Balaio de Siri

Textos variados,comentários, dicas,elocubrações, informações, enfim, de tudo um pouco. Balaio de Siri é em homenagem a um antiga moradora de Florianópolis. Ao puxar um siri, vem sempre um monte de dentro do balaio - o mesmo quanto aos textos:um assunto puxa o outro e assim vai...



Segunda-feira, Setembro 29, 2003

IPÊS

Ipê é de origem indígena - quer dizer "'arvore cascuda". Segundo o dicionário Aurélio "... da família das bignoniáceas, de que há dois tipos: a de flor amarela e a de flor violácea. Muito ornamentais pela floração belíssima, são dotadas de lenho muitíssimo resistente à putrefação. O ipê é considerado árvore nacional."

"As árvores são poemas que a terra escreve para os céus" - Como define poéticamente a conhecida comentarista política Tereza Cruvinel saudando a primavera.

Como os Ipês continuam resistindo aos ventos que sopram com insistência cá na Ilha, vai abaixo a foto que a Virgínia tirou da janela de sua casa, na Lagoa da Conceição.

postado por: elaineborges 5:01 PM


Quinta-feira, Setembro 25, 2003

É PRIMAVERA



O vento sul bate na minha janela com fúria. Ouço aquele assobio que lembra filmes de terror. É o som do vento. Os pingos da chuva escorrem na vidraça. Olho e vejo uma rua deserta. Ninguém se atreve a enfrentar esse vento gelado. São - dizem os meteorologistas - os derradeiros momentos das baixas temperaturas. Estamos na primavera. Breve terei de enfrentar aquele calorão que me deixa extenuada, cansada, sem pique.
Mas já há flores pela cidade. É bonito de ver. Até os delicados ipês amarelos - típicos do inverno - estão florindo, numa clara demonstração de que as estações do ano estão tão confusas que até mesmo as árvores estão um pouco perdidas. Florescem em épocas impróprias. Sei que com esse vento, a vida dos ipês será curta. Tão curta que é preciso se apressar e contemplar nas próximas horas todo o seu esplendor. Breve as delicadas folhas amarelas dos ipês se espalharão pelo chão. Mesmo mortas, o amarelo de suas folhas será suficiente para transformar a grama numa efêmera pintura.
(P.S. - Na falta de foto de ipê, enfeito o post com essas flores que não sei o nome).

postado por: elaineborges 1:22 AM



VIVÊNCIA CULTURAL

Quem mantem um blog na internet conhece muito bem Cora Rónai. Especialista em informática, seu blog é, certamente, um dos mais acessados pelos blogueiros e demais interessados. Competente, Cora edita o caderno de informática de O Globo, além de manter uma coluna semanal. Foi vendo uma entrevista sua na TV Cultura (SP) que também entrei nesse mundo da informática via blog. Desde então, escrevo aqui, além de ter estimulado amigos a manter diários virtuais.

No Papo na Redação do Comunique-se de ontem Cora responde algumas perguntas que transcrevo pensando especialmente nos futuros colegas:

Gabriel Damásio de Oliveira (Estudante - UFS - Aracaju) pergunta: Cora, gostaria que você falasse um pouco da sua época de jornalismo cultural. Essa bagagem te ajuda ao trabalhar na editoria de Informática?

Eu trabalhei sempre na área cultural. Comecei a escrever sobre informática em ... 86, ou 87, não lembro bem... você não era nascido... no JB. O fato de ter vindo da área cultural permitiu, acho, que, desde cedo, eu tratasse a TI como uma revolução de costumes, e não apenas como tecnologia pura e simples. Vivência cultural te faz melhor jornalista de qualquer coisa, não só informática.

Louise Santos (Estudante) pergunta: Boa tarde! Atualmente, os jornalistas precisam saber de tudo um pouco. Segundo tuas indicações, o que o estudante precisa saber da área de informática para ter mais chances de entrar no mercado de trabalho?

O estudante precisa se interessar por tudo. Tem que ter uma curiosidade malsã. Tem que ser uma antena em permanente alerta. Isso basta. Não adianta fazer cursinho disso ou daquilo sem ter real interesse pelo que acontece.

Mariana Ribeiro (Estudante) pergunta: Boa Tarde!!! Cora, na sua opinião como conciliar a forte concorrência no mercado de trabalho, sem perder a credibilidade, o respeito e a ética?

Eu ainda sou daquelas pessoas otimistas que acham que a gente vence no mercado de trabalho tendo ética e credibilidade. No dia em que eu deixar de acreditar nisso, vou procurar outra profissão.

postado por: elaineborges 12:56 AM


Segunda-feira, Setembro 22, 2003

MARIA RITA - O CD

Há três dias estou ouvindo o CD da Maria Rita. É claro que a lembrança da voz da mãe é inevitável. Mas a menina sabe que seu caminho é único, tem estilo, escolheu um repertório de músicas pouco conhecidas, mas ótimas. Ouço várias vezes Pagu , da Rita Lee e Zélia Duncan ( veja letra abaixo) e me divirto. Gosto também de Santa Chuva, de Marcelo Camelo ( quem é o moço?). A música que abre o CD - A Festa, do Milton Nascimento - é pura festa mesmo. Na verdade, escutando aos poucos todas as faixas, descubro e redescubro uma voz linda. Descubro, enfim, o que já havia desconfiado: Maria Rita realmente é uma excelente cantora.

Pagu
Rita Lee/Zélia Duncan

Mexo e remexo na inquisição
Só quem já morreu na fogueira
Sabe o que é ser carvão
Eu sou pau pra toda obra
Deus dá asas à minha cobra
Minha força não é bruta
Não sou freira nem sou puta
Porque nem toda feiticeira é corcunda
Nem toda brasileira é bunda
Meu peito não é silicone
Sou mais macho que muito homem

Sou rainha do meu tanque
Sou Pagu indignada no palanque

postado por: elaineborges 2:27 PM


Domingo, Setembro 21, 2003

O CÍRCULO

Vi agora um filme que recomendo (tem em DVD e VHS): O Círculo, do cineasta Jafar Panahi. O filme mostra bem a vida das mulheres na sociedade iraniana. A cena inicial já diz o que veremos: em uma maternidade, a enfermeira anuncia que o parto foi bem sucedido e que a menina recem-nascida estava bem. Péssima notícia porque o esperado era um menino. Seguem-se histórias de mulheres enfrentando um mundo hostil e duro, essencialmente machista. O filme é extremamente realista, dolorido às vezes, mas deve ser visto.

postado por: elaineborges 11:29 PM


Sábado, Setembro 20, 2003

VOZES DA LAGOA

Recebi um e-mail da Claudia de S. Loureiro Braga, de Brasília, confessando ser mais uma apaixonada por Florianópolis, especialmente pela Lagoa da Conceição. E descobriu pela internet o livro Vozes da Lagoa . Ela diz: fiquei muito emocionada ao ler este livro querido e surpreendi meus olhos marejados ao ouvir aquelas senhoras cantando as canções da "ratoeira".

A Lagoa que está no livro não é mais a de agora. Basta ver essa descrição de um antigo morador - José Simão, nascido no início na década de vinte e que viu toda a transformação do lugar onde viveu a vida inteira:

TRILHOZINHO DE AREIA
José Simão - Caieira

Naquele tempo, não ia quase ninguém pescar na ponte.
Lembro que aqui tinha poucas casas.
Aqui perto, morava o Zé Moema, um preto.
Ao lado, morava o Zé Vicente, meu avô.
Lá em cima, morava o meu pai, e lá adiante moravam o Bertolino, o Antonio Martins e a tia Luiza, uma preta.
Aqui não tinha rua, era um trilhozinho por onde passava uma carreta com um cavalo, só.
Eu ia com meu pai e gente mais velha ali para o casarão, perto da ponte.
Sentava ali, mas ninguém tinha coragem de ir sozinho.
Alguém mandava:
- Vai, vai experimentar o camarão.
Mas tinha que ir em dois. Lá era mato virgem, e diziam que era assombrado.
Morria muita gente n'água ali.
Não tinha luz elétrica. A ponte era de madeira, estreitinha...
Na Praia das Areias, até lá no Canto do Retiro, tinha três casas.
Era um trilhozinho de areia, que beirava a praia, não existia estrada.
Ali chamavam de Praia das Areias.
A Avenida das Rendeiras não existia.
Lá moravam algumas mulheres que faziam renda pra vender.

postado por: elaineborges 2:39 AM



TARKOVSKI E A ARTE

Em Esculpir O Tempo Andrei Tarkovski diz:

A arte afirma tudo o que existe de melhor no homem - a esperança, a fé, o amor, a beleza, a prece... Aquilo com que sonha, as coisas pelas quais espera... Quando alguém que não sabe nadar é lançado na água, o instinto diz ao seu corpo quais movimentos deve fazer para salvar-se. O artista também é levado por uma espécie de instinto, e sua obra leva mais longe a busca do homem por tudo que é eterno, transcendente, divino - muitas vezes a despeito da natureza pecaminosa do próprio poeta.

postado por: elaineborges 2:16 AM


BONS SONHOS



A foto acima - de Nitin Sonawane - foi uma das premiadas no Nikon Photo Contest International (NPCI) de 2002/2003. Mais de 8 mil pessoas de 102 diferentes países participaram ( 12 brasileiros) com mais de 26 mil fotos inscritas.

postado por: elaineborges 1:12 AM


Sexta-feira, Setembro 19, 2003


DOMINGO ILEGAL

A sociedade foi lesionada, por isso falo em dano moral difuso; não se trata, neste caso, de saber o que o concessionário deve ou pode fazer, somos todos consumidores. A opinião é da promotora Deborah Pierri, da Promotoria de Justiça do Consumidor de São Paulo sobre a grande farsa que foi a apresentação de dois supostos integrantes do PCC no programa Domingo Legal do último dia 7 de setembro.
O assunto foi exaustivamente debatido na mídia nacional, mas acredito que a grande questão a discutir nesse imbloglio em que se meteu a SBT é: até quando o Ministério Público Federal vai permitir que empresas de comunicação - que são concessões públicas - vai se manter omisso, permitindo que emissoras de televisão que em última análise são pagas por nós, consumidores, divulguem programas de tão baixo nível? As concessões públicas têm deveres e devem prestar contas à opinião pública.
Li agora no Terra que a Justiça decidiu suspender a veiculação do Domingo Legal, do SBT, no próximo domingo dia 21. O SBT ainda pode recorrer. De acordo com a liminar da juíza Leila Paiva, da 10ª Vara Cívil Federal, pode ser exibido outro programa produzido por uma outra equipe e com outro apresentador. Se a decisão não for cumprida, o SBT receberá uma multa de R$ 100 mil por dia, que será revertida para o Fundo de Defesa dos Direitos Difusos.
Punição muito branda, como se vê. Mas se os grandes anunciantes decidirem não mais veicular seus anúncios no Domingo Legal ( como já li) já será uma grande punição. Sabe-se que mexer na caixa registradora tem efeitos mais devastadores do que qualquer preocupação com a ética.

postado por: elaineborges 9:30 PM


Quarta-feira, Setembro 17, 2003


OS ABUSADOS

Danuza Leão voltou a comentar - em sua coluna de domingo último - sobre gatos: Eles são tudo que se pode querer, mas vamos reconhecer que são abusados: costumam usar nossa mão como travesseiro e ficam dormindo de pernas para o ar, enquanto nós, babacas apaixonados, não nos movemos para não perturbar o sono deles. E folgados: se estiverem brincando e a gente chamar, não estão nem aí ( mas a gente os ama assim mesmo).
Ela tem toda razão. Mas há outro detalhe nesse bichano que me agrada muito: o silêncio. Eles praticamente não caminham, flutuam. Sobem nas prateleiras como se estivessem pisando em ovos, nada quebram. Se enrolam nos fios do computador (o que me preocupa muito) e nada acontece. E olham, olham muito e longamente pra ti, sempre mantendo um que de mistério no olhar.

postado por: elaineborges 3:15 PM



AINDA MARIA RITA

Deu na coluna de Joaquim Ferreira dos Santos de ontem ( Gente Boa - Segundo Caderno - O Globo):

A cantora Maria Rita vendeu 600 CDs em cinco dias na livraria Travessa de Ipanema. É o grande acontecimento de vendas no mercado cultural. No domingo, o livro de Chico Buarque, lançado no sábado, passou à frente ligeiramente e deu de 60 a 43 em Rita. A partir de ontem à noite a filha de Elis começou a pelejar com o livro infantil de Madonna. Maria Rita dá de dez.

Boa notícia essa aí de cima. Maria Rita é realmente uma das boas coisas que aconteceu na música brasileira. Mas, vejam só, ainda não consegui comprar o CD cá na Ilha. Também não vi nas prateleiras o livro do Chico.

postado por: elaineborges 3:01 PM


Sábado, Setembro 13, 2003

BOM OU RUIM

Belo é manter, o quanto possível, a calma na infelicidade e não se irritar, pois não vemos claramente o que é bom ou ruim naquelas conjunturas; de nada adianta suportá-las com péssimo humor; nas coisas humanas não há nenhuma que mereça um sério interesse. (República - Platão)

Eis aí as sábias palavras de Platão. Nada de se levar muito à sério. De preferência cultivar o riso, também a sátira, a ironia.
Bom mesmo é curtir a vida, o momento, viver o cotidiano, simplesmente.
E nunca deixar de manter o humor.

postado por: elaineborges 9:58 AM


Sexta-feira, Setembro 12, 2003

MARIA RITA



Ouvi pela primeira vez Maria Rita no ano passado, no programa Metrópolis, da TV Cultura de S. Paulo. Achei belíssima sua voz, mas a comparação é inevitável: ela lembra demais a mãe, Elis Regina. O timbre da voz, a interpretação, os gestos, jeito de olhar... Nesta semana Maria Rita está lançando seu primeiro CD. São 13 músicas. Uma - Festas - já ouvi via Internet e vi tb no Fantástico, de domingo. É linda. Composição do Milton Nascimento, amicíssimo da sua mãe. Milton já havia apresentando Maria Rita ao mundo através do CD Pietá. No lançamento do CD, Maria Rita falou na mãe:

"A princípio, é um distanciamento respeitoso com a obra dela. Para mim, a obra dela é definitiva e eu só poderia fazer alguma coisa se eu pudesse acrescentar. Um dia eu vou cantar suas músicas... um dia..." - "Ela era cantora também. Foi um mito para a música, para a cultura do país. Eu canto também, sou a filha mulher. Tem a saudade, a falta que as pessoas sentem. Lido com isso muito numa boa. Acho supernatural a comparação. A única coisa que eu não curto e que acho desrespeitoso é quando dizem que alguém veio tomar o lugar", afirmou.
A musicalidade é da mãe, com quem a filha confessa ter aprendido ao ver seus vídeos, entrevistas ( ela tinha 4 anos quando Elis morreu, em 1982): "Tenho algumas lembranças - poucas - dela. Tenho a benção de ter uma mãe que tem entrevistas e discos. A gente sabe que ela só cantava o que ela acreditava, o que ela sentia. Para mim é bacana ouvir. Às vezes ouço como um diálogo. Ela está se expondo ali. É o meu contato com ela." - "Todos nós passamos por momentos em que somos comparados aos nossos pais... Isso acontece comigo desde muita pequena, quando atendia o telefone... Lembro quando tinha 12 anos de idade e meu pai dizia: 'Caramba, você está a cara da sua mãe'." Mas Maria Rita deixa claro que não veio para substituir Elis: "São comentários desnecessários. O posto dela não está vago. Ela trabalhou muito a vida inteira e lutou muito em condições em que o país tinha ditadura militar. Ela conquistou e aquilo é dela. Ninguém vai tirar. O máximo que eu tenho dela é o exemplo como mãe. Ela é o máximo para mim."
A mim resta esperar que o CD chegue por aqui. Enquanto isso continuo ouvindo-a via internet e concluo: nasceu uma grande cantora brasileira.

postado por: elaineborges 2:05 PM


Segunda-feira, Setembro 08, 2003


OS GATOS

Danuza Leão é a mais nova integrante da confraria: os que optaram ter um gato em sua casa. Sou uma delas. Minha experiência com a Baby tem apenas quatro meses, mas as descobertas com esse bichano tão inigmático são fantásticas. Vou até comprar um livro ( já me emprestaram um) para entender melhor o mundo desses bichanos encantadores.

(Baby com 4 meses)

De uns 30 dias para cá, entrei num novo universo: o dos adoradores de gatos.
Foi assim: resolvi ter um e procurei saber com um amigo quando haveria uma feira para comprar um lindo filhote etc. e tal. Ele foi logo me dizendo que nada disso, que o melhor gato é o vira-lata, e me deu o telefone de outro amigo, que me deu o telefone de outro amigo, e assim sucessivamente; aí conheci (só por telefone) um grupo de pessoas simpáticas e prestativas, sempre prontas a ajudar com um conselho, uma informação, uma explicação psicológica sobre o comportamento dos gatos, e com as quais me comunico com frequência.
Aprendi que gatos não se compram, se adotam, e são os membros dessa confraria informal que fazem a intermediação entre quem está querendo um e quem está com uma ninhada em casa. E tem mais: como existem lugares na cidade onde os sem nenhum coração abandonam os filhotes, eles costumam ir a esses lugares para recolhê-los e encaminhar para a adoção. A pessoa que me confiou o meu tem 36 em seu apartamento.
Antes de Haroldo -é o nome dele- chegar, fui a uma loja especializada comprar um pequeno enxoval, digamos assim, para recebê-lo. Cheguei em casa com um tipo de banheirinho, areia, caminha, ração para filhote, patê em lata, vasilhas para comida e bebida e brinquedinhos. Embatuquei quando o vendedor me perguntou de que sabor queria a ração: de peru, de galinha, de peixe? Nacional ou importada? E como escolher, sem conhecer seu paladar?
Quando Haroldo chegou, minha vida mudou. Ele não me larga um só minuto, e tirando a hora em que se instala no teclado do computador ou se coloca exatamente entre meus olhos e o jornal ou a televisão, é uma delícia que nem dá para contar. Tão grande que nos primeiros dias eu não conseguia sair de casa para não deixá-lo sozinho. Resultado: agora tenho também uma gatinha (ainda sem nome) no pedaço, para que ele não se sinta muito só na minha ausência. E o pior: estou ficando gagá, e quando saio fico querendo voltar logo para casa, tantas as saudades.
Eles retribuem e me amam de paixão, uma paixão total e incondicional. Os dois são pequenos, me seguem pela casa onde eu for, se enrolam no meu pescoço para dormir -ainda bem que não estamos no verão-, e quando o veterinário disse que seria aconselhável a castração e a esterilização, quase chorei, e telefonei para meus novos amigos para ter uma orientação sobre o assunto.
Sabe o que me disseram, to-dos? Que é preciso castrar e esterilizar, sim. Mas por que, perguntei, vocês que gostam tanto de gatos, não têm pena?
Exatamente por isso, foi a resposta. Se não for feito um tipo de planejamento familiar, os gatinhos que nascerem serão abandonados nos parques da cidade e vão morrer de frio e de fome. É por amor, por muito amor -e consciência- que é preferível que nasçam menos gatos, já que não existem lares suficientes para adotá-los.
Foi impossível não fazer um paralelo com a infinidade de crianças abandonadas nos sinais de trânsito e nas Febens da vida, sem ter quem cuide delas e a cada ano nascendo mais e mais, algumas de mães de 13, 15 anos, sobretudo no Nordeste, terra do presidente Lula, que conhece o problema melhor do que qualquer um de nós.
Conhece, mas não fala no assunto; nem ele nem uma só pessoa do governo. Por que será?


Crônica de Danuza Leão publicada na edição de ontem na Folha.

postado por: elaineborges 1:35 PM


Sexta-feira, Setembro 05, 2003

MINHA CIDADE


Foto:Tarcísio Mattos

Essa foto faz parte de um grupo de três que eu chamo de "Minha Cidade". Ela está triste, olhando para o chão, amontoada. Até bem há poucos dias, não era possível imaginar que Florianópolis protagonizaria uma cena como esta. Parece a travessia de pedestres de uma grande e infeliz cidade. Relutando para admitir, é nisso que Florianópolis está se transformando. As cidades crescem naturalmente. Florianópolis, que ainda é pequena, mostra crescimento por imposição. A foto foi feita uma ou duas semanas após a inauguração do terminal do centro, local para onde a população foi dirigida como uma manada triste para o abatedouro.

Tarcísio Mattos ( depoimento acima) faz parte do grupo 7 nós, que abriu nesta quinta feira no Museu da Imagem e do Som, no Centro Integrado de Cultura, a exposição Sete Sentenças, numa analogia ao ditado popular "em cada cabeça, uma sentença". Lá estão reunidos fotos de Danísio Silva, Debbie Campos, Eduardo Marques, Milton Osteto, Mário Bianchinni, Sérgio Vignes e Tarcísio Mattos. Cada um ganhou um espaço determinado de 5 metros quadrados para mostrar as fotografias que lhe vieram à cabeça.
Imperdível.

postado por: elaineborges 11:09 AM



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