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Balaio de Siri

Um balaio onde tudo cabe: comentários sobre livros, filmes,discos,política,notícias em geral...Balaio de Siri é em homenagem a uma antiga moradora de Florianópolis que gostava de pegar siri na Lagoa da Conceição.



Quarta-feira, Maio 31, 2006

TRUPE DE EXILADOS

Difícil fugir de um assunto que toma conta da mídia, dos papos nas esquinas, das propagandas: a Copa do Mundo. Sobre o tema li dois comentários cujos trechos merecem ser transcritos. O primeiro é do colunista da Veja, Roberto Pompeu de Toledo, com o título Seleção Brasileiro de Estrangeiros. O segundo é do colunista Ugo Giorgetti e li no Estadão:

Roberto Pompeu de Toledo - Veja (edição 31 de maio de 2006):

A fuga dos jogadores brasileiros para o exterior decorre de circunstâncias em parte inevitáveis e em parte evitáveis. A parte inevitável é a atração de mercados futebolísticos milionários como os da Espanha, Itália, Inglaterra e Alemanha. Mas há bons jogadores brasileiros atuando até na Ucrânia e na Turquia. Isso tem a ver com a parte evitável. Se o futebol brasileiro fosse mais bem administrado, e mais honestamente, os clubes teriam força para defender seus jogadores, pelo menos do assédio turco ou ucraniano. A soma dos fatores inevitáveis como os evitáveis empurrou o país para a condição de exportador de matéria-prima. Da mesma foram como nos tempos coloniais éramos exportadores de cana-de-açúcar ou de ouro, hoje somos de futebolistas. O Brasil regrediu gostosamente à condição colonial - claro que com grandes lucros para muita gente, senão não seria assim. Os jogadores são produto dessa situação. Os mais festejados, como os da seleção, cercados de atenções e do conforto que a boa remuneração proporciona, acabam por se dar tão bem no novo ambiente que o antigo fica lhes parecendo um castigo. Ronaldo já avisou que ao deixar o futebol continuará a viver na Europa. Ele se acostumou, e não agüentaria mais morar no Brasil.
Nada contra, nem ao dinheiro que ganham, nem ao modo de vida. O dinheiro eles têm mais é que ganhar mesmo, estrelas de primeira grandeza de um espetáculo de massa que são. Quanto ao modo de vida, nada mais justo que, para usar o mais simples dos argumentos, querer viver em lugares onde se circula à noite sem medo e se pode deixar a mãe em casa sem risco de ela ser seqüestrada, como aconteceu com a mãe do Robinho em Santos. Mas que é estranho ter uma trupe de exilados como a seleção, isso é. Eles cantarão o Hino Nacional e serão saudados com bandeiras verde-amarelas, mas para eles o Brasil é uma realidade distante, sem muito a ver com as questões do dia-a-dia.

O POBRE CIDADÃO DE WEGGIS

Ugo Giorgetti ( O Estado de S.Paulo - edição do último domingo)


Se você, caro leitor, é uma daquelas pessoas que já não agüentam mais ouvir falar na Copa, se você é um daqueles que, ao ver o Jornal Nacional ou qualquer outro noticiário despejando obviedades, lugares-comuns e asneiras sobre a seleção, têm vontade de atirar o televisor pela janela, imagine, caro leitor, como deve estar se sentindo um cidadão da cidade de Weggis, na Suíça.
Imagine, primeiro, o que deve ser um cidadão de Weggis. Um homem que vive numa cidade suíça- atenção, suíça! - de 4 mil habitantes, cujo acesso é dificílimo e cuja distância mental em relação a cidades como o Rio de Janeiro ou São Paulo deve ser contada em anos-luz.
(...) Pois bem, meus amigos, são esses seres humanos que estão recebendo a seleção brasileira de futebol.
E, com ela, brasileiros. Repórteres, jornalistas, dirigentes, parentes dos dirigentes e, sobretudo, turistas patrícios, possivelmente parte daquela "minoria branca" à qual recentemente, o doutor Lembo dedicou particular atenção.
Nós, brasileiros, tempos uma confiança inabalável no nosso charme, alegria e simpatia, que acreditamos contagiantes.
E, ao viajar, nada mais justo do que querer compartilhar essa alegria com o resto do mundo.
Infelizmente, toda essa felicidade incluir certa dose de barulho e uma disposição para a informalidade que, para nossa decepção, muitas vezes assombra outros povos mais tristes, sérios, "pra baixo".
(...) Risadas e exclamações em alto som já devem ecoar por toda a madrugada, dado que uma das nossas mais conhecidas características, pelo menos nas cidades grandes, é, aparentemente, não dormir. Além disso, somos incansáveis. No dia seguinte de uma festa, já começa outra. E lá estamos nós, amigáveis, fraternos, já chamando o prefeito de Weggis de "brother" e "meu", já colocando apelido nos garçons do único bar da praça, já fazendo trejeitos e gracejos para mulheres loiras e de pernas grossas. E dá- lhe barulho, pagode e confusão numa cidade cujos habitantes, ao longo dos últimos cinco séculos, jamais foram para a cama depois das nove da noite.
Por isso, caríssimo leitor, antes de reclamar quando as televisões gastam meia hora falando da cor das cuecas do Robinho, pense nos cidadãos de Weggis.

postado por: elaineborges 6:01 PM


FIM DE TARDE

(foto: elaine borges)

Dias de muitas idas e vindas, muitas fotos, jantares, vinhos, conversas, muito cansaço. Mas valeu.
E cá estou.

postado por: elaineborges 1:20 PM


Segunda-feira, Maio 22, 2006


(foto:elaine borges)

AUSÊNCIA

Há uma loja lá em Nova Trento ( distante cerca de 60 km de Florianópolis) que só de ver as relíquias lá guardadas vale o passeio. Além do prazer de olhar, compra-se queijos, vinhos, salames... e olha-se a paisagem ao redor: árvores, rio, cachoeira, e é pra lá que vamos amanhã, visitar o santuário da Santa Paulina - um lugar de muita paz e recolhimento. Depois, outros passeios pela Ilha, mostrando toda essa beleza a amigas do Rio que cá vieram, descobrir - e rever - o Sul. Daí minha ausência por três dias. E nesse período, não lerei jornais. Nos últimos tempos, a cada informação, vem mais tristeza, mais desânimo. Melhor dar um tempo.
(A foto acima foi tirada lá na lojinha de Nova Trento meses atrás).

postado por: elaineborges 11:39 PM


Sábado, Maio 20, 2006

COISAS SIMPLES


(fotos: elaine borges)

BELO BELO

Manuel Bandeira

Belo Belo
Belo belo belo,
Tenho tudo quanto quero.

Tenho o fogo de constelações extintas há milênios.
E o risco brevíssimo - que foi? passou - de tantas estrelas cadentes.

A aurora apaga-se,
E eu guardo as mais puras lágrimas da aurora.

O dia vem, e dia adentro
Continuo a possuir o segredo grande da noite.

Belo belo belo,
Tenho tudo quanto quero.

Não quero o êxtase nem os tormentos.
Não quero o que a terra só dá com trabalho.

As dádivas dos anjos são inaproveitáveis:
Os anjos não compreendem os homens.

Não quero amar,
Não quero ser amado.
Não quero combater,
Não quero ser soldado.

- Quero a delícia de poder sentir as coisas mais simples.

postado por: elaineborges 3:30 PM


Sexta-feira, Maio 19, 2006


"NORMALIDADE"

Posso estar enganado, mas essa volta à "normalidade" não está tão normal assim para boa parte da população de São Paulo. Aquela que vive na periferia real da cidade.
Se antes ela estava com medo dos ataques desferidos pelo PCC, vitimando seus familiares que trabalham nas forças de segurança do Estado, hoje ela deve estar insegura com a atuação de policiais decididos a vingar os colegas mortos.
Essa onda, sabemos bem, pode sair de controle. Aí, muita gente inocente pode acabar morta pelas ruas de São Paulo. Isso já estaria, inclusive, acontecendo, segundo relatos, ainda não comprovados, coletados aqui e ali pelos jornalistas.


Do colunista Valdo Cruz, ontem na Folha.

postado por: elaineborges 1:05 AM


NÚMEROS DA VIOLÊNCIA

Leio agora na Folha Online o balanço divulgado pela Secretaria de Segurança Pública sobre os ataques que ainda continuam ocorrendo em São Paulo. E - triste realidade - a violência, iniciada no final da tarde de sexta-feira, continua. Vejam o balanço:

- 152 mortos (107 suspeitos, segundo a polícia); 293 ataques, 56 deles contra residências de policiais. Apesar dos números, as autoridades policiais continuam dizendo que o clima é de "normalidade". E até agora, desde o início dos atentados, as autoridades do setor de segurança ainda não divulgaram a lista das vítimas fatais sob a alegação de que poderiam prejudicar as investigações. Mas há denúncias de que, entre os mortos, há vários inocentes.

postado por: elaineborges 12:48 AM


Quarta-feira, Maio 17, 2006

PRAÇA GETÚLIO VARGAS

(foto: elaine borges)

Essa praça é bem bonita. Gosto de ver suas esplendorosas árvores.

postado por: elaineborges 11:03 AM



POEMINHA DO CONTRA

Mário Quintana

Todos esses que aí estão
atravancando meu caminho,
eles passarão...
eu passarinho!


É uma das mais conhecidas poesias do grande poeta, mas sempre é bom relembrar.


postado por: elaineborges 10:59 AM


Terça-feira, Maio 16, 2006

SEM TRANSPORTE COLETIVO

Enquanto cessava a onda de violência em São Paulo, cá na Ilha o dia foi tumultuado: os motoristas e cobradores do transporte coletivo paralizaram suas atividades. Estacionaram os ônibus no Terminal Central e deixaram toda a população a pé. Tumulto geral na cidade.

postado por: elaineborges 5:57 PM



BALANÇO DA VIOLÊNCIA

Na tarde de hoje autoridades da segurança pública de São Paulo forneceram os números da onda de violência ocorrida no Estado desde a noite de sexta-feira: 251 atentados, 115 mortos ( 71 suspeitos, 4 civis, 32 policiais e 8 carcereiros), e 115 suspeitos presos. Em várias entrevistas, diversas autoridades continuaram negando o acordo feito com os líderes do crime organizado para cessar as rebeliões e os atentados. Desmentido que pouca gente acredita.

postado por: elaineborges 5:52 PM



ONDA DE VIOLÊNCIA (2)

As notícias que chegam de São Paulo são mais tranquilas. A cidade amanheceu mais calma, os ônibus estão circulando normalmente e não foram registrados mais atentados. Informações dos sites e jornais dizem que o Governo do Estado fez um acordo com as lideranças do crime organizado para terminar os atentados. Teria permitido as visitas íntimas aos presidiários e não mais vai confinar os detentos mais perigosos em celas isoladas. Não se sabe se isso é verdade.O governador Claudio Lembo, nega. Mas se for verdade, mais uma prova de que o Governo está nas mãos do crime organizado.

postado por: elaineborges 12:27 PM



O DESTINO DO BRASIL

Não vamos nos iludir. O destino do Brasil não está sendo jogado nem no controle da inflação nem na geração de empregos.


O destino do Brasil - e o de nós todos - vai ser decidido no enfrentamento do crime organizado. A ditadura já terminou, mas a democracia ainda continua devendo."


Da cientista política e jornalista Lúcia Hippolito hoje, no comentário na rádio CBN e transcrito no Blog do Noblat.


postado por: elaineborges 12:18 PM


Segunda-feira, Maio 15, 2006


ONDA DE VIOLÊNCIA (1)

Assustador - esta é a palavra que encontrei para relatar o que vi através dos noticiários dos últimos dias sobre o que está acontecendo no Estado de São Paulo: uma onda de violência jamais vista, verdadeiro terror urbano, com ônibus incendiados ( mais de 50), assim como bancos, postos policiais e, o mais triste, muitos mortos (81 até agora) em 180 atentados que começaram na noite de sexta-feira e continuavam a pipocar até agora. Mães chorando a morte dos filhos, mulheres perdendo os maridos, jovens executados friamente com dez, vinte tiros à queima roupa. São Paulo viveu e enfrenta momentos de pânico e caos. O que ficou evidente em todas essas ocorrências é que a facção criminosa PCC - Primeiro Comando da Capital - está tão organizada que seus líderes, de dentro da prisão, com a ajuda de celulares, montaram uma verdadeira rede e se comunicaram com seus "soldados" em liberdade para deflagrar ações levando a população ao pânico. Escolas, universidades, o comércio em geral, até alguns shoppings, encerraram suas atividades hoje, no meio da tarde, e sem a certeza de que amanhã a população retomará o seu ritmo normal. Advogados dos criminosos são apontados como "facilitadores" na formação da rede. O crime está tão bem organizado que colocou de joelhos todo o sistema de segurança pública de São Paulo. E, ainda que não bastasse todo este terror, percebe-se uma disputa entre o governo do Estado de São Paulo e o Governo Federal. Governado pelo PSDB há 12 anos é deste partido o candidato a presidente que faz renhida oposição ao Lula e ao PT, Geraldo Alckmin. Está aí a causa para a recusa sistemática do governador em exercício, Cláudio Lembo, de não aceitar ajuda do Governo Federal que dispôs 4.000 homens da segurança nacional para auxiliar na contenção dos atentados que ocorrem em São Paulo.
O argumento para o início da rebelião e dos atentados foi a revolta dos presidiários pela transferência dos líderes do PCC e criminosos mais perigosos para presídios de segurança máxima. Um especialista em segurança pública, no entanto, disse que os líderes do PCC quiseram dar uma demonstração de força para, a partir de agora, começarem a fazer exigências.
Disso tudo, tira-se uma terrível conclusão: o país está apodrecido. "Mensaleiros" inocentados por seus pares, a máfia dos combustíveis, desvio de dinheiro público, crianças abandonadas, desemprego, caixa 2, sistema de saúde em frangalhos... As ações do crime organizado são apenas mais um capítulo dessa crise que o país enfrenta. E com isso nossa democracia - ainda frágil - fica mais vulnerável.

postado por: elaineborges 10:08 PM


Domingo, Maio 14, 2006

ONDA DE VIOLÊNCIA

Até agora os números são estes: 100 atentados, 52 mortos, 53 feridos, 44 rebeliões em penitenciárias, 9 ônibus incendiados, 35 policiais feridos, 14 suspeitos de terem praticado os atentados. É o balanço da fúria que tomou conta do Estado de São Paulo desde a madrugada de sexta-feira até hoje à tarde e não há previsão de que esse horror todo vá terminar breve. A revolta incontrolável foi deflagrada pelo crime organizado - PCC (Primeiro Comando da Capital) - como uma demonstração de insatisfação pela transferência de detentos mais perigosos para uma prisão de segurança máxima. O alvo principal dos atentados são os policiais.

postado por: elaineborges 7:32 PM


Sábado, Maio 13, 2006

PARABENS!

(foto: elaine borges)

Nossa ponte - a Hercílio Luz - faz hoje 80 anos. Inaugurada em maio de 1926, continua bela, se impondo à paisagem da Ilha. Fechada há 25 anos porque estava com parte de sua estrutura corroída, hoje está em fase de recuperação. É um dos nossos mais bonitos cartões postais. É ela, a ponte, que identifica Florianópolis. E é para ela que olho todos os dias, quando abro as cortinas da janela da minha sala.

postado por: elaineborges 10:54 AM


Quinta-feira, Maio 11, 2006

NOSSA SENADORA EM AÇÃO!

Quanto a mim, confesso, não considerei o tempo inteiramente perdido por ter podido, mais uma vez, ver e ouvir a senadora petista por Santa Catarina. Que grande atriz o Brasil perde. Se não fosse sua voz ardida, brilharia em todos os palcos do Brasil... Quem ligasse a TV no instante em que ela começava a falar, pensaria que o Silvio Pereira, naquele momento, estava tendo a nuca raspada para poder subir os degraus do patíbulo e receber a fria lâmina da guilhotina! Seu desespero de amiga, seu brado por humanidade, não deixaria outra interpretação.

O trecho acima é parte do artigo de Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa, do Blog do Noblat, comentando o depoimento de Silvio Pereira à CPI dos Bingos ontem, quando a senadora catarinense Ideli Salvatti deu mais uma demonstração de sua eterna crise de descontrole. Aliás, as reações de Salvatti já fazem parte de todo esse teatro montado para brigar com as evidências. Há lama, sim, mas há, sobretudo, um grande desânimo com todos esses acontecimentos envolvendo governo, parlamentares, etc.

postado por: elaineborges 5:09 PM


LAGOA DA CONCEIÇÃO

(foto: elaine borges)

Azul, dourado, homem na bicicleta: a lagoa, sempre.

postado por: elaineborges 12:18 AM



DOIDO???

O Sr. é doido?

Pergunta de um senador à Silvio Pereira na CPI dos Bingos. O ex-secretário geral do PT simplesmente esqueceu, não lembra da entrevista que deu à repórter de O Globo.

postado por: elaineborges 12:05 AM


Quarta-feira, Maio 10, 2006

UMA LUZINHA, POR FAVOR.

Garotinho foi levado para o hospital e garante que vai continuar sua greve de fome. Sílvio Pereira, ex-secretário geral do PT, bancou o idiota e nada acrescentou no depoimento à CPI dos Bingos - o que já era esperado. Cá na terrinha faz frio e às vezes cai uma chuvinha bem gostosa. Os jornais locais informam que é possível uma aliança PMDB, PFL e PSDB, com Luiz Henrique candidato à reeleição. Nada de novo, portanto. Tudo a mesma coisa ou o mesmo balaio de siri - puxa um, vem todos agarrados, sempre para se manter no poder. Programa de governo que é bom, nada. Lula continua não sabendo de nada, Ideli Salvatti na sua eterna fase nervosa na aguerrida defesa do PT e Cia. e assim vamos levando a vida. Sem muita esperança de que alguma luzinha acenderá no fim do túnel.

postado por: elaineborges 11:48 PM


SÓ RINDO

Carros voando, helicópteros se estilhaçando no chão, um sapato como único vestígio de que o grande vilão morreu, corre-corre, cenas eletrizantes, som complementando a ação, assim é Missão Impossível 3. Ethan Hunt (Tom Cruise) agora é também romântico e tem namorada. E o vilão é o ótimo ator Philip Seymour Hoffman (Capote). Mas Missão Impossível 3 - além de cumprir sua missão, ou seja, cinema de entretenimento - cansa muito, irrita até, quando não suscita risos por cenas bem bobinhas. Sinceramente, não gostei e saí do cinema bem cansada pelo excesso de ação. Aliás, há cenas bem inverossímeis, bem difíceis de acreditar.

postado por: elaineborges 11:40 PM


Sexta-feira, Maio 05, 2006

TRAPICHE DA LAGOA

(foto: elaine borges)

postado por: elaineborges 9:41 PM


Quinta-feira, Maio 04, 2006

UM BOM DIA PARA PASSEAR

Não tem aqueles dias em que a melhor coisa a fazer é flanar pela cidade? Pois hoje é um desses dias cá na Ilha. Antes de passear, é preciso cumprir tarefas necessárias (ir ao dentista, pagar contas...) e após ver o que a cidade oferece. E hoje, em especial, há uma atração sempre prazerosa: a Feira de Livros montada no Largo da Alfândega, próximo ao Mercado Público. Passei por lá. Mas antes o tradicional cafezinho no barzinho da Livraria Catarinense, rápida leitura na Folha (e ver as estripulias do Evo Morales, da Bolívia, e a pífia reação do Lula na questão da nacionalização do gás boliviano) e depois olhar com calma as ofertas das inúmeras barracas da Feira. Claro, saí com uma sacola cheia: William Faulkner e o romance A Cidade (ainda acho o Som e a Fúria sua grande obra); uma seleção de Contos Fantásticos - no Labirinto de Borges (contos de Poe, passando por Henry James, Bradbury, etc.); um livrinho que - creio - será uma leitura deliciosa: Rinconete e Cortadillo, de Miguel de Cervantes, com ilustração de Caco Galhardo; e, finalmente, Stiller de Max Frisch (de quem li o ótimo Homo Faber). Claro, gastei mais do que pensava, mas nada paga o prazer de perambular por feiras de livros e sair de lá feliz da vida porque encontrou verdadeiras pechinchas. Exemplo: dois livros, dez reais. Não é uma maravilha! Além disso, os dias desse maio outonal estão assim: céu azulzinho, sol iluminando o mar que vejo por onde ando, e frio suficiente para puxar um aconchegante edredon à noite. Pra que pedir mais?

postado por: elaineborges 3:12 PM


Quarta-feira, Maio 03, 2006


HORA DE ABRIR UM BAR

Quando o processo histórico se interrompe... quando a necessidade se associa ao horror e a liberdade ao tédio, a hora é boa para se abrir um bar.

De W. H. Auden.

postado por: elaineborges 11:42 PM


Segunda-feira, Maio 01, 2006

É MELHOR NÃO OLHAR


(fotos: elaine borges)

Há uma "revolução" silenciosa ocorrendo em Florianópolis. Basta dar uma circulada por alguns pontos da cidade para ouvir histórias, queixas, relatos de ocorrências que deixam qualquer um desanimado e a se perguntar: tem solução? São pequenos delitos, abusos de autoridade, ganância dos grandes empreendedores, falta de ética de nossos vereadores, ausência de cidadania... Exemplos de pequenos e grandes delitos são muitos. Desde aquele nativo que decidiu cercar pequenos pedaços de terra na sua região e vender a preços exorbitantes até aquele que ocupou grandes áreas verdes, desmatou-as para fazer loteamentos. E há quem compre míseros espaços (de até 200 m°) pagando preços exorbitantes. E há ainda a febre dos grandes cartazes espalhados pela cidade. Surgem rapidamente, ocupando até espaços considerados áreas de preservação permanente. Na subida do Morro das Sete Voltas (um dos nossos mais belos visuais), na Lagoa da Conceição, por exemplo, enormes outdoors já ocupam grandes áreas verdes. Por lei, é proibido, mas quem fiscaliza? Observa-se também certo clima tenso, perceptível quando vizinhos recém chegados das grandes capitais (São Paulo, por exemplo) agem como "colonizadores" que vem desbravar nossas "matas". No início do ano, a não obediência à lei do silêncio por um grupo de paulistas recém-chegados, suscitou um quebra-quebra geral em uma casa na praia da Joaquina, exigindo a presença da polícia. No balanço geral da "guerra" entre nativos e novos moradores resultou na total destruição da casa alugada.
E entre àqueles que deveriam preservar para evitar maior deteriorização da cidade, ocorre o contrário. Temos em Florianópolis uma mesma pessoa que, além de responsável pela segurança da cidade é também responsável pelo principal órgão de urbanismo. Pode? Planos diretores são remendados com freqüência na Câmara de Vereadores, emendas que favorecem grandes grupos da construção civil. Prédios, casas, shopping center são construídos em áreas impróprias. Na Lagoa da Conceição, por exemplo, há dois gritantes exemplos (entre tantos) da não obediência às leis de ocupação de espaços: a nova agência do Banco do Brasil e um casarão incrustado no morro que divide a praia Mole da Joaquina.
O casarão seria de um cineasta americano, comentam os moradores. Ambas as construções foram interditadas, mas ninguém garante que continuarão embarcadas.
Até a noite florianopolitana está uma mesmice. O colunista Cacau Menezes, do Diário Catarinense, que sabe bem do que está falando, comentou um dia destes: "Floripa ficou uma cidade artificial. As pessoas perderam a espontaneidade nas festas. Ninguém mais sabe quem é quem. É tudo igual: quem não tem corrente de prata no pescoço ou peito de silicone, também não tem mais nada. Nem dinheiro. Reina a pose. É um festival de esnobação. Mas ninguém se diverte".
Se um dia Florianópolis foi considerada uma das cidades de melhor qualidade de vida, não é mais. O que muito me entristece. Por isso, ando olhando - e fotografando - muito nossas belas paisagens. Olhar ao longe continua sendo um bálsamo. Mas a Baby tem preferido se enroscar no sofá e curtir o friozinho que chegou. Como fez hoje.

postado por: elaineborges 10:04 PM



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