Balaio de Siri

Textos variados,comentários, dicas,elocubrações, informações, enfim, de tudo um pouco. Balaio de Siri é em homenagem a um antiga moradora de Florianópolis. Ao puxar um siri, vem sempre um monte de dentro do balaio - o mesmo quanto aos textos:um assunto puxa o outro e assim vai...



Quinta-feira, Abril 29, 2004

O QUE FAZER?

O que fazer quando uma comunidade reclama, pede ajuda ao ministério público, vai até os legisladores municipais, fala com responsáveis por diversos órgãos de defesa do bem público e percebe que há, no ar, a certeza da impunidade e que suas reclamações resultarão em nada?
O que fazer quando responsáveis pela preservação da flora e da fauna nada fazem ou até mesmo autorizam a derrubada de árvores centenárias para dar lugar a obras totalmente irregulares?
O que fazer quando proprietários de imóveis constroem em áreas proibidas na certeza de que não serão penalizados?
Talvez aquela mulher, moradora no Bairro do Rio Tavares, tenha razão ao desabafar, indignada: "Sinto-me uma palhaça"!
Lá, sentada no nobre salão de reuniões dos legisladores de Florianópolis, percebeu que o protesto dela, e de toda uma comunidade, cairia no vazio. A "muralha" que foi construída às margens da SC-406, colocando em risco a vida de toda a comunidade, provavelmente não será demolida.
Assim como esta, tantas outras obras estão sendo construídas em áreas de preservação permanente, árvores estão sendo derrubadas, rios estão sendo aterrados, dunas destruídas, mangues ocupados, morros desmatados...
O que fazer?

postado por: elaineborges 2:59 PM


Domingo, Abril 25, 2004


Ponta das Canas - foto:Elaine Borges

Mudou muito a Ilha, desde que optei por morar aqui. Cenas como esta, acima, em Ponta das Canas ( região norte), de um barco ali, silencioso, à beira do mar, em pleno dia, hoje é difícil de ver. Os pescadores estão se afastando, sumindo, vendendos seus imóveis aos turistas que cá também querem morar. Na Barra da Lagoa os nativos sobrevivem alugando suas pequenas casas na temporada de verão. Pescar, com o peixe sumindo, tá difícil. Aproxima-se a temporada da pesca da tainha. Se o frio não vier, os cardumes também vão sumir.
Florianópolis cresce, mas a que preço.

postado por: elaineborges 8:23 PM


FINALMENTE, O FRIO

Faz frio em nossa Ilha. Temperatura gostosa - cerca de 15 graus, agora. Os dias têm estado belíssimos. Hoje , cá da janela do meu apartamento, a ponte Hercílio Luz, bem aqui pertinho, se impunha, tendo em baixo um mar brilhante...Olhei e vi um pequeno barco, deslizando, suave, embaixo. São imagens assim que compensam morar em Florianópolis. E especialmente no outono, quando uma luz suave se espalha pela cidade, enfeita os prédios, destaca mais os contornos dos morros, lá adiante. Se os dias são assim, bonitos, brilhantes, à noite , o céu se mostra mais claro, há também outro tipo de luminosidade. Lá, ao longe, vejo, através da janela da minha cozinha, as duas pequenas ilhas - Ratones Grande e Pequena - enfeitando ainda mais a Ilha onde moro.

postado por: elaineborges 8:18 PM


Sexta-feira, Abril 23, 2004

OS GATOS E SEUS MISTÉRIOS

Estranhos são os gatos. A minha Baby, por exemplo, queria porque queria ficar perto de mim enquanto estou aqui, no computador, escrevendo. Mas insistia em subir na impressora e em se emaranhar nos inúmeros fios... Impossível trabalhar com ela ali, tentando pular no meu colo, se enroscando nas minhas pernas, chamando minha atenção. Decidi então colocar uma tábua para proteger a impressora. Surpresa: desde então, embora a porta do escritório permaneça aberta, ela prefere se recolher e dormir no meu quarto. Às vezes ela dá uma voltinha por aqui, me olha, pula na tampa do meu toca-discos, vai até a janela e logo se retira. Recolhe-se, levando com ela aquele silêncio carregado de mistérios.

postado por: elaineborges 11:42 AM


Domingo, Abril 18, 2004

RESPEITO AOS MORTOS

"Quando descemos o morro com um corpo carregado no carrinho de mão estamos estimulando o abuso de drogas. Estamos mostrando que mandamos para os ares um fundamento da civilização brasileira, o respeito aos mortos'.
De Fernando Gabeira sobre a triste imagem - mostrada nos jornais e emissoras de televisão - de um soldado da PM carregando num carrinho de mão o corpo de um morto - vítima inocente dos tiroteios diários que estão ocorrendo na Rocinha, no Rio.

Charge do Caruso - revista Istoe.

postado por: elaineborges 10:29 PM


Sexta-feira, Abril 16, 2004


É sempre bom ver belas imagens.

Beira Mar Norte - Florianópolis
Foto:Tarcísio Mattos

postado por: elaineborges 12:33 PM



MISERÁVEIS

Triste estatística: trinta e três por cento dos brasileiros ganham r$79,00 por mês.

postado por: elaineborges 12:29 PM


Clóvis Rossi escreveu:(Folha)

A CREDIBILIDADE NO RALO

BRUXELAS - Não fosse o custo dessa história para brasileiros inocentes, daria vontade de dizer "bem feito" como reação ao fato de o grupo financeiro JP Morgan ter anunciado que estava rebaixando a cotação dos títulos brasileiros.
Com isso vem abaixo toda a argumentação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de seu ministro da Fazenda, Antonio Palocci. Ambos disseram, uma e outra vez, que a mofina política econômica que adotaram devolvera "credibilidade" ao Brasil e levara à redução de indicadores como o risco-país e à queda na cotação do dólar.
Tolice. Não houve recuperação de credibilidade. Houve apenas submissão à vontade dos "mercados", que, agora, por meio de uma de suas mais potentes grifes, dá uma solene banana para Lula, Palocci e cia. e faz subir o risco-país e o dólar e cair a Bolsa de Valores.
É fundamental notar que tal movimento se deu sem que tivesse havido nenhuma modificação de fundo na política econômica.
É, acima de tudo, uma manobra preventiva: como os Estados Unidos parecem condenados a aumentar seus juros para segurar uma incipiente inflação, o Brasil, de credibilidade supostamente recuperada, volta a ficar menos atraente do que os próprios EUA.
Se a jogada se faz antes de subirem os juros norte-americanos, não é difícil antever o que acontecerá quando eles de fato aumentarem.
Não foi por falta de aviso. Muita gente que o PT respeitava, antes de se tornar governo e de mudar diametralmente de posição, dizia que se tornar refém dos mercados era acorrentar-se a ele perpetuamente.
Na hora em que o governo quisesse adotar qualquer outra política, seria imediatamente punido pelos agentes financeiros.
Para estes, credibilidade nunca é para sempre. É preciso entregar às piranhas a cota diária de sangue.

postado por: elaineborges 12:27 PM


Sexta-feira, Abril 02, 2004

ENVELHECER

Envelhecer pode ser qualidade. Gosto da cara que tenho agora. Tenho um orgulho de sobrevivente.
Paulo José - 67 anos - cujo 24o filme - Benjamim - baseado no livro homônimo de Chico Burque, estréia hoje em S. Paulo.
E nós, cá de Florianópolis, quando veremos?

postado por: elaineborges 4:43 PM



"ILHAS" DE RIQUEZA

Deu nos jornais: Proporção de famílias ricas subiu de 1,8% para 2,4% em 20 anos; fatia delas na renda cresceu 65%. (Folha)
São dados do "Atlas da Exclusão Social - Os Ricos no Brasil", da Cortez Editora, feito com base em informações dos Censos de 1980 e 2000 e da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio).
Os ricos vivem principalmente em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Brasília e em Belo Horizonte - juntas, essas quatro cidades concentram 50% das famílias ricas brasileiras.
"Esses dados nos mostram que há uma polarização da sociedade", afirmou Marcio Pochmann, secretário do Trabalho da Prefeitura de São Paulo e coordenador do trabalho. "Há um esvaziamento da classe média, com aumento do número de ricos, no topo da pirâmide, e de um número maior de pobres, o que amplia a base dessa pirâmide".
A renda da classe média, segundo outro estudo da sua secretaria, caiu 17% entre 1992 e 2001. Nesse mesmo período, o número de pessoas que vivem em famílias pobres cresceu 18%.

E há ainda gente que não admite a ligação entre o aumento da criminalidade, roubo, extorsão, violência com o aumento do percentual de pobreza.

postado por: elaineborges 3:40 PM


Quinta-feira, Abril 01, 2004

A FÚRIA DOS VENTOS

O ciclone Catarina que atingiu o litoral sul de Santa Catarina no último final de semana, com ventos de 150 km por hora, deixou um rastro de dor, medo, pânico e enormes prejuízos. A recuperação da região vai durar meses. Os que viveram esses momentos de pavor, fazem relatos emocionantes, como do pescador Amilton Antonio da Rosa, 36 anos, resgatado na última segunda-feira, após ficar mais de 48 horas em alto mar, apenas com um colete salva-vidas.(Jornal A Notícia):

Cheguei a pensar em desistir e morrer. Só via mar e céu. As ondas tinham mais de dez metros de altura e muito vento.

Eu pedi uma luz para me salvar e de repente apareceu uma bóia e fiquei grudado nela.

O momento de maior desespero foi quando a aeronave passou duas vezes e não me viu. Então comecei a nadar mais perto da terra para que eles me vissem.


Barnadete Felício que ficou mais de 48 horas na Rádio Costeira de Navegantes passando informações à frota pesqueira que estava em alto mar durante o ciclone Catarina também conta o que ouviu de um mestre de barco que estava em alto mar:
Ele contou que no final da tarde viu uma massa de nuvem negra se formando em círculo e ela começou a girar cada vez mais forte. Quando ele viu, a casaria estava cheia de água e o barco rodava sobre o mar. De repente, o vento começou a acalmar e ele sentiu o barco bater na água.
Foi uma loucura. Todos entravam na rádio ao mesmo tempo pedindo informações ... Alguns choravam, outros contavam o que estava acontecendo
.

postado por: elaineborges 12:34 PM




Valdir Andrade - pescador solitário que há anos pesca próximo à ponte Hercílio Luz.
Foto de Suzete Sandin - do livro Hercílio Luz - Uma Ponte - projeto editorial de Tarcísio Mattos

postado por: elaineborges 11:35 AM



APROVEITE A VIDA

Henfil

Por muito tempo eu pensei que a minha vida fosse se tornar uma vida de verdade.
Mas sempre havia um obstáculo no caminho, algo a ser ultrapassado antes de começar a viver, um trabalho não terminado, uma conta a ser paga. Aí sim, a vida de verdade começaria. Por fim, cheguei a conclusão de que esses obstáculos eram a minha vida de verdade.
Essa perspectiva tem me ajudado a ver que não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho! Assim, aproveite todos os momentos que você tem. E aproveite-os mais se você tem alguém especial para compartilhar, especial o suficiente para passar seu tempo; e lembre-se que o tempo não espera ninguém.
Portanto, pare de esperar até que você termine a faculdade; até que você volte para a faculdade; até que você perca 5 quilos; até que você ganhe 5 quilos; até que você tenha tido filhos; até que seus filhos tenham saído de casa; até que você se case; até que você se divorcie; até sexta à noite; até segunda de manhã; até que você tenha comprado um carro ou uma casa nova ; até que seu carro ou sua casa tenham sido pagos; até o próximo verão, outono, inverno; até que você esteja aposentado; até que a sua música toque; até que você tenha terminado seu drink ; até que você esteja sóbrio de novo; até que você morra...
E decida que não há hora melhor para ser feliz do que AGORA MESMO...
Lembre-se Felicidade é viagem, não o destino.


Recebi, via e-mail, da amiga Marise Fetter, de Brasília, e passo adiante.

postado por: elaineborges 11:14 AM


A MELHOR CONVERSA

Para falar a verdade, depois de um tempo comecei a achar que, se tenho algum talento, ele nasce do fato de eu não me chatear com facilidade. Posso ficar ouvindo qualquer pessoa indefinidamente. (...). Acredito que, do ponto de vista da conversa, as pessoas mais interessantes são homens reunidos num bar, jogando conversa fora para combater a solidão. Também mulheres no sol em torno de seus bebês, falando sobre como foi a semana ou sobre o aumento do preço da carne. A melhor conversa é sem arte, sem cálculo.

Joseph Mitchell - do livro O Segredo de Joe Gould - Companhia das Letras - ( leitura obrigatória para qualquer jornalista).

postado por: elaineborges 11:08 AM



PEQUENO NAPOLEÃO

Houve traição não contra os donos do PT, mas contra as bases que os sustentaram, vendidas no leilão da República, e também contra os dissidentes, reprimidos e expulsos. No centro desse cenário de lisonja, grosseira arrogância, corrupção burocrática, sectarismo, delírios de idéias fixas e metáforas simplórias, brilha, com picardia, o nosso pequeno Napoleão.

Final de uma lúcida análise de Maria Sylvia Carvalho Franco - professora titular do Departamento de Filosofia da Unicamp e do Departamento de Filosofia da USP ¿ sobre o governo Lula e seus desacertos publicado na Folha de São Paulo.

postado por: elaineborges 11:06 AM



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