Balaio de Siri

Textos variados,comentários, dicas,elocubrações, informações, enfim, de tudo um pouco. Balaio de Siri é em homenagem a um antiga moradora de Florianópolis. Ao puxar um siri, vem sempre um monte de dentro do balaio - o mesmo quanto aos textos:um assunto puxa o outro e assim vai...



Sexta-feira, Dezembro 26, 2003


A OBRIGAÇÃO DE SER FELIZ

Nominimo publica entrevista de Carla Rodrigues com o psicanalista e professor do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva do Instituto de Medicina Social da Uerj, Benilton Bezerra Jr. sobre depressão e afins. Veja sua resposta à pergunta:

- O período de festas, que gera uma expectativa de felicidade, é mais propício a depressão?

- Essa talvez seja a época do ano na qual mais se espera que todo mundo esteja feliz. É um período de avaliação, de projeção de novas conquistas para o futuro, e todo esse clima contrasta com a realidade da vida atual, em que as pessoas têm que lidar com o desemprego, com a falta de perspectiva, com a falta de possibilidades de cuidar do seu próprio futuro. Há, também, a questão da temporalidade. O sujeito atual aprendeu a retirar do passado todo o peso normativo que o passado já teve. Ninguém acha que deve quase mais nada ao passado. Somos tão livres que o passado deixou de ser um lugar de inspiração sobre como viver a vida. Com essa renegação do passado, com a colocação de todas as expectativas no futuro, deixamos de viver o momento presente. O presente virou uma espécie de obsolescência atualizada a cada minuto. Claro que tem a ver com as modificações econômicas, porque vivemos hoje na economia da obsolescência programada. Consumimos tudo, até as religiões. O melhor exemplo disso é o budismo, que se tornou um objeto de consumo. Celebridades fazem meditação e estudam Nietzsche. As seitas evangélicas fazem da ampliação da capacidade de consumo um alvo da fé religiosa. Cada vez mais o indivíduo é obrigado a apresentar uma imagem, a se apresentar também como objeto de consumo ao olhar dos outros.

postado por: elaineborges 11:56 AM



QUE LIVROS VOCE LEVARIA PARA UMA ILHA DESERTA?

Essa pergunta foi feita a sete escritores, jornalistas, psicanalistas e publicadas pela
PubliFolhas - Ilha deserta/Livros. Carlos Heitor Cony, por exemplo, levaria Madame Bovary, de Flaubert ou Os Irmãos Karamazov, de Dostoievski. Moacyr Scliar escolheu, entre outros (cada um poderia escolher dez livros) Robinson Crusoé, de Daniel Defoe.
Eu me perguntei: quais livros eu escolheria?
Na minha lista com certeza estariam Cândido, de Voltaire; O Quarteto de Alexandria, de Lawrence Durrel; Lavoura Arcaica, de Raduan Nassar; Grande Sertão, Veredas, de Guimarães Rosa; e A Dama do Cachorrinho, Tchekhov.
Mas há sempre dúvidas sobre qual livro escolher. Por exemplo: a Bíblia é uma ótima leitura, independente de qualquer conexão religiosa. A Montanha Mágica, de Thomas Mann, é ótimo. Há ainda Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, Machado de Assis... A escolha não é fácil. Mas se for para escolher mesmo, fico com os citados acima.
Quem me lê, sugiro fazer sua lista. Aliás, lista dos dez mais é sempre bom fazer. Quais os dez melhores filmes do ano, por exemplo? Ou as músicas que marcaram sua vida? E que livro transformou você, influindo na sua vida? E aquele momento especial ao ver um filme, no escurinho do cinema, e descobrir, ainda criança, a mágica do cinema?

postado por: elaineborges 11:48 AM


Quarta-feira, Dezembro 24, 2003


SONETO DE NATAL

Machado de Assis

Um homem era aquela noite amiga,
Noite cristã, berço do Nazareno
Ao relembrar os dias de pequeno
E a vida dança, e a lépida cantiga,

Quis transportar ao verso doce e ameno
As sensações de sua idade antiga.
Naquela mesma velha noite amiga.
Noite cristã, berço do Nazareno.

Escolheu o soneto... a folha branca
Pede-lhe a inspiração, mas, frouxa e manca,
A pena não acode ao gesto seu.

E, em vão lutando contra o metro adverso,
Só lhe saiu este pequeno verso:
Mudaria o Natal ou mudei eu?

postado por: elaineborges 10:35 AM


Feliz Natal !



Beira Mar iluminada. (foto: Tarcísio Mattos).

postado por: elaineborges 9:59 AM


NATAL, NATAL...

Jabor escreveu o que penso. É verdade que na infância a gente é muito feliz no Natal. É diferente. Há toda uma expectativa, uma espera angustiante pelo dia seguinte. Saber o que tinha na meia do Papai Noel, debaixo da árvore...Havia a famosa torta de ervilhas feita por minha mãe ( hoje minha irmã tenta fazer igual, mas não consegue). Natal virou puro comércio? Em termos. Até que há no ar uma certa confraternização. Patrões arrependidos tentando ser Papai Noel para seus empregados, madames distribuindo cestas num ato de arrepedimento e para aplacar a consciência, a culpa... Crianças dando presentes aos amiguinhos pobres, tirando do armário brinquedos quebrados... Há no ar uma mistura de fraternidade, vingimento, falsidade, mas há também troca, abraços, carinhos... Enfim, Natal é amor, mas é também o momento de falsidade...E assim vamos vivendo. O bom é que continuamos vivas.

postado por: elaineborges 9:52 AM



NUNCA ACREDITEI EM PAPAI NOEL

...Mas, a verdade é que eu nunca fui feliz no Natal. Lembro-me de que, nas ceias, ficavam visíveis as frágeis ligações familiares, pálidas amizades entre primos e tios, um certo tédio constrangido depois dos presentes abertos, dissensões e antipatias adivinhadas em abraços frios. Eu olhava aquela família "viajando através do tempo", como um cortejo trôpego para um futuro baldio, eu via a solidão do primo insignificante, do tio fracassado, da tia maluca e muito pintada, dos avós já tristes e ausentes, eu via que, a cada ano, as festas ficavam mais ralas, o eterno presunto caramelado e o peru com apito ficavam mais sozinhos na mesa, os presentes mais baratos e nossa fragilidade mais clara. O destino das famílias é evidente no Natal. Os pobres ficam mais tristes com a dor do pouco que podem dar aos filhinhos e os ricos mais obstinados em provar a si mesmos que serão felizes a qualquer preço. A obrigação da felicidade me enlouquecia. Parentes que eu nunca via me abraçavam com uma forçada ternura, molhada por vinho e uísque misturados, terminando tudo naquela tristíssima saída na madrugada, com crianças chorando ou dormindo no colo, presentes carregados para os carros, berros de "feliz Natal" nas calçadas. Por isso, só me resta o lugar-comum do início:

"Natal, Natal - bimbalham os sinos!"...

Arnaldo Jabor - Caderno 2 - Estadão ( 23/12)

postado por: elaineborges 9:43 AM


Sexta-feira, Dezembro 12, 2003

BEIRA MAR


Florianópolis hoje (foto:Tarcísio Mattos)

postado por: elaineborges 11:33 PM


O QUE AINDA RESTA


Ribeirão da Ilha (foto:Tarcísio Mattos)

postado por: elaineborges 11:31 PM



SAUDADES DO QUE NÃO VIVI


Florianópolis antiga

postado por: elaineborges 11:27 PM


FUNERAL BLUES

W. H. Auden ( tradução: Nelson Archer)

Que parem os relógios, cale o telefone.
Jogue-se ao cão um o osso e que não ladre mais,
que emudeça o piano e que o tambor sancione
a vinda do caixão com seu cortejo atrás.

Que os aviões, gemendo acima e em alvoroço,
escrevam contra o céu o anúncio: ele morreu.
Que as pombas guardem luto - um laço no pescoço -
e os guardas usem finas luvas cor-de-breu.

Era meu Norte, Sul, meu Leste, Oeste, enquanto
viveu, meus dias úteis, meu fim-de-semana,
meu meio-dia, meia-noite, fala e canto;
quem julgue o amor eterno, como eu fiz, se engana.

É hora de apagar estrelas - são molestas,
guardar a lua, desmontar o sol brilhante,
de despejar o mar, jogar fora as florestas,
pois nada mais há de dar certo doravante.

Quem viu Quatro Casamentos e Um Funeral lembra muito bem de uma das mais belas poesias que conheço. Vale o registro.

postado por: elaineborges 11:18 PM



O NORTE EM FOCO

A Editora Terceiro Nome continua mostrando a que veio. Com fotos belíssimas ( veja abaixo) lança o volume em que apresenta a região Norte com sua imensa variedade de cores. O texto é de Marta Góes e a apresentação de Nirlando Beirão / Edição bilíngüe (português e inglês) Projeto Gráfico: Iris Di Ciommo / Patrocínio: KPMG, Apoio: Prefeitura do Munícípio de São Paulo.

Regida pela integração entre homem e natureza, a região Norte, tema deste volume da série que a Terceiro Nome prepara sobre as regiões brasileiras, é dominada pela floresta amazônica, que determina o ritmo e a vida de sua população, as atividades econômicas, as manifestações culturais e a culinária. É nessa região que se encontra o maior número de áreas preservadas do país, protegendo sua população indígena e seus imensos e inesgotáveis recursos naturais. Nela também se pode encontrar a mais rica e abundante fauna e flora do planeta, num cenário em que predomina a diversidade. O primeiro capítulo aborda a história de ocupação da região e as tentativas de dominação e exploração econômica por conquistadores estrangeiros, desde o aventureiro espanhol Francisco de Orellana ou o capitão Fawcett com seus sonhos de encontrar o eldorado, passando pela construção desastrada da Madeira-Mamoré, a ferrovia do diabo, até os empreendimentos fracassados de Henry Ford e o império da celulose de Daniel Ludwig.O período áureo da exploração da borracha se reflete na arquitetura das cidades, como Manaus e seu suntuoso Teatro Amazonas, e fez da região uma fonte de esperanças de melhoria de vida da população pobre de outras regiões do país, que viu no extrativismo a possibilidade de concretizar seu sonho de riqueza, como nos tempos da mineração em Serra Pelada.

postado por: elaineborges 10:30 PM


postado por: elaineborges 10:24 PM



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