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Balaio de Siri
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Textos variados,comentários, dicas,elocubrações, informações, enfim, de tudo um pouco. Balaio de Siri é em homenagem a um antiga moradora de Florianópolis. Ao puxar um siri, vem sempre um monte de dentro do balaio - o mesmo quanto aos textos:um assunto puxa o outro e assim vai... Segunda-feira, Março 31, 2003 SILÊNCIO Há alguns dias não escrevo aqui no blog. Não é falta de assunto. É um pouco de tristeza e muito medo com o que vem acontecendo no mundo por causa dessa Guerra. Difícil ignorar o que está acontecendo. Impossível deixar de ver os noticiários, ler jornais, acompanhar o que acontece . O que fazer ? Deixar de tomar Coca-Cola, como decidiu Danuza Leão. Eu já não tomo há muito tempo - nunca gostei de refrigerante. Não encher o tanque em postos de multinacionais? Não tenho carro e não penso em comprar tão cedo. Não ir ao McDonalds? Também não tenho esse hábito. O que fazer então para dar minha modesta contribuição contra essa Guerra? Sinceramente não sei. O que sei é que retrocedemos milhares de anos com essa louca decisão de declarar Guerra ao Iraque. Nunca imaginei um dia viver momentos tão cruciais para a Humanidade como o que estamos vivendo. Bem que gostaria de não mais abordar o mesmo assunto, mas enquanto milhares de inocentes estão morrendo não dá para ficar indiferente.
postado por: elaineborges 11:58 PM Terça-feira, Março 25, 2003 RIR AINDA É O MELHOR REMÉDIO
As raparigas lá da Espanha conseguiram protestar contra essa guerra insana ( e qual guerra não é?) com muito humor. A foto está circulando pela Internet.
postado por: elaineborges 8:58 PM A ARTE DE VER Para dar um tempo nessa loucura toda que estamos vivendo, vai um texto do sempre Carlos Drummond de Andrade: A Mudança - do livro Contos Plausíveis (ed. Record) O homem voltou à terra natal e achou tudo muito mudado. Até a igreja mudara de lugar. Os moradores pareciam ter trocado de nacionalidade, falavam língua incompreensível. O clima também era diferente. A custo, depois de percorrer avenidas estranhas, que se perdiam no horizonte, topou com um cachorro que também vagava, inquieto, em busca de alguma coisa. Era um velhíssimo animal sem trato, que parou à sua frente. Os dois se reconheceram: o cão Piloto e seu dono. Ao deixar a cidade, o homem abandonara Piloto, dizendo que voltaria em breve, e nunca mais voltou. O animal inconformado procurava-o por toda a parte. E conservava uma identidade que talvez só os cães consigam manter, na Terra mutante. Piloto farejou longamente o homem, sem abanar o rabo. O homem não se animou a acariciá-lo. Depois, o cão virou as costas e saiu sem destino. O homem pensou em chamá-lo, mas desistiu. Afinal, reconheceu que ele próprio tinha mudado, ou que talvez só ele mudara, e a cidade era a mesma, vista por olhos que tinham esquecido a arte de ver.
postado por: elaineborges 8:30 PM Sexta-feira, Março 21, 2003 INGENUIDADE E INEFICÁCIA Sérgio Dávila, enviado especial da Folha ao Iraque, descreve a reação da população de Bagdá aos ataques dos americanos. É comovente ver a diferença entre um povo humilde e a força incomensurável de um Império que ataca duramente e sem perdão: Um passeio pela cidade mostrava que a população se preparou como podia para uma guerra que é a mais rica e avançada tecnologicamente da história, mas apenas do lado de lá do fronte. Preparou-se mal, pois não há dinheiro. As barricadas de sacos de areia feitas nas esquinas, que finalmente começaram a aparecer, são mambembes e mal planejadas. As trincheiras cavadas pelos cidadãos a pedido do ditador Saddam Hussein são rasas e de cortar o coração pela ingenuidade e ineficácia. Ainda assim, os que sobraram na cidade mais vazia do que nunca tentavam levar a vida normalmente. Nas calçadas de poucos comércios abertos, homens jogavam dominó, tomavam chá quente ou fumavam narguilé em grupos, sempre fumando muito. Crianças brincavam com bolas de futebol. Mesmo no momento exato do bombardeio, no fim da madrugada de ontem, algumas pessoas vinham até as janelas de seus apartamentos para olhar as luzes, como se fosse um espetáculo de fogos de artifício.
postado por: elaineborges 1:43 PM OUTONO A melhor estação do ano chegou: o outono. Um ventinho gostoso sopra por aqui. Ao dobrar a esquina da rua onde moro, recebo uma leve carícia, o que me obriga, às vezes, a fechar os olhos e curtir essa sensação gostosa de frio - aquele frio bom do outono. Há apenas uma senão: Dona Maria, uma velha e respeitável senhora que vende jornais na esquina, sofre muito com o frio. Hoje lá estava ela, toda encolhida, suportando o vento, mas sempre sorrindo.
postado por: elaineborges 1:17 PM GALEANO E A GUERRA A propósito da censura às informações sobre a Guerra no Iraque, Eduardo Galeano faz o seguinte comentário na Folha: Durante muitos dias as Nações Unidas cobriram com uma cortina o quadro "Guernica", de Picasso, para que essa desagradável obra não perturbasse os toques de clarim de Colin Powell. De que tamanho será a cortina que esconderá a carnificina no Iraque, segundo a censura total que o Pentágono impôs aos correspondentes de guerra?
postado por: elaineborges 12:13 AM Quinta-feira, Março 20, 2003
Fotos:Tarcísio Mattos DOIS MOMENTOS Florianópolis está de aniversário: domingo faz 277 anos de fundação. Nem preciso dizer que continua sendo um dos mais belos lugares para se viver. Nas fotos acima, minha homenagem à esse pequeno paraíso tão perigosamente ameaçado.
postado por: elaineborges 11:01 PM O HORROR, O HORROR! O que mais dizer após ver as terríveis imagens transmitidas para o mundo inteiro, resultado da mais pura insanidade de um império que ataca, mata, destrói, desrespeita tratados internacionais e decide impor sua ideologia, a sua verdade? A imagem do Bush, quando se preparava para anunciar ao mundo o início da guerra é a mais perfeita tradução de como ele encara seu papel: ensaia, faz caretas, se deixa pentear, move os olhos...para que? Para anunciar que seus portentosos mísseis começariam a ser jogados sobre um povo indefeso, sofrido, doente, com fome...Saddam Hussein, é verdade, é um ditador, mas havia outras soluções. A última seria essa, a guerra - ilegal, segundo alguns juristas especialistas em direito internacional. Veremos - triste previsão - ainda cenas do mais puro terror. Isso se a censura norte-americana permitir. Sabe-se que nessas horas cruciais a primeira vítima é sempre a verdade.
postado por: elaineborges 10:36 PM A GUERRA O texto abaixo está circulando entre os internautas. Vale a leitura nesse momento grave em que passa toda a Humanidade devido a insanidade do Bush e seus comparsas: Nomes de Respeito O documento de 12 mil páginas sobre suas armas que o Iraque forneceu às Nações Unidas no ano passado foi censurado antes de ser distribuído, a pedido dos Estados Unidos, segundo o jornal alemão ¿Tageszeitung¿ (saúde!), citado pelo jornalista Alexander Cockburn, que é provavelmente o último stalinista vivo mas um bom catador de hipocrisias. Cortados do documento: os nomes de todas as empresas, americanas, britânicas e alemãs na sua maioria, que venderam tecnologia de guerra nuclear, química e biológica ao Iraque antes de 1991, encorajadas pelos respectivos governos, apesar das proibições em tratados da época. Nomes de respeito como Honeywell, Rockwell, Hewlett Packard, DuPont, Eastman Kodak, Bechtel. Saddam Hussein foi apoiado e armado pelos americanos quando era a alternativa secular preferível à teocracia hostil do Irã e Donald Rumsfeld o admirava, embora ele não fosse melhor caráter do que é hoje. As empresas que armaram ilegalmente o Iraque tiveram seus nomes apagados do re gistro. Grandes empresas costumam ter sucesso em manter seus nomes fora dos prontuários. Há bons exemplos disso aqui na república da impunidade e da corrupção sem corruptores. Tente encontrar uma relação dos empresários que financiaram a Operação Bandeirantes de caça clandestina aos subversivos em São Paulo, durante a ditadura militar, por exemplo. Sem intenção de mexer desnecessariamente no lodo do passado, apenas como curiosidade. Ou uma lista das grandes empresas que se submeteram ao achaque semi-oficializado do P. C. Farias, durante o governo Collor, e também continuaram com nomes respeitáveis. O governo americano já está escolhendo as companhias que vão reconstruir o Iraque depois da esperada devastação na guerra que começa. A maioria das favoritas na licitação, para um trabalho que custará estimados 20 bilhões por ano por vários anos, é de amigas da Casa Branca, ou você esperava que escolhessem alguma francesa? Exemplo, conforme um artigo recente no ¿Salon¿: a Kellogg Brown & Root, que pertence à Halliburton, que já foi dirigida pelo vice-presidente Dick Cheney, e que já lucrou bastante com o terror, construindo o campo de internamento de prisioneiros em Guantânamo, entre outras coisas. E a ubíqua Bechtel, uma firma de engenharia com sede na Califórnia cuja influência na política e na história americanas, desproporcional ao seu cuidadoso perfil baixo, vem de longe, e já alimentou várias teses conspiratórias sobre poder secreto. Esperando a vez de pegar, literalmente, as sobras depois que o complexo industrial-militar faturar o seu com a guerra, está o complexo re construtor-militar americano, que confia em bastante destruição para não lhe faltar trabalho e lucro. Mas são todos nomes de respeito.
postado por: elaineborges 10:17 PM Quinta-feira, Março 13, 2003 NOTÍCIAS DA ILHA Cá no sul, mais precisamente ao longo do litoral de Santa Catarina, estamos enfrentando uma epidemia: cerca de 20 mil pessoas estão com conjuntivite. Até mesmo os jogadores de futebol do Avaí foram atingidos, obrigando a suspensão de um jogo marcado para a última quarta-feira. No meu prédio, minha amiga Lita, uma das funcionárias, foi uma das vítimas. Os prontos socorros atendem diversas pessoas com conjuntivite. As causas: o movimento turístico, ou seja, o vai e vem de inúmeras pessoas que transitam pelo litoral na temporada de verão, somados ao intenso e insuportável calor. INSEGURANÇA Se no Rio de Janeiro as autoridades da área de segurança enfrentam um imenso pepino para conter a onda de violência, por aqui - guardadas as devidas proporções - as coisas não são diferentes. Cerco aos morros da área central de Florianópolis, operação "escorpião" deflagrada pelas policia civil e militar, morte de traficantes, acerto de contas entre gangues, prisões, fugas espetaculares (até mesmo pela porta da frente da penitenciária), chacinas (na última morreram três pessoas no morro do Mocotó)... A insegurança atinge também os moradores da Lagoa da Conceição. Na semana passada, em recente reunião entre autoridades da área da segurança estadual e lideranças locais uma constatação: os moradores só contam com quatro soldados da PM para controlar a região. Há conhecidos pontos de drogas e prostituição e os assaltos são freqüentes. Um pescador marcou encontro com amigos para irem pescar. O encontro seria junto ao trapiche, no Retiro da Lagoa. Eram quatro horas da madrugada quando um grupo de meninos o assaltou. Nativo da Lagoa, o pescador descobriu que não mais poderia curtir um dos seus maiores prazeres: encontrar os amigos bem cedinho para pescar. O perigo está bem perto de sua casa. Jota Pacheco escreve hoje em sua coluna no A Notícia: "Com um crescimento desordenado, Florianópolis está deixando de ser o "paraíso" de outrora e começa a ficar parecida com uma visão do inferno. Ainda não dá para ver o diabo, mas se continuar assim, belzebu vai ser destaque de Escola de Samba até 2005." Há, é claro, um certo exagero do colunista. A Ilha continua maravilhosa. Não dá mais, é claro, para atravessar a rua lendo jornal como faziam os moradores antigos. Nem para sair de casa sem fechar as janelas. Se possível, ligar o alarme. Retirar sempre o som do carro ao deixá-lo no estacionamento. Cuidar da bolsa e não vacilar com os objetos pessoais. Evitar andar nas ruas centrais à noite. São cuidados necessários para evitar aborrecimentos. Se temos ainda uma boa qualidade de vida, o fato é que o sinal vermelho está acesso. Um dia poderemos ter saudades de uma Ilha tão mágica, tão bonita e ainda cheia de mistérios. Ou seja, morar em Florianópolis tem seu preço. Às vezes, muito alto.
postado por: elaineborges 1:55 PM Terça-feira, Março 11, 2003 PURO MATO Carolina - Retiro da Lagoa Vinha muita gente da cidade, ou comprar renda, ou passear, por causa da praia. Não tinha essa estrada. A Avenida das Rendeiras era mato. Era mato que não passava quase duas pessoas juntas. Eles deixavam o carro lá na ponte e vinham andando... A praia era bonita, cercava muita rede, matava peixe. O pessoal via aquela rede cercar e comprava os peixes. Eu não ia na praia. Naquele tempo, não se usava andar na praia. Nem passear de canoa. Ainda hoje as pessoas daqui não vão à praia. MAIÔS?! NEM PENSAR Lina Alexandra - Freguesia Banho na lagoa ou no mar, nunca tomei. Na lagoa eu ia só pra pegar siri e camarão à noite. Matava camarão e ia vender. Era fartura. Hoje quer comer e não tem... Maiôs, as mulheres não usavam. Quando acabava de pescar siri, a gente tomava banho com a roupa que estava. Nadar, eu não sei. Eu fui ver gente na água depois que veio essa gente de fora pra cá. Às vezes, quando estava muito calor, a minha mãe me mandava ir na praia, mas eu dizia: - Fazer o que na praia, prefiro ficar embaixo de uma sombra e pegar um ventinho.
Foto: Tarcísio Mattos Os textos acima são do livro Vozes da Lagoa ( esgotado) - que escrevi junto com Bebel Orofino - e que, através das memórias dos antigos moradores da Lagoa da Conceição ( nascidos no início do século XX), retrata um tempo que já foi (como diz uma das moradoras). Carolina e a Lina têm mais de 80 anos e estão lá, na Lagoa. Dona Lina, quando está disposta, até benze, mas não gosta muito. Prefere fazer suas rendas de bilro e vender para os turistas.
postado por: elaineborges 7:14 PM Domingo, Março 09, 2003 Deu na coluna do Tutty Vasques - nominimo Saudade dos catarinas Entreouvido em animada conversa de senhoras no Country Club carioca: "Já não se faz mais soldado do Exército como antigamente. Cadê aqueles lourões catarinas de olhos claros..."? Cá pra nós, faz sentido! Os catarinas, minha senhora, continuam bonitões e sarados. Mas estão longe da caserna. Muitos foram dispensados por economia do próprio exército, lembram?
postado por: elaineborges 3:33 PM VERÍSSIMO - SEMPRE A Veja desta semana traz como matéria de capa um perfil daquele que é, certamente, um dos grandes colunistas de nosso tempo. Não só isso. Às vezes, ao ler suas crônicas, penso: "puxa, deu na veia, nada mais correto". Ele escreve sobre música ( e aprendi a gostar da Patrícia Barber, lendo um dos seus comentários), literatura, política, o cotidiano das nossas vidas, com tal competência e sensibilidade que é sempre um grande prazer ler seus textos. E hoje o Estadão publica essa crônica. Vejam que delícia de texto: Amores de verão Eu sei, eu sei. Não duram mais do que a marca do maiô os amores de verão, e lavarás meus beijos dos teus pés junto com o sal. E procurarás aquela concha que eu te dei na praia para lembrar de mim pra sempre e dirás "Ih, esqueci", aquela concha com a minha vida dentro. Eu sei, eu sei, meu coração também não coube na sua mochila, ficou numa gaveta, junto com o protetor solar número 3 e o Harry Potter. Nos encontraremos na cidade e eu pedirei meu coração de volta e você dará um tapa na testa e dirá, "Ó cabeça" e dirá "Desculpe, viu Renato" e isso não será o pior. Nos encontraremos por acaso, não como combinamos, mas isso também não será o pior. Nada do que combinamos aquela noite na praia, sob aquela lua, com aquela lua nos seus cabelos, com seus cabelos fosforescendo sob aquela lua, nada do que combinamos naquela noite sob aquela lua acontecerá, e isso também não é o pior. Eu sei, eu sei, eu não esperava que nossos grandes planos dessem certo, o juramento de não voltar para a escola mas fugir para os Estados Unidos, cada um com o seu sonho e o seu inglês do Yázigi, e dar duro e ser feliz e só voltar famoso, você como cantora e eu, sei lá, como o melhor entregador de pizza do mundo, ou o plano de casar ali mesmo, o luar como grinalda, a espuma do mar como testemunha, a concha em vez de um anel e ninguém ficar sabendo, e ficar vivendo na praia ou voltar e ir viver juntos numa cobertura com piscina se nossos pais concordassem com o preço, para sempre, ou o plano de nunca, nunca mais, nunca nos separarmos. Mas pelo menos os planos menores, como a data certa para nos encontrarmos na cidade, na volta, eu esperaria que você não esquecesse, e você esquecerá, mas tudo bem, o pior não é isso. Nos encontraremos por acaso, meses depois, com o bronzeado desbotando, e você dirá "Desculpe, viu Renato" e eu direi tudo bem, quem precisa de um coração enganado, mesmo? Fique com ele, plastifique, use como centro de mesa, quem se importa? Eu já beijei os seus pés, eu já beijei todo o seu corpo enluarado, mas quem se importa? E direi: o pior, viu? O pior, o que dói, e doerá por muitos verões, é que meu nome não é Renato, é Roberto.
postado por: elaineborges 3:17 PM SOLIDARIEDADE É ISSO Voces imaginam uma médica se fantasiar, subir num caminhão cheio de caixas de som, cheirando a gasolina, sacolejando a cada momento que transpõe os buracos das ruas mal calçadas, para acompanhar, de perto, um paciente com deficiência renal crônica e que necessita de intensos cuidados? Essa cena, de fato, aconteceu. E foi em Recife. A médica, aflita com seu paciente que necessita permanecer no mínimo quatro horas, três dias por semana, na hemodiálise, preferiu sambar ao lado do frágil folião, do que impedí-lo de viver momentos de pura alegria. Cantando a plenos pulmões e nos limites de sua débil saúde, lá estava ele, cantando e puxando os foliões na sua "Pernambucália"( grupo que se propõe a resgatar as músicas do folclore pernambucano) sob o olhar atento da médica ( que também não se furtou a requebrar, entrando no clima da folia). Renitente quanto à permanecer na hemodiliáse, passado o carnaval, ele é um dos primeiros a chegar na clínica e decidiu enfrentar a vida - e suas dores - com valentia e muitos planos. A médica em questão é minha amiga. E conheço bem seus largos gestos de solidariedade.
postado por: elaineborges 3:00 PM Sábado, Março 08, 2003 MULHERES SEM TERRA As mulheres sem terra são, acredito, as grandes guerreiras de nosso país. Não só lutam ao lado de seus companheiros por uma justa divisão de terras como participam das manifestações pelas causas femininas. Além de dedicarem enorme esforço em educar seus filhos longe dos bancos escolares. À elas, minha especial homenagem pelo dia.
Manifestação das Mulheres Sem Terra em Brasília.
postado por: elaineborges 7:46 PM LE MONDE Vi ontem à noite na TV-5 entrevista com dois jornalistas que escreveram um livro polêmico: as ligações perigosas entre os donos do jornal Le Monde com o poder econômico. Ou seja, a defesa primeiro dos interesses econômicos do jornal, acima dos compromissos com as causas públicas. La Fin Du Monde promete suscitar muita polêmica na França, em especial, onde o jornal faz parte de uma das maiores instituições do país.
postado por: elaineborges 7:40 PM
Renée Zellweger - Roxie, ingênua, mas até certo ponto.
postado por: elaineborges 1:39 AM CHICAGO Ser célebre a qualquer custo. Essa, em síntese, a história contado no filme Chicago. E a briga pela fama, com muita dose de infâmia, mentiras, encenações dúbias, tem como principal protagonista a ótima atriz Renée Zellweger que já no O Diário de Bridget Jones, deu conta do recado com muita competência. Naquele filme ela era uma moça rechonchuda e que amava uma bebidinha. Nesse, ela quer participar do show biz, mata o amante que o traiu porque não cumpriu a promessa de introduzí-la no meio artístico e na prisão encontra Catherine Zeta-Jones, que havia matado a irmã e o marido - flagrou os dois em cenas de adultério. Gere é um advogado sem escrúpulos e que cobra caro de seus clientes. Essa é a síntese do filme, mas o que vale mesmo são as músicas e danças que intercalam o enredo - é um musical, todos sabem. Lembrei do Moulin Rouge, bem mais feérico, suntuoso, explosivo... Chicago é bonito. Ver Richard Gere num belo sapateado é genial. O homem ainda tem fôlego. Tem números sensacionais: além do sapateado do Gere, e os marionetes, tem o grande dueto final, quando ambas dançam, já livres da prisão. Os personagens são sem caráter, sim. O diretor Rob Marshall faz também uma crítica velada àqueles que querem ser famosos a qualquer preço. O filme diverte.
postado por: elaineborges 1:20 AM LISTA NEGRA Os artistas que são contra a posição americana no Iraque estão sendo ameaçados em seu país. Ou seja, podem ser demitidos ou não contratados para novos filmes, ou shows ou seja lá o que for. O Sindicato dos Atores de Cinema dos Estados Unidos está denunciando a existência de uma "lista negra" com os nomes dos atores que publicamente se declararam contra a guerra. É a célebre reedição da era de "caça às bruxas" ocorrida na Segunda Guerra Mundial, quando o governo norte-americano dizia haver um complô comunista no país, integrado basicamente por atores, diretores e escritores ( entre eles a famosa escritora Liliam Helmann e Dashel Hammet, seu marido - autor de Falcão Maltes, com Bogard, lembram?). Pois agora os ameaçados são Martin Sheen, Penélope Cruz, Sean Penn, Susan Sarandon, Edward Norton, Alec Baldwin, entre outros. Vale repetir a frase de José Saramago:"Se não temos outro recurso senão obedecer aos poderosos, então não vale a pena viver".
postado por: elaineborges 12:55 AM Terça-feira, Março 04, 2003 SAMBA da MOCIDADE Ainda emocionada com o tema da Mocidade Independente vai a letra do samba cantado com empolgação por seus integrantes e que contagiou o Sambódromo na madrugada de segunda: Um gesto de amor faz alguém sorrir Só o doador faz a vida prosseguir Basta se conscientizar A família querer aceitar Pro sonho se realizar Vem fazer o bem sem olhar a quem Com a Mocidade doar o coração Nos braços da mitologia Unindo o mundo na mesma missão Sob a luz da estrela guia Doar sem medo de errar Ver um brilho no olhar Amar é dar, receber É tão bom viver Cosme e Damião Pioneiros nessa arte divinal Dando asas à ciência O homem busca novos ideais Os olhos ganham luz, vêem cores Cura os males as dores Renovando os conceitos sociais Esse artista iluminado Doou toda sua criação Sua imagem é chama viva Para sempre no seu coração Alô você ! Abrace essa corrente pela vida! Sou doador, sou Mocidade Dou um alerta para o bem da humanidade Autores:Santana e Ricardo Simpatia
postado por: elaineborges 10:00 PM MENINO TRANSPLANTADO DESFILA NA MOCIDADE O texto abaixo é da Globo on line que ilustra bem a importância do tema escolhido pela Mocidade Independente. Na pesquisa feita pela Globo, se dependesse dos telespectadores do Rio, seria a primeira colocada. A Mocidade usou de recursos de diversos tipos - da letra direta e de gosto questionável de seu samba-enredo até a originalidade do carro que trouxe tanques com mergulhadores - para passar sua mensagem em prol da doação de órgãos. Mas nada poderia ser tão contundente para a campanha quanto a participação no desfile do menino Gustavo Sampaio, de 11 anos. Aos 5, ele recebeu um transplante de rim de sua mãe, Cátia Sampaio, que desfilou a seu lado. Pulando e cantando sem parar no carro "A vida continua", o garoto sintetizava tudo o que a escola queria passar. Desfilando com uma roupa branca e asas de anjo, Gustavo cantou o samba "Com a mocidade doar o coração nos braços da mitologia" do início ao fim. Ao chegar na Praça da Apoteose, parecia cansado, mas falava com animação da experiência. - Gostei muito, quero desfilar de novo algum dia - disse, com um sorriso. Sua mãe, que também desfilou empolgada, ressaltou a importância do enredo. - Esta iniciativa ajuda muito a conscientizar as pessoas. Olha a imensidão de gente que o carnaval atinge - falou, apontando para a arquibancada. Outras pessoas que participaram do desfile e também passaram pela experiência de um transplante fizeram coro: - O enredo dá uma força às pessoas que passam pelo drama de precisar de um órgão - disse Valéria Figueiredo, que doou um rim para seu marido há sete anos e, na madrugada de segunda, desfilou na ala "Nobel Anglo-brasileiro"
postado por: elaineborges 9:14 PM CARNAVAL - QUEM MUDOU? Sou do tempo em que bastava circular ao redor da Praça 15 ou ao longo da Felipe Schmidt para se divertir no carnaval. Bandas se cruzavam e era só ir dançando, levada por um bando de gente que só queria se divertir. Vi soldados da Polícia Militar sendo admoestados por foliões mais ousados sem que os mesmos manifestassem qualquer reação mais agressiva. Apenas se limitavam a sorrir. Lá do Clube Paineiras ( no alto da Felipe Schmidt) saía uma turma alegre, iniciando o carnaval na Ilha. Violência? Nenhuma. Era uma mistura tão hilária, que permitia ver grandes empresários misturados a um zé qualquer. Mulheres desciam os morros, trazendo seus filhos, muitos fantasiados, tudo na base do improviso e da criatividade. Bêbados, claro, havia muitos. Mas eram alegres sem serem agressivos. A gente podia sambar abraçadas a um carnavalesco completamernte desconhecido. Caso alguém manifestasse gestos mais ousados, dava-se um jeito e tudo acabava bem. Mas o carnaval de Florianópolis mudou. Onde estão àquelas bandas que tinham até sax? E os blocos de sujo? Sumiram. Poucos saíram às ruas. Um, o "estepô gay", até que representou bem a turma das "meninas alegres". Mas hoje, sair às ruas é sinal de perigo. Há que ficar atenta. O empurra-empurra pode resultar em uma briga. Aí, é correr o mais longe possível da confusão. Quem mudou, afinal? Eu ou os carnavais?
postado por: elaineborges 7:27 PM AS HORAS - O FILME Nicole Kidman, Juliane Moore e Meryl Streep estão ótimas no filme As Horas, que retrata a vida de três mulheres que, em comum, sofrem um imenso desgaste emocional.Tinha dúvidas quanto a capacidade do diretor, Stephen Daldry "costurar" a história das três mulheres que vivem em momentos diferentes. No livro, o escritor Michael Cunningham narra de forma brilhante esses momentos. O livro é, de fato, um dos melhores da literatura contemporânea ( ganhou o Pulitzer e também o PEN/Faulkner Award e foi um dos indicados para o National Book Critics Circle Award). É óbvio que, como quase sempre acontece, o livro é bem melhor. O filme, no entanto, é muito bom. Recomendo.
postado por: elaineborges 7:05 PM
foto de Antonio Lacerda/JB ENREDO CIDADÃO Com certeza o desfile que mais me emocionou foi o da Mocidade Independente. O carnavalesco Chico Spinosa transformou o desfile num emocionante apelo pela solidariedade ao escolher como tema "Para sempre no seu coração, Carnaval da doação". Com muito luxo, a Mocidade Independente quis despertar o sentimento de solidariedade e de ajuda ao próximo falando sobre a doação de órgãos. Para ele, trata-se de um 'enredo-cidadão', uma bandeira em favor da humanidade. A escola apresentou um desfile alegre, com muitos números acrobáticos. A comissão de frente, criada pelo coreógrafo Paulo Mantuano, fez performances em cima de rodas de metal de cerca de dois metros de altura. A alegoria 'Banco de Órgãos' trazia quatro mergulhadores - cada um imerso num aquário de acrílico que pesava 1,2 tonelada - respirando por tubos de oxigênio. Por razões óbvias ( sou tb transplantada renal) torço para que a escola seja escolhida a melhor. Mas confesso que é bem difícil porque há outras - como a Imperatriz, a Salgueiro, entre outras, que estavam esplêndidas. Destaque para os componentes da 'ala da força', aqueles que empurram os carros alegóricos, todos fantasiados de médico. Spinosa disse, ao final do desfile, sentir-se realizado por ter desenvolvido "de maneira leve e divertida" um tema tão sério como o da doação de órgãos. Segundo ele, esse foi um dos enredos mais difíceis que ele já encontrou justamente por tratar-se de um tema "que fala do respeito ao homem e à cidadania".
postado por: elaineborges 6:43 PM
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