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Balaio de Siri
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Textos variados,comentários, dicas,elocubrações, informações, enfim, de tudo um pouco. Balaio de Siri é em homenagem a um antiga moradora de Florianópolis. Ao puxar um siri, vem sempre um monte de dentro do balaio - o mesmo quanto aos textos:um assunto puxa o outro e assim vai... Terça-feira, Abril 29, 2003 FRIDA Vi Frida em Porto Alegre. Gostei. Mas especialmente gostei de ouvir Caetano Veloso cantando Burn it blue. A música é bonita e a voz de Lila Downs é belíssima. Só há um grande defeito: para ouvir Caetano é preciso ficar vendo os letreiros no final do filme. É nesse momento que entra a música da dupla. Vale a espera. Em geral, há apressadinhos que levantam antes e então é preciso solicitar gentilmente que saiam da frente (as cabeças atrapalham). Saí e fui direto comprar o CD, mas só fui encontrar em Florianópolis, em PA estava esgotado. Gostei também de ver o coloridíssimo do filme, aquela coisa feérica mexicana - muito vermelho, azul, amarelo....lindo, lindo!
postado por: elaineborges 11:54 PM Comments: Quarta-feira, Abril 23, 2003 NINA SIMONE Quem não ouviu ainda Ne Me Quitte Pas, do Jacques Brel, cantada pela Nina Simone, deve sanar essa grave falha. Ouvir aquela voz potente, grossa, misteriosa, dizer "deixe me tornar a sombra de tua sombra, a sombra do teu cão ( em francês, é óbvio) é de arrepiar. Há ainda as belíssimas: I put a spell on you, I loves you Porgy, ou Don't let me be misunderstood...São músicas únicas cantadas pela única Nina Somone. Essa negra maravilhosa, que se recusou a continuar morando nos Estados Unidos - nasceu na Carolina do Norte - ( "como morarei em um país que não respeita minha raça", dizia) morreu ontem em sua casa, no interior da França, de morte natural. Tinha 70 anos e gravou inúmeros discos. Quem ainda não a ouviu, corra e compre qualquer CD. Ela era ( é ) uma das mais belas vozes femininas, ao lado de outras, como Dinah Washington, Ella Fitzgerald, Aretha Franklin, Sarah Vaughan...
postado por: elaineborges 12:52 AM Comments: NECESSIDADE DE MARAVILHA O homem tem necessidade da beleza, da maravilha - sábias palavras do poeta Ferreira Gullar agora no Observatório da Imprensa (TV Cultura). Mais uma conclusão - com a qual concordo: a poesia não deve ser dita, mas sim, lida. Nada como a introspecção para se deixar levar pela poesia, ou por bons textos...Enfim, é no silêncio que o mundo da escrita nos é revelado.
postado por: elaineborges 12:24 AM Comments: E-MAIL TERRA - PROBLEMAS Não bastasse problemas com os "coments" do blog, o provedor Terra tb tem me deixado irritadíssima. Troquei do UOL pelo Terra pensando que havia feito uma boa opção. Puro engano. Desde o dia 14 o Terra está com sérios problemas no e-mail, prejudicando um milhão de usuários. Como ainda não havia encerrado meu contrato com o UOL, fui salva pelo gongo. Por enquanto, continuo usando o elaine-borges@uol.com.br e penso em não encerrar minha assinatura com esse provedor. O Terra (e-mail) está um horror.
postado por: elaineborges 12:12 AM Comments: E OS COMENTÁRIOS? Sou a mais nova "vítima"das loucuras dos blogs: simplesmente aquele ítem que sugeria "comentários"aos posts sumiram. Não sei restabelecer e terei que esperar o auxílio de um amigo expert em blogs - mas como viajarei amanhã para Porto Alegre, arrumarei o blog só na minha volta ( segunda, acho). Portanto, àqueles que pretendiam comentar alguma coisa ao final dos post peço mil desculpas pela falha que não é minha.
postado por: elaineborges 12:02 AM Comments: Terça-feira, Abril 22, 2003 RITA LEE E O BOI O conceituado jornalista Raul Sartori também registrou - em sua coluna no A Notícia - o ofensivo gesto de Rita Lee aos catarinenses: Ferrenha defensora dos animais, Rita Lee odeia a farra-do-boi em Santa Catarina. Pois anteontem, no programa "Saia Justa", transmitido pelo canal pago GNT, ela "homenageou" o Estado à sua maneira. Levantou o dedo anular - que tem um significado impublicável e disse: "Aqui para Santa Catarina!". Ofendeu a grande maioria que é contra a farra.
postado por: elaineborges 11:53 PM Comments: Quinta-feira, Abril 17, 2003 AINDA A FARRA DO BOI
Foto:Tarcísio Mattos Não tenho nos meus arquivos fotos da farra do boi. E se tivesse, talvez não publicasse. Prefiro esse boizinho aí de cima, uma das figuras do Boi de Mamão do folclore catarinense.
postado por: elaineborges 5:22 PM Comments: FARRA DO BOI Ainda sobre o gesto da Rita Lee no Saia Justa (comentário abaixo). Revi agora ( 17 h) a reprise no GNT e corrijo: ela foi mais enfática."Fodam-se", disse. É apenas uma correção para ser mais fiel aos fatos.
postado por: elaineborges 5:17 PM Comments: RITA LEE E A FARRA DO BOI Rita Lee é uma ferrenha defensora dos animais. Nada contra. Eu também sou. Adoro animais, principalmente cachorros. No momento, Santa Catarina enfrenta uma das mais polêmicas questões envolvendo animais: a farra do boi. Uma "brincadeira" que vem dos Açores - de um lado um pobre animal indefeso e de outro um monte de gente correndo e atiçando o animal para que ele, enfurecido, ataque às pessoas. Como jornalista, vi várias cenas lamentáveis: o animal, cansado, tentando fugir daquela turba ensandecida, se embrenhando no mata, entrando no mar, extenuado. Esse corre-corre dura horas, dias até, e ocorre sempre na Semana Santa (mas já vi em outras ocasiões). Desde 1997 essa "brincadeira" está proibida. Por decisão do STF ninguém pode mais praticar a farra do boi. Acontece que há um eterno jogo de empurra. Os policias limitam-se a prender por algumas horas os infratores. Depois soltam, sem ao menos pagarem fiança. As autoridades municipais preferem ignorar, ou até mesmo participar da farra - como aconteceu recentemente, quando o vice-prefeito de Tijucas (município vizinho à Florianópolis) foi flagrado entre os farristas. Pois voltando à Rita Lee: no último programa Saia Justa, transmitido pela GNT, ela manifestou sua total condenação a essa prática, fazendo o tradicional gesto com o dedo - "aqui para Santa Catarina", disse. Confesso que fiquei ofendida com o gesto da Rita. Com isso ela englobou todos os catarinenses e ofendeu a todos nós. Não é bem assim, Rita. Aqui há uma população de origem diversa - e talvez aí resida um dos nossos principais encantos, a diversidade de raças, origens, tradições, que moldaram esse Estado. A farra do boi deve ser condenada sim. É uma tradição trazida pelos primeiros colonizadores. Há mais de duzentos anos é praticada. Brigar com a tradição é uma luta difícil. Vai depender do tempo - o sábio tempo. Um dia, quem sabe, encontrarão outras formas de brincar sem que o boi seja a principal vítima. Há que ter paciência, mas nunca complacência. Enquanto isso, Rita Lee, não nos ofenda. Não é em vão que muitos brasileiros de outros Estados - paulistas, em especial - sonham um dia morar aqui. Eu sou uma delas: gaúcha, escolhi Florianópolis para morar. E aqui vivo momentos de pleno encantamento. Basta olhar para o mar, para o horizonte, para as dunas... Basta saber conviver com tanta complexidade e tanta beleza.
postado por: elaineborges 11:07 AM Comments: A MISSA JÁ NÃO É MAIS A MESMA Na coluna de ontem, no Estadão, Mario Prata lembra das missas rezadas em latim e de toda aquela encenação que sempre me lembrou muito a um belo espetáculo teatral. Missa grega, então, é lindissíma - assisti uma certa vez em Porto Alegre e nunca esqueci. As missas de hoje não tem mais aquela solenidade, aquele ritual, quando era toda rezada em latim ( cheguei a assistir várias na minha infância). Transcrevo um trecho do texto do Mario Prata sobre o assunto: "...A missa já não é mais a mesma. Em primeiro lugar, era em latim. E o latim, é lindo. Pelo menos eu acho, depois de ter estudado por nove anos. O som do latim é bonito e suave. E o padre rezava a missa em latim. E havia dois coroinhas (não confundir com sacristão) que o ajudavam. Pois hoje não tem mais coroinha. Eu fui coroinha. Respondia ao texto do padre em latim, de joelhos, tocando sininho em horas determinadas e soltando incenso. Aquele incenso era bonito, dava um ar teatral à coisa, enchia a igreja com um cheiro gostoso, enchia nossas vistas e até as nossas almas. Como aquilo era bonito, espetacular. Todo mundo queria ser coroinha, segurar o pratinho de ouro onde estavam as hóstias. Introibo ad altare Dei (se meu latim não estiver errado) e a gente respondia: ad Dei que letifica juventude mea. Assim começava a missa no meu tempo de convicto e compenetrado coroinha. Conforme você pode observar, tiraram a confissão, o coroinha, o sininho, o incenso e o latim. E os cantos? Não havia um coro. Quem cantava era o pessoal que estava assistindo à missa. Quem é que não se lembra do "Louvando Maria, a voz repetia de São Gabriel, ave, ave, ave Maria". E tinha um saquinho de veludo vermelho que ia passando de banco em banco e o pessoal ia jogando uns trocados lá dentro. E tinha o dízimo (dez por cento) que as famílias davam para a manutenção da paróquia e o próprio padre. Mas a missa continua a ser rezada, de uma maneira ou de outra. Prefiro a de antigamente. Era mais perto do Oriente Médio, por onde Jesus pregava, era mais perto dos mistérios da fé. Acho que por ser em latim era mais perto de Cristo, embora Jesus não falasse nem latim e muito menos português. O que importa é que ao assistir à missa de 50 anos de casados dos meus primos, nestes dias de guerra e tantos crimes, senti uma paz interna muito grande. E a paz não precisa ser nem em latim nem em português. Pode ser também em inglês e iraquiano. Que a fumaça do incenso substitua a fumaça das bombas, que os sinos voltem a tocar em Belém. Que todos nós comunguemos a paz e que os verdadeiros pecadores dos dias de hoje um dia tomem coragem na cara e confessem seus mais recentes pecados. E crimes. E espero que Deus não os perdoe".
postado por: elaineborges 12:33 AM Comments: Terça-feira, Abril 15, 2003 JUCA Saudades do Juquinha! Vejam que cãozinho lindo! Foi minha primeira - e única - tentativa de ter um animal no apartamento. Não deu certo. Ele largava muito pêlo e atacou minhas vias respiratórias. Uma pena, ele era maravilhoso. Agora, penso em ter um gatinho. Será que vai dar certo? Estou bem inclinada em adotar um.
postado por: elaineborges 10:39 PM Comments: COMPAIXÃO Carandiru é um filme sobre os sobreviventes, os marginalizados, os desassistidos. Mas é também um filme sobre a crueldade da vida. Sobre os não escolhidos. Sobre aqueles que ficaram à margem. Que pouco ou nada receberam da vida e por isso praticaram gestos extremos: mataram, roubaram, estruparam... Carandiru é pura compaixão. Não é a versão dos que mandam, mas sim dos que olham o mundo de dentro, atraz das grades. E lá dentro vivem o seu mundo, de desgraça, de apoio, de solidariedade, de um código de vida ou morte. Há regras para sobreviver nesse mundo e quem não obedecer pode morrer. Há cenas no filme de muita emoção: a do hino nacional é uma delas. Lá estão eles, os marginalizados, os que não irão sobreviver, cantando para sua Pátria Amada, Brasil. Dizer gostar do filme é muito difícil. Não se gosta de ver a dor, o sofrimento. Mas Hector Babenco com esse filme não quer divertir. Quer contar a história do muito que o médico Drauzio Varella viu e relatou no seu livro (hoje um dos mais vendidos no Brasil). Se é um filme parcial? É. Carandiru fala de pessoas, seres humanos. É a versão deles. Como diz o médico no seu livro, com o qual Babenco termina o filme: "Só Deus, a polícia e os presos podem contar o que se passou ali. Eu contei o que vi".
postado por: elaineborges 10:26 PM Comments: Sexta-feira, Abril 11, 2003 BELEZA PURA Florianópolis está assim, belíssima!
Foto:Tarcíso Mattos
postado por: elaineborges 12:44 PM Comments: BAU DE LETRAS Mexendo novamente no meu bau de textos, frases, palavras, pensamentos e tudo o mais que costumo guardar, encontrei o que transcrevo abaixo. Não sei o autor: "Se eu tivesse os tecidos bordados dos céus... Bordados em ouro e prata claros... Os panos azuis e escuros da noite e da luz e da meia-luz... Eu espalharia os panos debaixo dos teus pés... Mas sendo pobre, só tenho meus sonhos. Espalhei meus sonhos sob teus pés. Pise suavemente, porque pisas nos meus sonhos".
postado por: elaineborges 12:42 PM Comments: Quinta-feira, Abril 10, 2003
Charge do Frank publicada hoje no A Notícia de Joinville.
postado por: elaineborges 1:14 PM Comments: Quarta-feira, Abril 09, 2003 AS MENTIRAS QUE OS EUA CONTAM Robert Fisk Do "Independent"em Bagdá - Publicado na Folha de hoje: Primeiro mísseis americanos atingiram o correspondente da Al Jazeera e seu cinegrafista. Depois -num intervalo de quatro horas- os EUA atacaram o escritório da Reuters, em Bagdá, e atingiram um de seus câmeras, pai de uma criança de oito anos, além de outros integrantes da equipe e um cinegrafista do canal espanhol Telecinco. É possível acreditar que isso tenha sido um acidente? Ou é possível que a palavra certa para as mortes decorrentes desses ataques seja assassinato? Não são, obviamente, as primeiras mortes de jornalistas na invasão anglo-americana do Iraque. Tampouco podemos nos esquecer dos civis iraquianos que estão sendo mortos e mutilados às centenas e que -diferentemente dos convidados jornalistas- não podem deixar o país e voar para casa de classe executiva. Ou seja que os fatos de ontem devem falar por si. Infelizmente para os americanos, tudo o que aconteceu se parece muito com assassinato. Vejamos o míssil que atingiu a sede da Al Jazeera às margens do rio Tigre. O correspondente da rede de televisão, um jordaniano-palestino chamado Tareq Ayyoub, estava no topo do prédio com seu segundo cinegrafista, um iraquiano chamado Zuheir, registrando uma batalha que ocorria entre tropas norte-americanas e iraquianas. Como Maher Abdullah, colega de Ayyoub, contaria mais tarde, "o avião voava tão baixo que pensávamos que pousaria no topo do prédio. Foi um ataque direto -o míssil chegou a explodir contra o nosso gerador". Agora resta aos americanos o problema de explicar isso. Em 2001, os Estados Unidos atingiram com um míssil o escritório da Al Jazeera em Cabul, no Afeganistão -de onde vídeos de Osama bin Laden ganharam exibição para todo o mundo. Explicações nunca foram dadas. Mais perturbador, no entanto, é o fato de que a Al Jazeera -a rede de televisão árabe independente, que conseguiu despertar a fúria de autoridades norte-americanas e iraquianas por sua cobertura ao vivo da guerra- havia informado ao Pentágono as coordenadas de seu escritório em Bagdá há dois meses e recebeu a garantia de que o local não seria atingido. O ataque seguinte veio logo depois, quando um tanque Abrams apontou seu canhão em direção ao hotel Palestine, onde jornalistas estrangeiros estão hospedados na capital iraquiana. A munição explodiu entre a equipe da agência de notícias Reuters e atingiu o cinegrafista ucraniano Taras Protsyuk, o britânico Paul Pasquale e dois outros jornalistas, incluindo a repórter libanesa-palestina Samia Nakhoul, além de José Couso, do canal espanhol Telecinco. Os americanos se justificam com o que todas as evidências provam ser uma clara mentira. O general Bufford Blount, da 3ª Divisão de Infantaria, afirmou que seus veículos estavam sob fogo de francos-atiradores instalados no hotel Palestine. O testemunho do general não é verdadeiro. Eu estava passando por uma rua entre os tanques e o hotel no momento em que ele foi atingido -e não havia nenhum tiroteio. Algo de muito perigoso parece haver pairado ontem. Há alguma lição que os jornalistas devem reter disso? Há algum setor das forças militares norte-americanas que passou a odiar a imprensa e quer tirar do caminho jornalistas em Bagdá, ferindo aqueles a quem nosso próprio (britânico) ministro do Interior, David Blunkett, maliciosamente afirmou estar trabalhando "atrás das linhas inimigas"? Eu conheci Tareq Ayyoub. Disse-lhe o quão fácil esse escritório de Bagdá seria, como alvo, para os americanos, se eles quisessem destruir a cobertura que faziam -vista em todo o mundo árabe-, com imagens das vítimas civis dos bombardeios. Taras Protsyuk dividia por vezes o elevador inacreditavelmente lento do hotel Palestine comigo. Samia, aos 42 anos, é uma amiga desde a guerra civil libanesa entre 1975 e 1990. Ontem à tarde, estava coberta de sangue, num hospital de Bagdá. E o general Blount insinua que essa mulher e seus bravos colegas eram francos-atiradores. O que isso, me pergunto, nos diz sobre a guerra no Iraque?
postado por: elaineborges 3:06 PM Comments: VARIAÇÕES SOBRE O MESMO TEMA Estava decidida a não mais escrever sobre a Guerra. Mas é humanamente impossível fechar os olhos ao vermos tanta dor, tanta tragédia, tanta barbárie! Li há pouco (do Veríssimo, parece) que a pedra da civilização estava lá no topo. Com a Guerra, ela rolou e está novamente na base. Teremos que fazer um longo esforço para levá-la novamente até o topo.
postado por: elaineborges 2:37 PM Comments: REVOLTA E DOR Silvio da Costa Pereira, secretário do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina, escreve, revoltado, com o toda essa loucura que atingiu duramente nossos colegas. Já são doze os jornalistas que morreram no Iraque. As entidades da classe estão se manifestando, indignadas. A revolta do Sílvio é também a minha e com certeza de todos àqueles feridos na alma e horrorizados com esse momento de pura escuridão que estamos vivendo: Galera, chega de financiar essa guerra. Há poucos dias o Baby Bush pediu o reforço de US$ 75,5 bilhões ao Congresso (deles). Alguém vai pagar essa conta. Não seja mais um. Hoje estou revoltado. Os babacas dos americanos abriram fogo (de tanque!!) contra um hotel onde estavam os jornalistas estrangeiros em Bagdá. Pura sacanagem, para "dar um toque" à imprensa que não está seguindo junto aos comboios deles (os chamados jornalistas "incorporados"). Mataram dois nesse ataque. E mais outro num bombardeio ao escritório da TV Al Jaziira (não sei se é assim que se escreve). Mesmo com todo o poderio bélico eles estão se fudendo, e não querem que o mundo saiba disso!! Tô puto!!
postado por: elaineborges 2:27 PM Comments: VIOLÊNCIA E CONTRAVIOLÊNCIA Abaixo, trecho de um artigo publicado hoje no Estadão assinado por Günter Grass (Prêmio Nobel de Literatura em 1999): Atordoados e sem ação, mas também cheios de raiva, estamos testemunhando o declínio moral da única superpotência mundial, carregados pelo conhecimento de que uma única conseqüência desta loucura organizada é certa: estão sendo alimentadas motivações para mais terrorismo, para mais violência e contra-violência. São de fato os Estados Unidos da América, o país do qual nos lembramos carinhosamente por tantas razões? O generoso benfeitor do Plano Marshall? O abnegado instrutor de lições de democracia? O ingênuo autocrítico? O país que certa vez tomou os ensinamentos do Iluminismo europeu para se livrar da dominação colonial e para dar si uma Constituição exemplar? Foi este o país que fez da liberdade de expressão um direito humano incontestável? Não são apenas os estrangeiros que se chocam enquanto este ideal se empalidece a ponto de agora parecer uma caricatura de si mesmo. Há muitos americanos que amam seu país, pessoas horrorizadas com a traição de seus valores fundamentais e com a soberba dos que seguram as rédeas do poder. Eu estou com eles. Com eles, eu me declaro pró-americano. Eu protesto com eles contra as brutalidades trazidas pela injustiça do poderoso, contra todas as restrições à liberdade de expressão, contra o controle de informações que lembra as práticas de Estados totalitários e contra as equações cínicas que fazem a morte de milhares de mulheres e crianças aceitáveis enquanto interesses políticos e econômicos são protegidos. Não, não é o antiamericanismo que está provocando estragos na imagem dos Estados Unidos; nem é o ditador Saddam Hussein e seu país amplamente desarmado quem ameaça o mais poderoso país do mundo. São o presidente Bush e seu governo que estão diminuindo os valores democráticos, que estão levando ao desastre o próprio país, ao ignorar as Nações Unidas, e que agora aterrorizam o mundo com a violação da legislação internacional.
postado por: elaineborges 2:19 PM Comments: Sábado, Abril 05, 2003 MOMENTOS DE FÉ Florianópolis está vivendo um dos seus maiores momentos de fé: a procissão do Senhor Jesus dos Passos. A imagem, toda de madeira, é impressionante. Quando acionam um dispositivo, mexe com a cabeça. Católicos, curiosos, turistas, se misturam numa grande procissão que sai da Igreja do Senhor dos Passos, junto ao Hospital de Caridade ( foto abaixo), percorre as ruas centrais, até a Catedral, onde há a conhecida "procissão do encontro"- quando a imagem do Senhor dos Passos e da Nossa Senhora das Dores se encontram. O momento mais aguardado é quando a Verônica canta, mostrando um pano representando a face de Jesus. É muito bonito. Para quem não tem fé, toda a encenação pode ser visto como o mais puro teatro.
postado por: elaineborges 6:23 PM Comments:
postado por: elaineborges 6:10 PM Comments: É OUTONO - BASTA OLHAR No lugar onde moro, as mulheres se visitam, os homens freqüentam os botecos e contam "causos", fazem até fofocas lá entre eles. No lugar onde moro, as crianças ainda brincam nos pátios, no fundo das casas, ou na beira dessa imensa e misteriosa lagoa. No lugar onde moro, os cachorros, quando chega o outono, se enrodilham nas cozinhas, fugindo do frio e do vento sul que já anuncia que o inverno está próximo. No lugar onde moro, o grande esplendor da luz acontece mesmo no outono. Esse tempo que, segundo o dicionário Aurélio, é o tempo de decadência, do ocaso, da idade que antecede a velhice. Mas, com a chegada das primeiras águas de outono, é tempo de regar a terra. É no outono, que agora estamos vivendo, que os moradores da Ilha parecem dizer, entre si, sem esconder uma grande alegria interior e até mesmo um sentimentozinho de puro egoísmo: "Ah, agora sim a Ilha é nossa!". E, como que para saborear o sentido da posse, invadem as praças, a av. Beira Mar e todos os caminhos que levam ao mar. Invadem, sobretudo a Lagoa da Conceição. Descem o morro de carro, de bicicleta, montados em portentosas motos... Circulam ao longo da av. das Rendeiras, lotam os muitos bares e restaurantes locais e se postam no Centrinho. É ali que, nas tardes de domingo, se forma uma grande confusão, um vai e vem, um tititi interminável. No outono as cores na Lagoa ficam mais puras. É quando as várias tonalidades de cinza, azul e amarelo adquirem todo o seu esplendor. É quando o amanhecer é tão bonito que chega a exigir absoluto silêncio. Basta olhar. Talvez seja no outono - tempo de preparar o ninho para o inverno - que acontece o grande milagre da descoberta do olhar. Eduardo Galeano conta, no O livro dos Abraços, a seguinte história: Diego não conhecia o mar. O pai, Santiago Kovadloff, levou-o para que descobrisse o mar. Viajaram para o Sul. Ele, o mar, estava no outro lado das dunas altas, esperando. Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. E foi tanta a imensidão do mar, e tanto seu fulgor, que o menino ficou mudo de beleza. E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai: - Me ajuda a olhar! O outono é assim: antes do anoitecer, basta vagar os olhos ao longo daquele imenso cenário. Vê-se a linha irregular dos morros, a variação de cores... Um brilho prateado junto às águas da lagoa, um tom rosa mais adiante, umas nuvenzinhas como chumaços de algodão soltos pelo céu, mais próximo um pescador solitário na sua pequena canoa, lá longe a imponente Igreja... No lugar onde moro todos os dias se aprende a olhar. E, se for tanta a beleza, peça ajuda.
postado por: elaineborges 12:25 AM Comments: Terça-feira, Abril 01, 2003 QUATRO MULHERES Ali estavam elas, as quatro mulheres olhando a vitrine, seus olhos percorriam aquele pequeno espaço, se detendo, alguns breves momentos, em determinado livro e emitindo rápidos comentários. Mas não interessava a nenhuma delas serem ouvidas. O que estava acontecendo ali, naquele momento, era o prazer de descobrir - ou redescobrir - livros há algum tempo fora das prateleiras das livrarias e que estavam ali, bem próximos, espalhados na vitrine. Cada uma das quatro entrou em seu mundo, silencioso, com certeza buscando, em um passado longínquo, os momentos que as ligavam àqueles velhos livros - muitos já fora de catálogo - e talvez sentindo cheiros, odores, ouvindo palavras, sons, sensações... Lá, do fundo da memória, emergiam as palavras impressas que no passado marcaram suas vidas. Ali, olhando aqueles livros expostos, as quatro mulheres perceberam que os Sebos têm essa magia: nos conduzir a uma viagem através do tempo e talvez resgatar, nos recantos quase esquecidos da memória, a nossa vida já vivida. Elaine B. - 18 de abril de 2001.
postado por: elaineborges 11:34 PM Comments: BAU DE LETRAS (2) Continuando a revirar o bau...é também uma tentativa de fugir a esse horror que estamos vivendo. AS I WALKED OUT ONE EVENING Todos os relógios da cidade começam a girar e a tocar. Mas não deixe o tempo te enganar. Pois o tempo não há quem conquiste. Em angústias e preocupações a vida escoa vagamente. E a todos o tempo há de consumir. Seja agora ou no porvir. W.H.AUDEN (1907/1973).
postado por: elaineborges 10:24 PM Comments: BAU DE LETRAS Às vezes, gosto de revirar meu "balaio de letras". São aquelas frases, poesias, pequenos textos que vou guardando. Hoje achei essas pequenas pérolas e passo adiante: OS VIVOS E OS MORTOS Era tarde a noite passada O cão falava de você. O pássaro cantava no pântano, falava de você. Você é o pássaro solitário na floresta. Que você fique sem companhia, até achar-me. Você prometeu e mentiu. Disse que estaria junto de mim quando os carneiros fossem arrebanhados. Eu assoviei, gritei cem vezes, e não achei nada lá, a não ser uma ovelha balindo. Prometeu-me algo difícil: um navio de ouro sob um mastro prateado; doze cidades e um mercado em todas e uma branca e bela praça à beira mar. Você prometeu algo impossível. Que me daria luvas de pele de peixes e sapatos de pele de aves e a roupa da melhor seda da Irlanda. Minha mãe disse para eu não falar com você, nem hoje, nem amanhã, nem domingo. Você tirou o leste de mim. Tirou o oeste de mim. Tirou o que existe à minha frente. Tirou o que há atrás. Tirou a lua, tirou o sol de mim. E meu medo é grande. Você tirou Deus de mim. ( Fala da lady Gregory). Os textos acima são do filme Os Vivos e os Mortos ( John Huston) baseado no livro de James Joyce (Dublinenses).
postado por: elaineborges 12:40 AM Comments:
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