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Balaio de Siri
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Textos variados,comentários, dicas,elocubrações, informações, enfim, de tudo um pouco. Balaio de Siri é em homenagem a um antiga moradora de Florianópolis. Ao puxar um siri, vem sempre um monte de dentro do balaio - o mesmo quanto aos textos:um assunto puxa o outro e assim vai... Quinta-feira, Junho 17, 2004 CAZUZA - O TEMPO NÃO PÁRA Vou repetir o que muita gente já disse: o que mais impressiona no filme é a excelente interpretação de Daniel Oliveira como Cazuza. O menino merece ganhar o prêmio de melhor ator, sem dúvida. Marieta Severo está excelente, como sempre (é a mãe do cantor, Lucinha Araújo). A fotografia - de Walter Carvalho ( co-diretor, com Sandra Werneck) - toda em cores saturadas e com intenso movimento de câmera, chega às vezes a cansar. O filme retrata bem uma época - a década de 80 - e a vida de um ídolo que optou por viver sempre no limite.
postado por: elaineborges 11:22 AM DELICADEZA ''Eu preciso de diminutivos, porque este é um sinal de delicadeza, uma qualidade que desapareceu da face da Terra, em proveito do que é duro, seco, gelado, cortante. Eu procuro uma abordagem doce, respeitosa. Braços oferecidos, mãos enlaçadas". E o que é a poesia? '' uma pétala de flor jogada no abismo, o máximo da delicadeza''. É Maria Bethânia, falando sobre seus últimos CDs - Maricotinha e Brasileirinho - em entrevista à repórter do Le Monde, Véronique Mortaigne. Com o título '' Maria Bethânia, le chant du syncrétisme'', a jornalista , num belíssimo texto, tece derramados elogios à cantora que está lançando Brasilerinho na França.
postado por: elaineborges 10:49 AM Terça-feira, Junho 15, 2004 FALA SÉRIO, LULA! Foi de doer as fotos publicadas nos jornais sobre a festa de São João comemorada por Lula, sua mulher e ministros na Granja do Torto. Sabe-se que qualquer estadista, presidente, governador e até mesmo prefeito de uma cidadezinha qualquer, pelo cargo que ocupa deve seguir um ritual, a famosa liturgia do cargo que exige um comportamento que o diferencie de nós, cá da planície. Entre tantas bobagens que Lula vem fazendo, ou dizendo, essa da festa foi tema do artigo de Danuza Leão publicado hoje na Folha com o título acima. Segue um trecho: "Com todo o respeito: a idéia de comemorar as bodas de pérola com uma festa caipira não podia ter sido pior. O Brasil tem tantos regionalismos bacanas, uma culinária riquíssima, várias maneiras de ser cheias de ginga e charme que deslumbram o mundo inteiro, e o presidente e dona Marisa Letícia vão escolher logo uma caipirada dessas? Foi um desastre desde o começo: o tema da festa, o carro de boi chegando cheio de paçoca e cachaça, o autoritarismo de obrigar os convidados e suas respectivas esposas a vestir o traje típico, e ainda pedir que levassem um pratinho de doces ou salgados. Quem eles acham que estão enganando na hora em que a assessoria de imprensa da Presidência da República anuncia que o presidente ajudou a pendurar as bandeirinhas do arraiá? Oh, mas que almas tão genuinamente brasileiras? Socorro, Duda Mendonça".
postado por: elaineborges 3:17 PM Domingo, Junho 13, 2004 AZUL, PONTE, NUVENS... Quem se contenta em apenas ver essa maravilha de cidade sem guardar para si esse azul, esse mar, esse sol, e o barquinho à beira-mar, deslizando sem parar? ("plágio" do Barquinho, sim, mas é só pensar em Florianópolis e ela se encaixa direitinho na nossa bela Ilha).
Foto:Tarcísio Mattos
postado por: elaineborges 9:17 PM DE ULISSES,DUBLINENSES E AFINS Na próxima quarta-feira comemora-se o centenário do dia de Leopold Bloom. Quem é esse fulano tão badalado? Pois é o personagem de Ulisses, o grosso livro de James Joyce, provavelmente um dos mais famosos da literatura universal. Tudo acontece em um dia em Ulisses, exatamente no dia 16 de junho de 1904, que ficou conhecido como o Bloomsday. O livro - que li ainda na década de 60 - tem momentos chatíssimos e duvido que quem o leu não tenha pulado várias páginas para descobrir, mais adiante, momentos dignos desse escritor que fez de sua cidade, Dublin, sua eterna personagem. Mas quem não encarou esse desafio, há os contos maravilhosos reunidos no Dublinenses. Dali destaco Os Mortos, que John Huston transformou num filme indispensável.
postado por: elaineborges 9:12 PM OBRIGADA, RAY CHARLES O ano: 1986; A cidade: São Paulo; O lugar: Anhembi. Nunca esquecerei aquela noite. Vimos - minha amiga Virgínia e eu - aquele que seria o melhor show da minha vida. Cego, trazido pela mão por seu auxiliar, ele se acomodou no banco junto ao piano e começou a soltar aquele vozeirão, rasgado, intenso, muito familiar aos meus ouvidos. No banco, seu corpo balançava, sua cabeça se movia para todos os lados, no rosto a certeza que ali estava um homem alegre, compartilhando conosco um repertório tão conhecido nosso. Sempre ouvi Ray Charles. Hit The Road Jack era a faixa do LP que mais tocava nas nossas festas. Não havia quem resistisse àquele ritmo e as vozes indispensáveis das Raelettes. Hallelujah I Love Her So, A Fool For You, I Can' t Stop Lovin'You, Georgia On My Mind e tantas outras fazem parte a memória musical de qualquer um que curte a boa música. Blues, gospel, rock, country, jazz, o gênio dava ao que cantava um brilho, um toque único. A música norte-americana deve muito a ele. E nós, de joelhos, agradecemos os inesquecíveis momentos que nos deu. Bastava colocar a agulha na exata faixa para o mundo começar a brilhar. O som que vinha daquela voz ninguém esquece. Sua discografia é imensa e graças aos CDs podemos continuar a escutar aquele que enriqueceu nosso mundo com sua música
postado por: elaineborges 8:35 PM
Baby no tanque, um dos seus lugares prediletos pra saciar a sede.
postado por: elaineborges 7:43 PM Segunda-feira, Junho 07, 2004 MORAR EM FLORIANÓPOLIS Pagamos um alto preço para morar em Florianópolis. Os aluguéis são caros, em comparação com outras capitais. O mesmo quanto ao transporte coletivo. Agora ficamos sabendo que pagamos quase três vezes mais taxas munícipais do que os moradores de São Paulo. É o que diz a Folha de hoje. Enquanto os moradores de São Paulo pagam R$ 42, nós aqui pagamos nos últimos doze meses R$ 117 em taxas. Ou seja, quase três vezes mais do que os paulistanos. O secretário de Finanças, Olívio Rocha, disse que essa distorção deve-se ao pequeno número de habitantes (340 mil). À rádio CBN o mesmo secretário também têm outra justificativa: como Florianópolis têm proprietários de imóveis que não moram na cidade, as taxas municipais são elevadas. Uma explicação que pouco explica.
postado por: elaineborges 5:31 PM Sexta-feira, Junho 04, 2004 AS NOITES DIFÍCEIS Há algum tempo descobri Dino Buzzati (1906-1972). Li O Deserto dos Tártaros, uma triste paródia sobre a guerra e um dos livros que sempre recomendo. Agora leio no site nominimo que acaba de ser reeditado As Noites Difíceis, livro de contos. Leia o que escreveu Flávio Pinheiro sobre um dos contos, "Delicadeza": "Num determinado país, a pena de morte é administrada com grande delicadeza". Abre desse jeito a história de uma sinuosa conversa metafísica entre o carrasco e o condenado a morte. A rigor, o carrasco tenta provar que a morte não existe. Melhor, que o medo de todos é de não poder mais viver, "isto é, ver, fazer, ouvir, etc." Medo tolo porque "quem está morto não sofre mais, nem pode ter saudade, nostalgias e aflições semelhantes". Em suma, resume o compassivo algoz, "depois de morto o homem não pode mais sofrer por estar morto". O jogo que propõe, então, ao condenado só é delicado na conversa mole". Entre outros, Pinheiro cita também o conto Monstros Modernos: "É tapeçaria de impressões sobre novos monstros que substituíram a esfinge, o javali caledônio, o gato de botas. Um deles é "O Chefe". "Imagina-se importante. É importantíssimo. Diz coisas importantes. Tem amigos importantes. Só dá telefonemas importantes. Mesmo suas brincadeiras em família são muito importantes. Considera-se indispensável. É indispensável. O enterro será amanhã às 14h30, saindo o féretro da casa do falecido". "Monstros Modernos" é um dos vários contos que tem outros por dentro, suprema perícia de Buzzati". (As Noites Difíceis, de Dino Buzzati. Tradução Fulvia M.L. Moretto. Introdução de Domenico Porzio. Editora Nova Fronteira; 360 páginas; R$ 44,00). Para quem se interessar a Nova Fronteira lançou outro livro de Buzatti : Naquele Exato Momento. Embora não tenha lido ainda os contos, recomendo. Dino Buzatti é um dos grandes escritores do século XX.
postado por: elaineborges 6:44 PM Quinta-feira, Junho 03, 2004 VIVER SIMPLESMENTE Junho é o mês de Fernando Pessoa. O grande poeta português nasceu no dia 13 de junho de 1888 e morreu com 47 anos. Vai minha homenagem com a poesia abaixo que recebi da minha amiga Leda Malysz: Segue o teu destino Rega as tuas plantas, Ama as tuas rosas. O resto é a sombra De árvores alheias. A realidade Sempre é mais ou menos Do que nós queremos. Só nós somos sempre Iguais a nós-próprios. Suave é viver só. Grande e nobre é sempre Viver simplesmente. Deixa a dor nas aras Como ex-voto aos deuses. Vê de longe a vida. Nunca a interrogues. Ela nada pode Dizer-te. A resposta Está além dos deuses. Mas serenamente Imita o Olimpo No teu coração. Os deuses são deuses Porque não se pensam. Ricardo Reis ( um dos heterônimos de Fernando Pessoa).
postado por: elaineborges 3:02 PM PRIX ORANGE Apenas como curiosidade passo o que li no Le Monde: o argentino David Nalbandian - que derrotou Guga - recebeu no dia 28 de maio o Prix Citron ( prêmio limão) da mídia e do público por seu mau humor e ser o menos disponivel dos jogadores que disputam o Roland Garros. Já o Guga ganhou o Prix Orange ( prêmio laranja), o oposto do prêmio "limão", por seu fair-play, sua gentileza, disponibilidade total à imprensa e público e por suas "qualités humaines".
postado por: elaineborges 2:24 PM DIVINA COMÉDIA Dante amava Beatriz, tanto que ela é sua principal personagem na terceira parte da Comédia, sua obra prima, que mais tarde Bocaccio intitulou-a de Divina Comédia. Começo agora a entrar no mundo dessa obra italiana, mas o que me impressionou, de cara, foi a idade de Dante Alighieri quando se apaixonou por Beatriz: ele tinha nove anos e ela oito. Segundo Harold Bloom a Divina Comédia assume quase a função "de um terceiro Testamento, de maneira nenhuma subserviente ao Velho e ao Novo". Com um grupo liderado por Tânia Piacentini, começo hoje a tentar absorver essa obra da literatura universal. A leitura compartilhada será na Lagoa da Conceição, no Literatura Café, sob a coordenação da Teresa Arrigoni. Vamos descer ao "Inferno" de Dante, esperando entender melhor esse mundo através da literatura.
postado por: elaineborges 12:09 PM AU REVOIR, GUGA ! Não deu para o Guga. Perdeu e mostrou sua fragilidade física. Meu amigo Mário Medaglia - que entende muito mais de esporte do que eu - escreveu comentário sobre o assunto (veja no post abaixo). Para ele, Guga está no final da carreira. E o pior - segundo o Mario - é que ele não tem herdeiros. Ou seja, depois de um jogador excepcional, é possível que o tênis sofra um retrocesso no Brasil. Li hoje no Estadão que os franceses ficaram tristes com a derrota do Guga. Imagina nós, brasileiros, e, principalmente, nós aqui da Ilha. Restam agora, na disputa, três argentinos e um inglês.
postado por: elaineborges 11:54 AM Terça-feira, Junho 01, 2004 ALLEZ, GUGA!
Selo da EBCT comemorativo ao tricampeonato de Guga em Roland Garros. "Estou vivendo o que vivi em 97. Se fosse nos outros anos já estaria pensando numa semi, numa final, olhando quem eu poderia enfrentar..., Ainda tenho um pouco de dúvidas em relação ao meu corpo e vou continuar encarando cada partida como se fosse uma final ". Embora cauteloso, Guga não esconde sua alegria e emoção ao voltar a figurar entre os favoritos e poderá ganhar pela quarta fez a Roland Garros (além de 1997, venceu também em 2000 e 2001). Paris exerce uma espécie de magia em Guga. É lá, como ele disse, que "as coisas acontecem pra mim". Amanhã ele enfrenta o argentino David Nalbandian, que derrotou o russo Marat Safin. Será o primeiro jogo de Guga com o cabeça-de-chave número oito. Como dizem os franceses que por ele têm um carinho todo especial:"Allez, Guga!"
postado por: elaineborges 3:16 PM
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