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Balaio de Siri
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Textos variados,comentários, dicas,elocubrações, informações, enfim, de tudo um pouco. Balaio de Siri é em homenagem a um antiga moradora de Florianópolis. Ao puxar um siri, vem sempre um monte de dentro do balaio - o mesmo quanto aos textos:um assunto puxa o outro e assim vai... Sábado, Maio 29, 2004 OUTONO GELADO Faz muito frio cá no sul. Mas na nossa Ilha o outono está uma maravilha. Atípico, é verdade, porque outono não é uma estação tão gelada assim. Mas nada a reclamar. O céu azul, misturado com o brilho do mar... Barquinhos enfeitando aquele brilho estelar... Tudo como eu gosto. A Ilha é assim mesmo, um paraíso.
postado por: elaineborges 12:17 PM UM DIA DEPOIS DE AMANHÃ Tornados, tempestades de neve, furacão, chuvas torrenciais, tudo isso acontece no O Dia Depois de Amanhã, do diretor Roland Emmerich, um alemão que - aos que parece - gosta muito dos americanos. Foi ele também que dirigiu Independence Day (aquele em que o presidente dos EUA salva o mundo ! ). Há quem diga que com esse filme Emmerich quis limpar sua barra porque o ator que representa o presidente norte-americano é muito parecido com Al Gore - derrotado por Bush nas eleições fraudadas. Para os críticos, esta é a mensagem:"o verdadeiro presidente é Gore". Pura bobagem. O filme é ruim mesmo. Os fenômenos que causam tanta tragédia são decorrentes das rápidas mudanças climáticas - o mundo está entrando na Era Glacial. É pra ver sem nenhuma expectativa. A única coisa que se deve levar a sério é que o clima está mesmo mudando devido aos desmatamentos, buraco de ozônio, etc.
postado por: elaineborges 12:11 PM Quinta-feira, Maio 27, 2004 Santa Catarina - 34% da mata original ainda preservada.
Foto: Tarcísio Mattos BOA E MÁ NOTÍCIA Florianópolis é a capital brasileira que mais preserva a Mata Atlântica. A notícia é boa e foi divulgada pela ONG SOS Mata Atlântica e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Os dados que constam no Índice de Preservação da Mata Atlântica indicam que em Florianópolis 42% da mata original estão preservadas. Todo o Estado ainda preserva 34% da mata original. Ou seja, mantêm-se assim desde a descoberta do Brasil, em 1500. Mas toda a boa notícia tem o outro lado. E a má notícia é dada pelo diretor de assuntos institucionais da ONG Mata Atlântica, Mario Montovani, que é catarinense, sobre a especulação imobiliária que vem ocorrendo em Florianópolis, ameaçando a preservação da mata. Na matéria de Jéferson Ribeiro, divulgada hoje no A Notícia ele diz :"Os riscos são sempre grandes quando o turismo, que é a maior indústria do mundo e que em nosso Estado ganha cada vez mais peso, compromete a produção da água e a fertilidade do solo e ainda os últimos remanescentes da mais antiga das florestas, a araucária, que está em extinção e não teremos sequer um banco genético para podermos plantar nova floresta". Montovani acusa ainda os grandes grupos empresariais pela degradação das matas e que agora querem "desmontar" a FATMA, um dos principais órgãos de Santa Catarina responsável pela proteção ao meio ambiente.
postado por: elaineborges 3:12 PM Quarta-feira, Maio 26, 2004 MEU NOME NÃO É JOHNNY Loucuras, muita cocaina, viagens alucinógenas, festas e mais festas. Era esse o mundo de João Guilherme Estrella , jovem da classe média alta do Rio de Janeiro contado pelo jornalista Guilherme Fiuza no livro Meu nome não é Johnny (Ed. Record). Se no Abusado, do Caco Barcelos, o mundo era o do morro D. Marta, nesse é das "celebridades" de um Rio alucinado, de gente que badala por Leblon, Ipanema, Gávea... Artistas, jornalistas, médicos e até mesmo senhoras de fino trato que circulavam incólumes entre os cheiradores do fino pó distribuido com pontualidade por João Guilherme, um traficante que, antes de tudo, queria mesmo era curtir a vida, festar, sempre. O livro prende: tem suspense, humor, irreverência... E, o que é importante, embora seja um quase romance, é tudo verdade.
postado por: elaineborges 9:44 PM INTERVALO Passei três dias sem contato com o mundo virtual. Meu computador novamente pifou. Mas estou voltando. Segundo o Fajardo - um dos tantos técnicos que aparecem por aqui ( este indicado pelo Tarcísio Mattos) desta vez o problema era na placa-mãe. Só sei que lá se foram meus trocados, mas parece que a maquineta está mesmo funcionando.
postado por: elaineborges 9:26 PM Domingo, Maio 23, 2004 MOORE X BUSH Premiar Michael Moore com a Palma de Ouro foi, antes de tudo, uma decisão política. É mais munição para àqueles que querem tirar Bush do poder - e com toda razão. Basta olhar as terríveis fotos da prisão no Iraque para saber quem governa um país que teima em estender suas garras pelo mundo sob a desculpa esfarrapada de ampliar a democracia. Que democracia é esta que mata, tortura, humilha uma população esfarrapada? Que bombardeia famílias que festejavam um casamento? Leio na Internet que a imprensa norte americana não deu destaque à premiação de Moore em Cannes com seu documentário Farenheit 9/11. Pudera. O filme faz duras críticas a George Bush e assessores, mostra torturas aos iraquianos antes de tão monstruoso escândalo vir à público através da imprensa mundial e ainda acusa o governo dos Estados Unidos de iniciar a guerra ( e hoje não sabe como terminá-la) por interesses econômicos. É provável que Moore tenha muitas dificuldades em mostrar seu documentário nos Estados Unidos. Polêmico ou não, o fato é que o cineasta botou o dedo na ferida. Quanto ao Diários de Motocicleta é o que já disse: um belo filme, onde o idealismo ( hoje tão esquecido) está lá, personificado por um jovem que iria entrar na história, figurando entre os que lutaram por tornar esse mundo melhor, mais justo e mais fraterno. Necessitamos ainda muito desses homens iluminados.
postado por: elaineborges 6:05 PM Sexta-feira, Maio 21, 2004 CANNES ELOGIA DIÁRIOS São eloquentes, entusiasmados e carinhosos os elogios ao filme de Walter Salles Diários de Motocicleta. Aplaudido por cerca de 15 minutos em Cannes surge como favorito à Palma de Ouro, segundo Rubem Ewald Filho. O veterano cineasta político italianos Gillo Pontecorvo ( que não pode ir a Cannes) disse:Diários de Motocicleta não cede jamais às fáceis seduções ideológicas, mas antes restitui um espírito pioneiro infelizmente perdido". "Esta viagem se tornará cult"- diz Tulio Kezick, do Corriere della Sera sobre o Diários.. Elogia os atores Gael García Bernal e Rodrigo de la Serna: "simpáticos e quase verdadeiros na palpitante encarnação de seus personagens". Lietta Tornabuoni, do "La Stampa": "o diretor e seus intérpretes são competentíssimos para recontar o frescor, o entusiasmo, a alegria e a seriedade daqueles dois rapazes dos anos 1950". Natalia Aspesi, do "La Repubblica": " o filme teve no festival a acolhida mais calorosa, entusiasta e comovida". Allan Hunter, da revista inglesa "Screen International": "numa competição com altos e baixos, o filme de Salles é um dos poucos que realmente se destacam". E continua: "Aqueles que procuravam por esperança não precisaram olhar mais longe do que Diários de Motocicleta, onde a injustiça social não conduz Che Guevara ao desespero, mas o leva a querer mudar o mundo. Num festival marcado por tempos obscuros, que mensagem mais inspiradora se poderia querer de um potencial vencedor da Palma de Ouro?" James Christopher, no diário inglês "The Times":"A mágica está no brilhantismo com que a história é enquadrada na paisagem. É tanto uma ode ao interior da América do Sul quanto uma viagem de autodescoberta". Walter Macnab, do diário "The Guardian" elogia Walter Salles por "felizmente evitar discursar sobre o garoto do pôster da revolução mundial em que o viajante interpretado por Bernal viria se tornar". Dominique Borde do "Le Figaro": "O filme de Walter Salles é uma curiosidade apaixonante. De um episódio pouco conhecido da juventude de Che faz uma tese e uma justificação, mas jamais de maneira maniqueísta ou didática". Jean Roy do "L'Humanité": "Walter Salles não quis edificar uma estátua ao Che e ao seu companheiro mas revelar a descoberta da vida feita por dois jovens inquietos". Há, no entanto, um filme francês bem cotado: "Comme Une Image", de Agnes Jaoui.
postado por: elaineborges 11:43 AM Terça-feira, Maio 18, 2004
Baixou bastante a temperatura cá no sul. Mas está bem gostoso. Na Ilha bate um ventinho gelado, mas sem exagero. É só vestir uma roupa mais quentinha e sentar ao longo da av.Beira-Mar ou apreciar a calmaria na Lagoa da Conceição. Ou passear no Ribeirão da Ilha. Opções não faltam nessa Florianópolis ainda maravilhosa.
postado por: elaineborges 1:40 PM TRÓIA São mais de duas horas que ficamos lá, no escurinho do cinema, vendo inúmeras batalhas entre gregos e troianos, num entrechoque de espadas, escudos, corpos, flechas, numa confusão sempre grandiosa, como bem sabe fazer o cinema americano. Mas cadê a vibração, o entusiasmo ao ver nas telas a história que aprendemos a conhecer ao longo da vida? Claro que estão lá a fraqueza do Aquiles (o tendão), o cavalo de Tróia (o presente de grego) ... Mas falta ao filme aquele encantamento, a poesia de tão bela história que acompanha a humanidade ao longo dos séculos. No entanto, fica evidente o jogo pelo poder, a cobiça, o ciúme, a disposição para a guerra para ampliar seus domínios. O filme enfoca tudo isso. Mas a gente sai do cinema apenas tecendo um breve comentário: "É cinema de entretenimento, só isso". Quem for esperando mais, vai se decepcionar.
postado por: elaineborges 1:36 PM Quinta-feira, Maio 13, 2004 DIARIOS DE MOTOCICLETA Fui ver ontem e gostei do Diários de Motocicleta. E também me emocionei. Saí do cinema pensando: "puxa vida, esse rapaz - (não era ainda o Che Guevara, transformado depois da morte em mito) - deu a vida a uma causa e deu no que deu": Cuba caindo aos pedaços, a esquerda em frangalhos, seus seguidores renegando toda aquela cartilha que pregava acima de tudo justiça social... Fora do escurinho do cinema a gente cai na real e fica triste. Eu fiquei.
postado por: elaineborges 8:24 PM Quarta-feira, Maio 12, 2004 TRUCULÊNCIA Está repercutindo muito mal a decisão do Governo Lula em expulsar o correspondente do NYT ."É uma ação extremamente violenta. Restringe o exercício da atividade profissional" disse o jornalista Maurício Azêdo, novo presidente da ABI (Associação Brasileira de Imprensa). "O caminho deveria ser o da contestação ou o de uma ação judicial. Mas cassar o visto é uma truculência." O colega aqui de Florianópolis, Francisco karam, da Comissão Nacional de Ética e de Liberdade de Expressão da Federação Nacional dos Jornalistas e professor da Universidade Federal de Santa Catarina, também condenou a atitude do governo:"Do ponto de vista da democracia, de um governo democrático que tem integrantes que foram vítimas de arbitrariedades durante a ditadura, essa ação abre uma prerrogativa para que haja punição por outras reportagens", declarou.
postado por: elaineborges 1:04 PM Terça-feira, Maio 11, 2004 LAMENTÁVEL A atitude do governo Lula em expulsar o jornalista norte-americano do The New York Times do país, mandando cassar o seu passaporte, é lamentável. Estamos regredindo. Como pode um governo, que se diz popular e democrático, usar de tais métodos numa clara demonstração de que não aceita críticas? A matéria do jornal pode ser caluniosa, mentirosa, enfim, anti-ética, mas daí a expulsar o jornalista vai uma grande distância. Foi um atentado à liberdade de imprensa. Atitudes como esta - assim como tantas outras - me fazem concordar cada vez mais com Gabeira: "Sonhei o sonho errado".
postado por: elaineborges 9:04 PM LOLA E PACO
Essa bela dupla aí são a Lola e o Paco, a grande alegria da Virgínia - no momento na fase de total paixão. São uma gracinha, não? A foto é da Mara Rúbia, dona do canil, juntamente com a Sara, onde moram a Rosa (mãe da dupla) e a Frida, collies lindíssimos.
postado por: elaineborges 1:57 PM CELEBRIDADE Carla Rodrigues no site nominimo comenta o livro "Carne nua" (Objetiva, 248 páginas, R$ 35), romance de estréia da paulista de Ribeirão Preto Ana Ferreira que conta a história de Marina que, como tantas que circulam por aí, têm como principal objetivo ficarem famosas: Mais do que admiradas, podem ser até consideras bem-sucedidas. Ninguém encarna melhor o ridículo da personagem do que a Darlene (Deborah Secco) criada por Gilberto Braga na novela "Celebridade". A manicure que desde o primeiro capítulo avisa ao público que é capaz de fazer qualquer coisa para ser capa de revista ou ficar famosa é como a Marina de "Carne crua": não tem nenhum tipo de escrúpulo ou princípio. É nesse ponto que as duas deixam de ser apenas histórias de ficção e se transformam em sintoma e problema. Até algum tempo atrás, críticas às mulheres que ganhavam a vida com a própria nudez passavam sempre e inevitavelmente por um discurso moralista. Hoje, a mesma crítica pode ser feita por outro caminho: a busca desenfreada pela fama é a versão feminina da velha "lei de Gérson", aquela de quem gosta de levar vantagem em tudo. A Marina de Ana Ferreira é, antes de mais nada, uma mulher sem perspectivas. Sua aversão pelos estudos, por exemplo, não é mera preguiça, mas denuncia a falta de crença no futuro a partir da educação e do trabalho árduo. Para as Marinas da vida real, o mercado de trabalho oferece desemprego ou salários baixos, informalidade e jornadas pesadas. Nada parecido com as mulheres de classe média que foram buscar uma carreira profissional. Trabalhar para realização de objetivos pessoais é bem diferente de ter um emprego ruim e nem conseguir pagar as contas no fim do mês. Comparada à vida real, a vida da manicure Darlene no Andaraí global é um mar de rosas: casa própria, perto do trabalho, horário flexível e patrão amigo. Num artigo sobre a personagem Nora, de "Casa de Bonecas", a psicanalista Maria Rita Khel usa o texto de Ibsen para demonstrar uma diferença entre ética masculina e feminina. "Enquanto Nora parece comprometida com o amor e a felicidade daqueles que ama, Helmer (o marido) tem como prioridade os compromissos com o 'contrato social'. Uma ética do espaço privado - tipicamente feminina - contraposta a uma ética do espaço público, masculina", diz Khel. A idéia aqui é mostrar que mulheres como a personagem de "Carne crua", embora se tornem pessoas públicas, não chegam a construir uma ética do espaço público. No mundo lá fora, as Marinas e Darlenes existem e querem se dar bem. Muitas vezes, ainda justificam a obstinação na aridez do seu mundo privado. São a cara mais frágil de uma sociedade individualista, na qual mulheres se tornam produtos e têm valor ao invés de valores. Mas só enquanto houver disponibilidade de mercado.
postado por: elaineborges 12:16 PM Sexta-feira, Maio 07, 2004 LAGOA DA CONCEIÇÃO
Foto - Tarcísio Mattos Amanhã é dia de abraçá-la. É o simbólico gesto daqueles que querem que tanta beleza continue - se não intacta - pelo menos que se evite sua total deterioração.
postado por: elaineborges 8:18 PM ALERTA Temos que levar em conta que se trata de uma Ilha e a capacidade de fornecer serviços de água e esgoto é cada vez mais limitado. O alerta é do diretor de Expansão da Companhia de Águas e Saneamento - CASAN - Valmir Piacentini, ao participar de uma reunião na Comissão de Meio Ambiente na câmara de vereadores de Florianópolis. A reunião era para discutir e buscar urgentes soluções para os problemas da Lagoa da Conceição - especialmente os de saneamento básico. A Lagoa tem 35 mil habitantes (triplicou nos últimos dez anos) mas dos quatro subsistemas de coleta e tratamento de esgoto apenas o do centrinho está em funcionamento. Mesmo assim, atende apenas 6 mil moradores.
postado por: elaineborges 8:16 PM JORNAL DO ABRAÇO Com 4.000 exemplares de tiragem está circulando na Lagoa da Conceição o Jornal do Abraço. O jornal marca um dos mais importantes eventos daquela comunidade que luta para evitar que um dos mais belos distritos de Florianópolis se deteriore cada vez mais. Trata-se do "abraço" que, há cinco anos, simbolicamente é dado à lagoa, sempre um dia antes do Dia das Mães. O Jornal do Abraço - editado e pesquisado por Jonathas de Mello e Jeffrey Hoff - lembra as promessas não cumpridas e denuncia: "O que vai garantir a possibilidade de se nadar e pescar na lagoa, daqui a dez anos, são os processos democráticos e participativos. Vamos falar a verdade: é quando a ganância e os interesses particulares dirigem o desenvolvimento do bairro que são sacrificados os interesses comunitários e ambientais".
postado por: elaineborges 7:59 PM Quarta-feira, Maio 05, 2004 SOMBRAS Tudo em mim vai se apagando Cede minha força de mulher de luta em dizer: estou exausta. A claridade se faz em névoa e bruma. O livro amado: o negro das letras se embaralha, entortam as linhas paralelas. Dançam as palavras, a distância se faz em quebra luz. Deixo de reconhecer rostos amigos, familiares. Um véu tênue vai se encorporando no campo da retina. Passam lentamente como ovelhas mansas os vultos conhecidos que já não reconheço. É a catarata amortalhando a visão que se faz sombra. Sinto que cede meu valor de mulher de luta, e eu me confesso estou cansada. Os versos acima são de Cora Coralina, a poeta goiana de fina sensibilidade que morreu já velhinha ( mais de oitenta anos) e deixou essas pérolas. Sombras é do livro Vintém de Cobre - Meias Confissões de Aninha.
postado por: elaineborges 10:57 PM FUGAZES ENCONTROS Seus pés flutuavam dentro dos tênis totalmente encharcados. O fino pano das calças não impedia que a água transpassasse, molhando suas pernas. Chapt...chapt...chapt...O som dos pés nas poças da água lhe causava certo prazer. Mas o frio que batia em seu rosto, junto com os pingos da chuva, incomodava um pouco. Carros deslizavam no asfalto molhado. Um táxi por favor, era tudo que ela queria... E lá veio ele, a sua salvação. Rapidamente, entrou no táxi. De repente, na porta ao seu lado, surge um homem, óculos com grossas lentes. Era um grande amigo que há muito tempo ela não via. Ele também queria fugir da chuva. Ambos pegaram o mesmo táxi e, no caminho, trocaram rápidas amabilidades. Havia um silêncio a ser quebrado. Impossível. O mundo de ambos estava irremediavelmente dividido. Nada havia a dizer. A não ser pequenas e fúteis gentilezas.
postado por: elaineborges 10:46 PM Segunda-feira, Maio 03, 2004 BARBÁRIE Uma criança de dois meses morreu no colo da sua mãe ao ser atingida pelas patas de um boi que fugia dos farristas. A tragédia aconteceu na noite de domingo, em Governador Celso Ramos, próximo a Florianópolis. O município é, aliás, o reduto onde mais se pratica essa cruel e horrenda brincadeira. A mais recente vítima é essa criança com apenas dois meses de vida. Nada justifica manter essa "tradição" que tortura e mata não só um indefeso animal, como também atinge famílias pela perda irreparável de uma vida. A pequena criança estava no colo da mãe no carro dirigido pelo pai. Na rodovia, próximo ao município de Celso Ramos, um boi fugia dos farristas, avançou pela estrada, foi atingido antes por outro automóvel e se lançou em direção ao carro da familia Souza. A família que vive essa tragédia mora em Celso Ramos, portanto, é conhecida dos farristas. A polícia não localizou os responsáveis por essa barbárie que se perpetua ao longo do litoral catarinense com a complacência das autoridades.
postado por: elaineborges 11:54 AM NÓS E OS GATOS Danuza Leão escreveu na sua coluna de domingo na Folha (leia abaixo) o que sinto também com a minha gatinha. Especialmente quando ela fica horas olhando através das redes que coloquei em todas as janelas do meu apartamento ( moro no décimo andar). E me acho a rainha das egoistas por ter um bichinho em casa que depende totalmente de mim, não sai nunca, não convive com seus iguais e me adora, acima de tudo. E me pergunto: nós, humanos, domesticamos os animais para que? Apenas para tê-los por companhia? E será que eles não seriam mais felizes junto com sua gangue de quatro patas? O mesmo penso em relação aos cachorros, tão fiéis, tão dóceis com seus donos, defensores deles até a morte... São animais dependentes total e absolutamente de nós. Confesso que às vezes me sinto mal vendo minha gata vivendo seu dia-a-dia trancada num apartamento. ...Outro dia aconteceu uma coisa que fez meu coração ficar pequenininho. Dinorah ficou de pé num banquinho perto da janela, botou as patinhas dianteiras no parapeito e ficou olhando o mundo lá fora; um mundo ao qual ela não tem acesso e provavelmente nunca terá. Olhou por longos minutos a paisagem, os carros que passavam, depois saiu, se ajeitou na poltrona e dormiu. Aí fiquei pensando em como deve ser triste ser gato. Nós podemos sair, passear, temos amigos, falamos no telefone, lemos, vamos ao cinema, pensamos, inventamos, amamos, odiamos, e os gatinhos nada. Eles têm o espaço da casa para andar, comem o que a gente dá, dependem inteiramente de nós, e a maior aventura da vida deles é olhar pela janela -e só.( trecho da crônica de Danuza Leão).
postado por: elaineborges 11:40 AM
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