Balaio de Siri

Um balaio onde tudo cabe: comentários sobre livros, filmes, discos,notícias, elocubrações...Balaio de Siri é em homenagem a uma antiga moradora de Florianópolis que gostava de pegar siri na Lagoa da Conceição.



Segunda-feira, Setembro 27, 2004


EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO

postado por: elaineborges 1:48 PM


Florianópolis aos poucos vai perdendo aquele ar de cidade pequena, bucólica, de esquinas e casas geminadas, de grandes portais, de casas com grossas paredes. Na rua Esteves Júnior ainda é possível ver casinhas lindas, coloridas, cercadas por enormes prédios. Lá estão elas, coladinhas umas as outras, rodeadas por enormes prédios. Todas têm histórias. Uma foi o Bar Katsipis. Não são poucos os antigos moradores que lembram bons momentos passados ali, quando não existia a av.Beira-Mar e era possível banhar-se na Praia de Fora.
Se o tempo passa e a praia não mais existe, resta a memória. E as casinhas que lá estão, ainda que ameaçadas pelo progresso desvairado que tomou conta da nossa Ilha.

postado por: elaineborges 1:46 PM


postado por: elaineborges 1:29 PM


Quinta-feira, Setembro 23, 2004



MINHA GATA

Minha gata me olha. Seus olhos de um verde-mar, me fixam como se quisessem penetrar na minha alma. Olho para ela, também em silêncio. Não falo e ela não mia. Permanecemos assim, em silêncio, por longos minutos. Depois ela levanta, se estica, levanta o dorso, formando um arco. Então começa a sessão de lambidas. É um ritual diário. Lambe as patas, próximo ao pescoço, próximo à barriga. A limpeza no meio das patas é feita meticulosamente. Nada escapa à sua língua áspera que percorre várias partes de seu corpo. Terminada a sessão lambida, ela volta a deitar no tapete próximo aos meus pés. E me olha.

postado por: elaineborges 11:47 AM


Quarta-feira, Setembro 22, 2004



NUM MEIO-DIA DE PRIMAVERA...

Alberto Caeiro

Num meio-dia de Primavera
Tive um sonho como uma fotografia.
Vi Jesus Cristo descer à terra.
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se longe.

Tinha fugido do céu.
Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.
No céu tudo era falso, tudo em desacordo
Com flores e árvores e pedras.
No céu tinha que estar sempre sério
E de vez em quando de se tornar outra vez homem
E subir para a cruz, e estar sempre a morrer
Com uma coroa toda à roda de espinhos
E os pés espetados por um prego com cabeça,
E até com um trapo à roda da cintura
Como os pretos nas ilustrações.
Nem sequer o deixavam ter pai e mãe
Como as outras crianças.
O seu pai era duas pessoas -
Um velho chamado José, que era carpinteiro,
E que não era pai dele;
E o outro pai era uma pomba estúpida,
A única pomba feia do mundo
Porque nem era do mundo nem era pomba.
E a sua mãe não tinha amado antes de o ter.
Não era mulher: era uma mala
Em que ele tinha vindo do céu.
E queriam que ele, que só nascera da mãe,
E que nunca tivera pai para amar com respeito,
Pregasse a bondade e a justiça!


Um dia que Deus estava a dormir
E o Espirito Santo andava a voar,
Ele foi à caixa dos milagres e roubou três.
Com o primeiro fez com que ninguém soubesse que ele tinha fugido.
Com o segundo criou-se eternamente humano e menino.
Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz
E deixou-o pregado na cruz que há no céu
E serve de modelo às outras.
Depois fugiu para o sol
E desceu no primeiro raio que apanhou.
Hoje vive na minha aldeia comigo.
É uma criança bonita de riso e natural.
Limpa o nariz ao braço direito,
Chapinha nas poças de água,
Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.
Atira pedras aos burros,
Rouba a fruta dos pomares
E foge a chorar e a gritar dos cães.
E, porque sabe que elas não gostam
E porque toda a gente acha graça,
Corre atrás das raparigas
Que vão em ranchos pelas estradas
Com as bilhas às cabeças
E levanta-lhes as saias.


A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as coisas.
Aponta-me todas as coisas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando agente as tem na mão
E olha devagar para elas.


Diz-me muito mal de Deus.
Diz que ele é um velho estúpido e doente,
Sempre a escarrar para o chão
E a dizer indecências.
A Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia.
E o Espirito Santo coça-se com o bico
E empoleira-se nas cadeiras e suja-as.
Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica.
Diz-me que Deus não percebe nada
Das coisas que criou -
"Se é que ele as criou, do que duvido." -
"Ele diz por exemplo, que os seres cantam a sua glória,
Mas os seres não cantam nada.
Se cantassem seriam cantores.
Os seres existem e mais nada,
E por isso se chamam seres."

E depois, cansado de dizer mal de Deus,
O Menino Jesus adormece nos meus braços
E eu levo-o ao colo para casa.

... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...

Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.
Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava.
Ele é humano que é natural.
Ele é o divino que sorri e que brinca.
E por isso é que eu sei com toda a certeza
Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.

E a criança tão humana que é divina
É a minha quotidiana vida de poeta,
E é por que ele anda sempre comigo que eu sou poeta sempre.
E que o meu mínimo olhar
Me enche de sensação,
E o mais pequeno som, seja do que for,
Parece falar comigo.


A Criança Nova que habita onde vivo
Dá-me uma mão a mim
E outra a tudo que existe
E assim vamos os três pelo caminho que houver,
Saltando e cantando e rindo
E gozando o nosso segredo comum
Que é saber por toda a parte
Que não há mistério no mundo
E que tudo vale a pena.

A Criança Eterna acompanha-me sempre.
A direcção do meu olhar é o seu dedo apontando.
O meu ouvido atento alegremente a todos os sons
São as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas.

Damo-nos tão bem um com o outro
Na companhia de tudo
Que nunca pensamos um no outro,
Mas vivemos juntos e dois
Com um acordo íntimo
Como a mão direita e a esquerda.

Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas
No degrau da porta de casa,
Graves como convém a um deus e a um poeta,
E como se cada pedra
Fosse todo o universo
E fosse por isso um grande perigo para ela
Deixá-la cair no chão.

Depois eu conto-lhe histórias das coisas só dos homens
E ele sorri porque tudo é incrível.
Ri dos reis e dos que não são reis,
E tem pena de ouvir falar das guerras,
E dos comércios, e dos navios
Que ficam fumo no ar dos altos mares.
Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade
Que uma flor tem ao florescer
E que anda com a luz do Sol
A variar os montes e os vales
E a fazer doer aos olhos os muros caiados.

Depois ele adormece e eu deito-o.
Levo-o ao colo para dentro de casa
E deito-o, despindo lentamente
E como seguindo um ritual muito limpo
E todo materno até ele estar nu.

Ele dorme dentro da minha alma
E às vezes acorda de noite
E brinca com os meus sonhos.
Vira uns de pernas para o ar,
Põe uns em cima dos outros
E bate palmas sozinho
Sorrindo para o meu sono.
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...

Quando eu morrer, filhinho,
Seja eu a criança, o mais pequeno.
Pega-me tu ao colo
E leva-me para dentro da tua casa.
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar
Até que nasça qualquer dia
Que tu sabes qual é.

... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...

Esta é a história do meu Menino Jesus.
Por que razão que se perceba
Não há-de ser ela mais verdadeira
Que tudo quanto os filósofos pensam
E tudo quanto as religiões ensinam?

postado por: elaineborges 3:06 PM


Terça-feira, Setembro 21, 2004


MARE NOSTRUM

Salim Miguel é um dos maiores escritores de Santa Catarina. Certamente o melhor contador de histórias que conheço. Ficar próximo a ele, ouvindo suas histórias é um dos grandes prazeres da vida. Rico nos detalhes, na fluidez, no imaginário, nas personagens criadas ou inventadas, ele conta como se na nossa frente estivesse se desenrolando um filme, com figuras fantásticas, simples, cômicas, do povo... saídas da sua pródiga memória. Salim Miguel não só conta como dá vida aos seus personagens, às suas histórias, nos livros tantos que já escreveu ( 25 no total). Um deles - Nur na Escuridão - ganhou o prêmio de melhor romance da Associação Paulista de Críticos (APCA) em 2001.
Hoje, Salim lança outro livro: Mare Nostrum - Romance Desmontável (Editora Record). Diz ele em matéria no A Notícia:"Observo, escuto histórias e frases que me dizem, admiro paisagens e anoto. Depois, parto para a construção da narrativa. Sempre foi assim". E assim, bem sei, vem aí mais um livro bom de ler e difícil de largar.

postado por: elaineborges 3:38 PM


JORNALISMO, ÉTICA E LIBERDADE

A ética não pode estar subordinada exclusivamente à Cultura nem taticamente à Política, tampouco a critérios pessoais. A única forma de ela se movimentar no campo dos valores, com um projeto de liberdade, é caminhar numa ponte em que, com mão dupla, a particularidade transite para a universalidade e vice-versa. Esconder o que se passa numa cultura ou esconder ações sociais com o objetivo de resguardar determinadas políticas é um eixo de condução teológica dos valores que se quer afirmar, evitando que passem a existir de acordo com a convicção interiorizada para torná-los realidade a partir das determinações apriorísticas da verdade.

O texto acima é do jornalista Francisco José Karam, no seu livro sobre Jornalismo, Ética e Liberdade, lançado em 1997. Agora, karam aborda novamente o tema no A Ética Jornalística e o Interesse Público ( Summus Editorial). Nele, mais uma vez enfatiza a importância da ética na atuação dos jornalistas, principalmente nesse momento em que poderosos conglomerados são proprietários de jornais, redes de televisão, internet, etc, colocando em risco a necessidade da diversidade para o fortalecimento da democracia e, mais ainda, para preservar a liberdade de pensamento.

Francisco Karam é doutor em Comunicação e Semiótica (PUC-SP) e, antes de tudo, é um amigo pelo qual tenho a maior admiração por sua trajetória profissional.

postado por: elaineborges 3:09 PM


Domingo, Setembro 19, 2004

O DOMINGO ESTÁ TRANQUILO

O sol está batendo na minha janela, minha gatinha, deitada placidamente na ponta do sofá, espia a rua, e lá fica, no seu eterno silêncio misterioso. Gatos são bichos seculares, quantos segredos não guardam ao longo de tanto tempo?
Está tranquilo lá fora. Vejos pássaros brancos ( gaivotas?) lá no alto, próximo ao mar. Os cachorros da vizinhança hoje não latiram. Também eles estão tranquilos.

postado por: elaineborges 9:27 AM


Sexta-feira, Setembro 17, 2004


Ponta das Canas - Florianópolis

Essa foto tirei não faz muito tempo ( há uns quatro anos, acho) e já olho essa imagem com saudade. Há uma deterioração tão rápida da Ilha que não sei até quando conseguirei congelar momentos assim, de total quietude.

postado por: elaineborges 9:57 PM


Quarta-feira, Setembro 15, 2004

CENA HISTÓRICA

Sobre a nota abaixo vale a leitura da coluna assinada por Fernando Rodrigues na Folha de hoje com o título O carlo-petismo:

A cena foi histórica. Na segunda-feira à noite, Lula comandou um jantar com senadores do PFL. Comeram camarão ao molho de maracujá. À mesa, o presidente da República recusou vinho. Consumiu guaraná diet. Teve ACM de um lado e Roseana Sarney do outro. O encontro foi emblemático também pelos dois ministros escolhidos por Lula para estarem presentes. José Dirceu, o anfitrião, é ex-comunista e admirador de Cuba. Aldo Rebelo, que se sentou ao lado de ACM, pertence ao PC do B -partido que até outro dia elegia a Albânia como modelo a ser seguido. A aliança entre Lula e ACM inaugura oficialmente o carlo-petismo (ou lulo-carlismo) na administração federal. É um sinal claro da direção escolhida pelo governo: deseja criar uma maioria no Congresso. Não vai olhar ideologias. Quer votos. Mortos e feridos não serão recolhidos. Ficarão à beira da estrada. O candidato petista a prefeito de Salvador, Nelson Pellegrino, foi abandonado pela direção da sigla. Ontem, carlistas se refestelavam com a primeira página do jornal "Correio da Bahia", de ACM. A foto na primeira página trazia Lula confraternizando com o baiano e com o candidato a prefeito pefelista em Salvador, César Borges. O próximo passo do Planalto é ajudar na criação de uma nova sigla de centro-direita. Abrigará ACM e outros pefelistas descontentes. FHC se jacta de ter isolado José Sarney e ACM na parte final de seu governo. É verdade. Esses políticos tiveram um período de vacas magras até a eleição de Lula. Renasceram com o petista - que, afinal, dizia que seria presidente para mudar o Brasil.

postado por: elaineborges 2:53 PM



MORRO E NÃO VEJO TUDO

Quem, nas eleições de 2002, votou em Lula para mudar o Brasil certamente ficou estupefato com a foto estampada nos jornais: Lula, ao lado de ACM e outros tantos senadores do PFL. A cooptação de ACM é mais um fato para comprovar o que já se antevê: não há mais partidos ideológicos. O que há é uma sopa de letrinhas sem qualquer significado a não ser a luta eterna para permanecer no poder.

postado por: elaineborges 2:48 PM


Segunda-feira, Setembro 13, 2004


BRABO DE ALEGRE

O Dito dizia que o certo era a gente estar sempre brabo de alegre, alegre por dentro, mesmo com tudo de ruim que acontecesse, alegre nas profunda. Podia? Alegre era a gente viver devagarinho, miudinho, não se importando demais com coisa nenhuma.


João Guimarães Rosa:Miguilim In Campo Geral.( Rio de Janeiro:José Olympio,1956).

postado por: elaineborges 5:13 PM


Sexta-feira, Setembro 10, 2004


Foto:Henri Cartier-Bresson - agência Magnum

"A máquina fotográfica é um caderno de croqui, é o desenho imediato, com a sensibilidade, a surpresa, o subconsciente, o gosto pela forma".

" É preciso estar disponível. É preciso olhar. Há muito poucos que olham, vêem, identificam".

Frases do gênio da fotografia à jornalista Sheila Leirner, em rara entrevista dada em Paris.
Bresson morreu recentemente.

postado por: elaineborges 1:06 PM


Quinta-feira, Setembro 09, 2004

A VILA E SUA METÁFORA

Um menino que se comunica com os mortos, a presença de extraterrestres num vilarejo. Assim são os filmes de M.Night Shyamalan. A Vila é seu terceiro filme - se passa numa comunidade onde seus moradores vivem isolados, tentando escapar de uma maldição. Eles são proibidos de ultrapassar uma floresta, lá reside o mal. O vermelho é a cor da maldição e para se proteger eles usam capas amarelas. O Sexto Sentido - do menino que se comunica com os mortos - foi um grande sucesso de bilheteria. Depois Shyamalan dirigiu Sinais - dos extraterrestres no vilarejo. Todos têm um elemento sobrenatural, suscita medo. Há quem diga que A Vila é uma metáfora sobre o governo Bush que, invocando o patriotismo e o combate ao terror, quer transformar os Estados Unidos numa comunidade fechada. O diretor desmente.
O filme - com Sigourney Weaver, Bryce Dallas Howard, Adrien Brody, William Hurt e Joaquin Phoenix - tem um clima tenso, místico às vezes, causa sustos, o diretor não se utiliza de efeitos especiais para contar sua história, mas decepciona no final. Mas como cinema é, antes de tudo, entretenimento vale passar algumas horas no escurinho dando sobressaltos na poltrona.

postado por: elaineborges 2:21 PM


Quarta-feira, Setembro 08, 2004


OS FILMES QUE NÃO VEREI

Há dois filmes passando em São Paulo que, com certeza, não verei ( somos escravas, como já disse, de um único prorietário de uma rede de salas de cinema em Florianópolis - o que nos salva são as programações do CIC): O Agente da Estação e A jornada de James para Jerusalém. O primeiro "é lindo, lindo" como me contou a amiga Miriam Karam, insistindo: "voce não pode perder". E me deixa ainda mais entusiasmada ( e frustrada, ao mesmo tempo) porque " a luz do filme é toda feita em cima dos quadros do Edward Hooper". Hooper e suas cenas de solidão,de um mundo silencioso, de personagens americanos em suas casas brancas, com um cachorro na frente, ou das moças solitários em bares... O outro filme - A Jornada de James para Jerusalem - é também, segundo Karam, "bem legal".
Apenas registro para, talvez, alguem ir ver lá em São Paulo. Cá na nossa Ilha, o que menos vemos são filmes fora da área dos grandes lançamentos.

postado por: elaineborges 1:08 PM


Terça-feira, Setembro 07, 2004


Foto:Tarcísio Mattos - Tempo Editorial
A Beira-Mar Norte já está assim, com jeito de verão.

postado por: elaineborges 9:52 PM


SUZETE EM MONTREAL

Minha amiga Suzete Sandin ( grande fotógrafa com quem sempre tenho o maior prazer em trabalhar junto) manda notícias de Montreal. Está curtindo o Festival de Filmes do mundo inteiro e hoje justamente é a festa de premiação. De lá conta que conversou com o diretor de O Filho da Noiva, de Juan José Campanella ( passou aqui, no CIC) que concorreu com Luna de Avellaneda - "um dos melhores que vi", conta Su. E ainda o documentário alemão Die Mitte " realmente impressionante", diz. E lamenta: "pena não termos um festival assim aí". Eu também, amiga Su, eu também. Nem os lançamentos nas grandes capitais passam por aqui, imagina um festival mundial de cinema!

postado por: elaineborges 9:48 PM



FEIRA DE DESCOBERTAS

Hoje, certamente, foi o único dia que foi possível transitar pela Feira do Livro, no Shopping Beira-Mar, com tranquilidade: os anjinhos das escolas também fizeram feriado. É que últimamente feira de livros cá na Ilha virou sinônimo de programa escolar. Nada contra as criancinhas, muito menos programas para incentivá-las a ler ( logo eu que adoro ler), mas barulho, gritaria, corre-corre, não combinam com feira de livros.
E lá fiz boas descobertas: Peixe Dourado, de J.M.G.Le Clézio, por exemplo, achei por menos de 9 reais; Sobre Fotografia, da Susan Sontag ( que já tive, mas emprestei e foi-se...) foi outra boa compra. Ian McEwan ( que nunca li) e seu Primeiro Amor, Último Sacramento e Entre Lençóis ( gostei do título), me pareceu que valia também colocar na minha sacola. E ainda As Palavras Andantes, do Galeano ( O Livro dos Abraços, do mesmo estilo, com ilustrações do gravurista J. Borges, é meu livro de eterna leitura) e o Tenente Quetange, do russo I.N. Tyniánov, com prefácio de Bóris Schnaiderman( o fato do prefácio ser desse grande conhecedor da literatura russa também me incentivaram a comprar), me deram certeza e alegria - aquelas gostosas das boas descobertas - de que de novo redescobri a feira, desta vez sem barulho dos anjinhos.

postado por: elaineborges 9:28 PM



DO MUNDO IMAGINÁRIO

Entre as boas coisas da vida, uma é descobrir livros nas feiras, nos sebos, nas livrarias, aquele lá na estante, bem escondido, que não tem lombada bonita, não está nas prateleiras dos best-sellers, mas lá está ele. Ao manuseá-lo, temos certeza que aquele livrinho bem simples, vai te trazer um grande prazer. Aquele prazer silencioso, de total solidão, apenas eu e o livro. Lá fora há outro mundo, mas o que me interessa é esse, que entra na minha mente, que me leva para uma viagem imaginária, sem estradas, sem barulho, silencioso...silêncio que só é quebrado pelo miado baixinho da minha gata, que roça levemente com suas patinhas minhas pernas pedindo atenção... mas ela mal sabe que no mundo que agora vivo, ela também desapareceu.

postado por: elaineborges 9:06 PM





VARANDA DE LISBOA

Bolinhos de bacalhau/ açorda de camarão/sopa dourada das freiras de Sta Clara/ arroz de polvo português/
caldo verde/ bacalhau a lagareiro/ estrelas do Zézere/ patê de azeitonas pretas e sopa de cação alentejana/
pastel de bacalhau/ bacalhau a Porto Gonçalves/ maçãs assadas recheadas com vinho do Porto...Isso e mais um pouco são as delicias servidas no Varanda, cantinho gostoso que há quatro anos funciona em Florianópolis ( fone 48. 3025 2166) e que breve abrirá uma extensão em Santo Antônio de Lisboa. Quem for, não vai se arrepender.

postado por: elaineborges 7:26 PM


Segunda-feira, Setembro 06, 2004

BELEZA NA POLÍTICA

Humberto Eco - autor do famoso O Nome da Rosa, do qual resultou o ótimo filme com o mesmo nome - está lançando novo livro. Chama-se A História da Beleza. Em recente entrevista o semiólogo criticou o que chama de "sexualização" pelo qual passam os políticos da atualidade. E citou o primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, e o ator Arnold Schawarzenegger (governador da Califórnia) como exemplos do que chamou de "vanguarda de uma nova cultura política: o triunfo e a hegemonia da beleza". Se a exigência é a beleza constatou que o feio filósofo Jean-Paul Sartre jamais poderia ser um político. Ou seja, um filósofo pode ser feio, mas não um político. Mas, pergunto eu cá na minha ignorância: Schawarzenegger e Berlusconi, belos?

postado por: elaineborges 5:18 PM


OLGA E A CRÍTICA

De um lado, os críticos de outro, os freqüentadores de cinema. Os críticos, na sua quase unanimidade, detestaram o filme. Para uns, não é cinema, é televisão. Para outros, manipula os fatos, ou seja, a realidade histórica, transformando Olga, de Jayme Monjardim, apenas num melodrama barato e sentimental. Eu confesso que não gostei. Fiquei extremamente incomodada com a grandiloqüência da música, com os clichês, com o excesso de romantismo com se a Olga Benário fosse acima de tudo uma mulher preocupada com seu amado. Quando se sabe, pela história, que não foi bem assim.
A cineasta Suzana Amaral fez o seguinte comentário (Folha de domingo):
"Seria apenas uma ficção a mais no panorama das mediocridades. Mas Olga é um filme comprometido com a realidade histórica de nosso tempo. A deliberada manipulação dramática dos fatos e dos personagens transformou a história em melodrama barato e sentimentalóide".
A crítica de cinema, Ivana Bentes, simplesmente chamou o filme de "catastrófico":
"Como produto estético Olga é um retrocesso em relação ao que a própria Globo é capaz de produzir em termos de linguagem televisiva. A matriz do filme é mesmo o folhetim, a telenovela, com o agravante de ser aplicado a uma questão histórica complexa e ambígua, e que acaba aplainando tudo. É realmente catastrófico".
Mas se quem manda é o público, o filme já é um sucesso de bilheteria.
E mais uma vez Camila Morgado mostra que é uma das grandes atrizes que o país já teve. Palmas para ela.

postado por: elaineborges 4:58 PM


Quinta-feira, Setembro 02, 2004


AZUL MARAVILHA


Lagoa da Conceição - Foto: Tarcísio Mattos

postado por: elaineborges 4:38 PM



OS DONOS DO MUNDO

Há uma elite em Florianópolis que pensa que tudo pode. Parte delas possui iates, movidos a óleo diesel, que deslizam por nossos mares e lagoas. Tudo bem quanto ao desfrute de momentos de lazer com amigos e parentes. Quem pode, deve usufruir. O problema é que, terminado o passeio, hora de lavar os barcos, a conscência ecológica vai a zero. A esse respeito Raul Sartori, na sua coluna no A Notícia, escreveu comentário com o título Mau Exemplo: Muito dinheiro no bolso e zero de consciência. Assim são os ricos donos de embarcações na Lagoa da Conceição, na Ilha de Santa Catarina, que depois de um passeio por suas poluídas águas, entregam os barcos para limpeza. Os garotos, que fazem o serviço, utilizam detergentes. E tudo vai para a lagoa. Alertados para o problema, não deram a mínima.

postado por: elaineborges 4:19 PM


Quarta-feira, Setembro 01, 2004

RUMO AO LITORAL

A Notícia, em matéria assinada por Jefferson Saavedra, traz a informação que mereceria dos nossos homens públicos uma profunda reflexão e, sobretudo, revisão de seus planos administrativos: o litoral catarinense está aumentando a população, enquanto as regiões longe da orla marítima enfrentam um rápido decréscimo. Ou seja, municípios como Balneário Camboriu, Florianópolis, Porto Belo, Itapema, Palhoça, entre outros, cresceram muito nos últimos oito anos, mas, ao lado desse crescimento, aumentaram assustadoramente os problemas: Esgotos sanitários a céu aberto, poluição nas praias, ocupação desordenada dos espaços territoriais, poluição visual ( é só passear pela Lagoa da Conceiçõa, por exemplo, e ver os inúmeros cartazes, out-doors, plaquetas, luminosos, até em áreas de preservação permanente)... São tantos os problemas e escassas as providências para evitar que os mesmos se agravem e se tornem insolúveis que - em vias de trocarmos de prefeitos e vereadores - a dúvida é saber qual deles seria o menos comprometido com os fortes grupos empresárias mais voltados para o lucro imediato e muitos menos com a preservação do meio ambiente.

postado por: elaineborges 2:47 PM


CINEMA DOS BONS

Pouco sei do diretor Michael Mann mas desde já o aponto como um dos melhores que surgiu nos últimos tempos. O homem é fera no manejo da câmera, nos cortes, nos closes, na iluminação... Colateral, dirigido por ele, com Tom Cruise ( seríssimo no seu papel), Jammie Foxx e Jada Pinkett Smith é um ótimo suspense. Ao sair do cinema concluí mais uma vez que nada como um bom diretor para, de um tema aparentemente simples - um matador profissional que contrata um taxista em Los Angeles para ser seu motorista enquanto executa sua missão ( matar cinco pessoas) - fazer um filme que prende do início ao fim sem usar os já consativos efeitos especiais.
Colateral é pura diversão em alto estilo.

postado por: elaineborges 2:28 PM




A TURMA DA DIVINA

Assim como Dante teve o apoio e auxílio do seu mestre Virgílio para percorrer a Inferno, nós temos Teresa Arrigoni, que têm um profundo conhecimento dessa magistral obra literária de Dante Alighieri. É através dela que essa turma ( que está incompleta) aí de cima - Isolete, Paulo, Tânia, Claudete, Ronaldo e Katja - percorrem esse mundo fantástico da Divina Comédia. Leitura conjunta que Teresa ( que está na foto ao lado da Tânia) nos conduz, com seu perfeito italiano e que nós acompanhamos na tradução de Italo Eugenio Mauro ( Editora 34). À medida que lemos, concluímos - nós e o mundo - que a Divina Comédia é uma das maravilhas da literatura universal e uma das mais instigantes de ler em conjunto.
A leitura é feita no Café Literário, na Lagoa da Conceição - um delicioso ambiente voltado para cultivar e incentivar a literatura e as artes em geral.

postado por: elaineborges 2:04 PM



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