7:15 PM DESORDEM DA ATENÇÃO DEFICITÁRIA NA IDADE Recentemente fui diagnosticado com D.A.D.I: Desordem da Atenção Deficitária na Idade. Explico melhor: decidi lavar o carro; rumei em direção à garagem e notei minha correspondência largada em cima da mesa. OK, vou lavar o carro, mas, antes vou dar uma olhadinha na correspondência, pode ter alguma coisa urgente. Ponho as chaves do carro na escrivaninha, e quando vou jogar fora as propagandas inúteis, noto que a lixeira está repleta. OK, vou colocar as contas a pagar na escrivaninha e jogar o lixo fora, mas já que vou perto da caixa do correio, decido pagar primeiro estas contas. Agora, onde está meu talão de cheques? Oops, tenho apenas uma folha de cheque no meu talão. Meus novos talões estão na escrivaninha. Oh, lá está a coca que eu estava bebendo!! Vou buscar aqueles talões, mas antes eu preciso levar minha coca para longe do computador, talvez seja melhor colocá-la na geladeira para gelar um pouco. Vou em direção à cozinha e presto atenção às flores, que precisam urgentemente de água. Coloco a coca no balcão da cozinha ... Oh! Achei meus óculos!! Procurei por eles a manhã toda! Melhor eu guardá-los logo. Encho um regador com água e vou em direção às flores... Aaah! Alguém deixou o controle remoto da TV na cozinha. À noite, quando formos assistir à televisão, nunca iremos pensar em procurá-lo na cozinha, então melhor levá-lo para a sala, onde é o seu devido lugar. Rego as plantas e, sem querer, derramo um pouco de água no chão. Jogo o controle remoto no sofá vou andando pelo corredor e tento me lembrar o que é que eu estava indo fazer. Final do dia: o carro não está lavado, as contas não estão pagas, a coca ainda está largada no balcão da cozinha, as flores foram regadas apenas pela metade, o talão de cheques está apenas com uma folha, e não encontro as chaves do carro!!! Quando tento entender porque nada foi feito hoje, fico atônito, pois SEI QUE ESTIVE OCUPADO O DIA TODO!!! Percebo que isto é uma coisa seríssima e que irei em busca de auxílio...MAS ANTES, acho que vou checar meu e-mail... Acredito que várias pessoas sofrem dessa "doença". (O texto foi enviado pela amiga Alexandra).
postado por: elaineborges 3:13 PM Terça-feira, Dezembro 03, 2002 POSSE COMO CULTURA (recebi, via e-mail, e passo adiante) Augusto Boal No mesmo dia em que foi proclamado Presidente Eleito, Lula anunciou seu programa econômico prioritário: acabar com a fome de cinqüenta milhões; sua primeira iniciativa internacional: estender a mão aos argentinos. Anunciou, não pequenas opções micro-econômicas ou diplomáticas, mas a transformação radical da forma de governar ¿ a inversão de prioridades e uma nova Ética, sem zonas cinzas: preto no branco. Anunciou que um Brasil novo começava a ser inventado: é preciso imaginá-lo para melhor construí-lo. Lula não prometeu reforminhas, curativos de esparadrapo, mas uma revolução copernicana: re-situar nosso país, dentro e fora de suas fronteiras. O que vale para a Política Internacional e para a Economia, por coerência, vale para a Cultura. Temos que abandonar de vez a idéia da existência de uma Cultura celestial, esvoaçante, e resolutamente adotar a idéia de que Cultura é o ser humano vivo, em todas suas atividades. Todo mundo a possui. Não devemos falar em Acesso à Cultura, como se fosse ela produzida por deuses, em Olimpos inalcançáveis. Como se cada brasileiro fosse página branca sobre a qual se carimbasse a Cultura, caída do céu. Temos que afirmar que, quando respiram, quando trabalham, quando amam, todos os seres humanos produzem Cultura, mesmo quando esmagada por outras - donas dos meios de comunicação -, mesmo quando não se transformam em objetos de comércio. A eleição de Lula foi única: jamais se viu festa popular tão sincera, esperança tão arrebatada, feita, não de expectativa paralisante, mas de paixão criadora: começo da realização do desejo, esperança impaciente. A posse do Presidente Lula não poderá se reduzir aos rituais rotineiros, e apenas bater recordes numéricos: um, dois, três, ou cinqüenta e três milhões de gentes a mais na praça dos Três Poderes! Não apenas quantidade: qualidade. Lula não será um presidente seqüencial: será o começo do Redescobrimento. Sua posse não poderá se reduzir a uma obediente cerimônia protocolar em Brasília, mas deverá medir, milímetro por milímetro, oito milhões e meio de quilômetros quadrados de largura e comprimento, por cento e setenta e cinco milhões... de altivez. No dia da posse, devemos decretar a prorrogação da Primavera por quatro anos ininterruptos. Em todas cidades e em cada povoado, cada um de nós deverá dar vida à sua Imagem do Sonho. O Projeto Cultural do Governo Lula deve resplandecer desde o primeiro dia, desde a posse! Lula falou contra a fome e a favor da solidariedade dos oprimidos: devemos transformar, em arte, suas palavras. Temos que estetizá-las. Estetizar significa transmitir pelos sentidos e não apenas pela razão. Lula falou palavras: temos que mostrá-las como sólidas, palpáveis e beliscáveis. Temos que teatralizá-las, pintá-las, esculpi-las, cantá-las, torná-las concretas, fotografáveis, filmáveis. Como fazer? É muito simples! Primeiro: em todas as praças de todos os povoados do país inteiro, vamos realizar Feiras Culturais com as quais, desde manhã bem cedo, antes que fuja a noite - desde a primeira luz! - vamos acordar o sol com orquestras, bandas e blocos; pintores e escultores; artistas de circo e teatro, bordadeiras, poetas e repentistas, corais e solistas ¿ ao ar livre, em vielas e descampados, todos em sincronia, nas cidades e nos campos, todos nós, em toda parte, vamos mostrar nossa arte. Vamos saudar o dia! Segundo: em praças e ruas, o povo deve instalar mesas improvisadas, com toalhas limpas e lindas - mesmo que sejam de papel de embrulho, bordadas com tesoura e lápis de cor - para as quais deve trazer pão e comida, e dividi-los com amor. Terceiro: isto é importantíssimo - todos devem estar comendo na hora da posse do Presidente Lula! No ato do juramento, quando ele disser - ¿Eu Juro!¿ - todos, no país inteiro, todos ao mesmo tempo, devemos levar à boca alimento, e mastigar com bravura, pois acabar com a fome ele jura: juremos juntos, comendo, juremos o mesmo juramento! O brinde ao seu governo deve ser mastigado com ganas e com verdade. Devemos ser companheiros ¿ comer o mesmo pão, coletivo. Em nossa mão aberta, oferecer, ao próximo, comida. Quarto: a população deve dar o que tiver de descartável em suas casas e possa, a outros, ser útil: sapatos, roupas, móveis, espelhos, panelas, livros, quadros, violões e reco-recos, quaisquer objetos que tenham serventia, que saiam do armário e venham todos à luz do dia. Dar e trocar! Quinto: para essas Feiras, devem ser convidadas comunidades estrangeiras que vivam no Brasil, para que tragam sua dança, música, comida ¿ vamos dialogar. Sexto: após a posse, em ruas e praças, todos os esportes serão praticados; pingue-pongue, jogo de malha e peteca, bola de gude, pulo de corda e carniça, voleibol, basquete, luta romana e grega, corridas, ginástica, trapézios... Tudo é Cultura. Sétimo: em uma tribuna visível, cidadãos terão direito a três minutos de fala para fazerem propostas de governo, que deverão ser levadas a sério, às Câmaras, analisadas, votadas. A sério, que com a lei não se brinca! Enquanto em Brasília dura a festa, no Brasil vive a alegria. Depois, vamos dormir mais cedo: o Dia da Posse será prenúncio e mostra do Mandato Popular - será proclamado o Dia da Cultura. Estamos sonhando, é verdade, e o nosso sonho é sonho. Mas, se hoje sonhamos, é porque temos agora o direito de sonhar o sonho verdadeiro: hoje, sonhar não é proibido: sonhar é possível. Sonhar... não é sonho. Sonhemos!
postado por: elaineborges 7:48 PM Segunda-feira, Dezembro 02, 2002 O BOM SAMBA Nunca gostei de pagode. Acho chatíssimo. É muito ruim, mesmo. As letras são de uma pobreza de doer. Têm pagode, passo bem longe. Pois acabo de descobrir que têm cantoras ótimas, verdadeiras intérpretes, cantando o bom e velho samba. E cantando principalmente Paulinho da Viola, um letrista estupendo, tanto no choro, samba-enredo, partido alto... Ela se chama Teresa Cristina e acaba de lançar o CD duplo A Música de Paulinho da Viola. A revista Época dessa semana tece os maiores elogios à cantora. Ouvi uns trechos dos sambas Coração Leviano, Coisas do mundo, minha nega e Argumento e achei uma maravilha. É muito bom saber que a boa música continua bem viva e sendo gravada. Teresa Cristina foi na fonte de acertou.
postado por: elaineborges 6:36 PM
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