Um balaio onde tudo cabe: comentários sobre livros, filmes,discos,política,notícias em geral...Balaio de Siri é em homenagem a uma antiga moradora de Florianópolis que gostava de pegar siri na Lagoa da Conceição.
Terça-feira, Janeiro 30, 2007
ESTOU IDEALMENTE FELIZ
Estou idealmente feliz. Minha felicidade é uma espécie de desafio. Ao vagar pelas ruas, pelas praças, pelos caminhos ao longo do canal, sentindo distraidamente os lábios da umidade através de minhas solas gastas, carrego com orgulho essa felicidade inefável. Os séculos hão de desfilar, os estudantes bocejarão lendo a história de nossos cataclismos; tudo passará, mas minha felicidade, querida, minha felicidade irá permanecer, no reflexo úmido de um lampião, na curva cautelosa dos degraus de pedra que descem até as águas negras do canal, nos sorrisos dos pares a dançar, em tudo aquilo com que Deus circunda tão generosamente a solidão humana.
Trecho do conto
A Carta que Nunca Chegou à Rússia, de Vladimir Vladimirovich Nabokov que assim se definia: "Sou um escritor americano nascido na Rússia e educado na Inglaterra, onde estudei literatura francesa antes de passar quinze anos na Alemanha".
postado por: elaineborges 3:11 PM
Segunda-feira, Janeiro 29, 2007
A BELA
(foto: elaine borges)
Fim do dia, após uma bendita chuvinha. Sem praia, vamos às compras: esse o programa dos turistas que lotam os shoppings da cidade... Enquanto isso, volta uma discussão iniciada na década de 90: transporte marítimo para desafogar as ruas, rodovias, avenidas que ficam com trânsito insuportável na temporada de verão na nossa ainda bela Ilha . Não há como fugir dos engarrafamentos, tanto para quem vai para as praias do sul, do norte, do leste, Lagoa da Conceição... São filas e mais filas de veículos entupindo as rodovias. E sendo uma Ilha, por que não oferecer outros meios de transporte? Transporte marítimo, por exemplo? Projetos já existem, até maquetes de como seriam as estações, os pontos de embarque... Tá tudo lá, no papel. Ouvi alguem dizer na televisão que levaria mais dois anos para oferecer este tipo de transporte, mas se desde 1993 o assunto está na roda, sei lá, a coisa ainda vai longe. E, enquanto isso, a Ilha de Santa Catarina - embora ainda um pequeno paraíso - continua intensamente maltratada e super explorada.
postado por: elaineborges 11:19 PM
Quarta-feira, Janeiro 24, 2007
NOTÍCIAS DE VERÃO
Atravancado, perigoso, hostil, o Centro de Florianópolis está cada vez mais parecido com o caótico centro das metrópoles brasileiras - e vai se transformando num local procurado somente quando indispensável. Todos os dias, amontoado de congestionamentos de trânsito e até assaltos a qualquer hora, entre outras dificuldades e riscos. Já tem comerciante baixando as portas antes das 17h30min.
É preciso reunir nossas melhores cabeças pensantes para estudar esse problema da cidade e logo revitalizar a área.
Além do lixo que jogam pelas janelas dos carros, boa parte dos turistas que está na Ilha também não costuma respeitar a faixa de pedestre. Provavelmente nem sabe o que é isso.
Tiros no terminal de ônibus em frente ao Mercado Público, assalto e tiros em pleno dia, na Esteves Júnior, em frente ao Angeloni, chacinas entre gangues em todos os morros...
Quem tem bom padrinho que se apegue, quem tem santo forte que invoque, quem tem anjo da guarda que o ponha de plantão, porque daqui pra frente, em Florianópolis, em matéria de crimes, tudo pode acontecer. Quem sobreviver verá.
Os textos acima são da coluna do Cacau Menezes, do
DC, uma das mais lidas de Florianópolis.
postado por: elaineborges 11:28 AM
QUE CALOR!
(foto: elaine borges)
Lola passa grande parte do dia assim: com a vasta pelagem próxima ao ventilador. Só assim ela agüenta tanto calor. E isso que ela mora na Lagoa da Conceição onde, às vezes, bate um ventinho.
postado por: elaineborges 11:15 AM
Quinta-feira, Janeiro 18, 2007
MEU POSTO DE OBSERVAÇÃO
(foto: elaine borges)
Manhã de quinta-feira. Da janela - meu posto de observação predileto - vejo que o dia vai ser tão bonito como tem sido nos últimos dias: céu azulzinho, algumas nuvens, à minha direita a ponte Hercílio Luz - bela como sempre... Posso querer mais? Há o excessivo calor que eu não curto. Meus pêlos (uma verdadeira capa) me fazem ficar mais sonolenta do que já sou. E nem sempre posso ficar na janela devido ao sol. Mas, quando posso, estou ali, vendo os pássaros, algumas gaivotas (às vezes fico frustrada - gostaria muito de praticar meu instinto selvagem: caçar passarinhos, por exemplo).
Ultimamente tenho observado que minha amiga de duas patas (companheira de sempre) anda muito silenciosa. Mas acho que sei porque: a tragédia que ocorreu em São Paulo deixa qualquer ser humano (e até nós) muito triste. Imaginem só: uma senhora de 75 anos vai ao médico e, de repente, puft, uma imensa cratera se abre sob seus pés e ela é sugada pela terra e some. Na mesma hora e no mesmo lugar, uma jovem advogada, 37 anos, três filhos, está dentro de uma van a caminho de casa e a mesma cratera suga o carro onde está acompanhada por mais cinco pessoas (o motorista, o cobrador e quatro passageiros). Há ainda o motorista de um caminhão. Ele estava lá, conversando com um amigo, quando sentiu que a terra sob seus pés se movimentou. O amigo correu, mas ele voltou para pegar sua carteira de motorista: foi também sugado por um monte de terra.
Há uma semana São Paulo vive dias de intensa emoção e tristeza. A imensa cratera que se abriu numa das regiões onde passa o metrô em construção deixou quase 200 famílias sem lar. Histórias de uma vida inteira, de famílias que há 45 anos moravam em suas casas e tiveram que sair praticamente com a roupa do corpo. Deixaram para trás a história de suas vidas e têm pela frente uma incógnita: serão ressarcidos dignamente? O seguro pagará o justo,o correto? E os abalos psicológicos: senhores e senhoras de 60, 70 anos, crianças, jovens, ficaram sem nada, morando provisoriamente em hotéis porque suas casas sofreram rachaduras e podem desabar.
Eu, cá do meu posto de observação, vendo pela televisão tanta tragédia, constato que os humanos sofrem muito com a morte. Ela vem sem aviso. Vejam só o que ocorreu em São Paulo...Quanta tristeza meu Deus! Nós não raciocinamos, nossos instintos são básicos (no meu caso é comer e dormir - muito - e às vezes brincar com bolinhas de papel, bolas de gude, ratinhos "falsos"...) e a morte vem sem que nossa cabecinha registre. Não pensamos nela (aliás, nem pensamos). O tempo pra nós não existe. Nem a memória. Mas percebo que quando tragédias se abatem sobre o mundo dos humanos minha amiguinha sofre pacas.
Por isso gosto de vê-la ao meu lado, vendo nosso belo visual cá do nosso apartamento. Eu vejo coisas que nem sei explicar. Ela se ilumina ao ver tanta beleza. E, por minutos, deixa a tristeza de lado.
postado por: elaineborges 11:17 AM
Sábado, Janeiro 13, 2007
SOL E MAR
(foto: elaine borges)
Meio-dia, sábado, Florianópolis: 30 graus.
postado por: elaineborges 12:27 PM
POLUIÇÃO VISUAL (1)
É incrível a poluição visual na Ilha de Santa Catarina, onde parece não existir lei. O pior cenário fica entre o chamado Trevo da Seta e Rio Tavares, no acesso às praias do Sul. Placas de todos os tipos e tamanhos invadem áreas públicas, praticamente junto ao asfalto das rodovias. Que tal uma campanha anti-poluição como a que está em andamento em São Paulo?
O registro é do Raul Sartori, no
Anexo do jornal
A Notícia de hoje. É mais um a tentar chamar a atenção para o grande número de out-doors, painéis, placas, que estão poluido visualmente a Ilha.
postado por: elaineborges 12:24 PM
Sexta-feira, Janeiro 12, 2007
SAMBAQUI
(foto: elaine borges - junho 2006)
Ah, que saudades do inverno!
postado por: elaineborges 10:56 PM
Quinta-feira, Janeiro 11, 2007
FLORIANÓPOLIS : BEM NO FOTO
Somos assunto na mídia. Hoje a Folha de S.Paulo dedica todo o seu caderno de turismo à Florianópolis. Com o título
Florianópolis vira capital das baladas neste verão são páginas e mais páginas sobre o a capital de Santa Catarina e o litoral. "Um lugar ao sul" é o subtítulo de textos sobre os preços que a partir de década de 90 subiram astronomicamente;ou sobre as baladas com música de todo gênero, com destaque para a eletrônica que "faz de SC uma espécie de Ibiza", observando que São Paulo já não é mais "o único destino de grandes nomes da eletrônica" pois agora tem o Warung, em Balneário Camboriú ... E por ai vai.
Mas há também o outro lado, o dos "perrengues" cuja lista é imensa.
Eis alguns trechos dos "perrengues" citados na matéria:
-
As estradas que serpenteiam o morro da Lagoa da Conceição e o morro da praia Brava oferecem vistas fantásticas, é verdade. Mas andam apinhadas como a 23 de Maio, em São Paulo -e na virada do ano e começo de janeiro, mais apinhadas que nunca justamente por causa do fluxo menor na 23 de Maio.
- Placas de diversos Estados já se enfileiram até mesmo ali pelas 6h30 na via Expressa, que conecta Florianópolis a São José, cidade vizinha. O ano todo. E há obras como a do elevado no Itacorubi, perto da SC-401, rodovia que leva à parte norte da ilha, que não ficaram prontas até o verão e estão interrompidas para não atrapalhar o fluxo de veículos.
- Há pouco mais de dez anos havia, na hoje megamilionária praia de Jurerê, terrenos por cerca de US$ 7 mil, valor com que se paga seis diárias de aluguel em algumas casas locais na virada do ano. Atualmente, nos lounges de Jurerê, na areia, ingressos masculinos para o último Réveillon estavam custando em torno de R$ 400.
- No morro da Cruz, no centro, já conviviam parte dos grupos de maior e menor renda da cidade, mas depois se tornou possível pedir uma pizza e não ser atendido - as telentregas preferem não subir certas ruas do morro por causa da violência ligada ao tráfico de drogas.
- Outro porém é o sistema de esgoto local, que se reverte em poluição das águas do Ribeirão da Ilha, onde há cultivo de ostras, por exemplo. A assessoria de imprensa da prefeitura de Florianópolis cita a inauguração de sistemas de esgoto na Barra da Lagoa e na Lagoa da Conceição e diz ter como meta, até o final de 2008, 80% da rede de que a cidade necessita.
Faltou dizer: que a poluição atinge várias praias do litoral catarinense; que a violência aumenta a cada dia; que há seqüestros relâmpagos; que há poucos salva-vidas nas praias; que os congestionamentos são diários; que falta água em diversos balneários; que a especulação imobiliária é draconiana...
Mas a Ilha ainda tem seu charme. Pena que este paraíso está sob constante ameaça.
Até quando continuará sendo a bela Ilha da magia?
postado por: elaineborges 4:25 PM
Segunda-feira, Janeiro 08, 2007
A BELA LAGOA
(foto: elaine borges)
No sábado curti um lindo final de tarde na Lagoa da Conceição - local preferido dos turistas que cá estão. Vi famílias de veranistas fazendo verdadeiros pic-nics à beira da lagoa. Mas vi também pessoas solitárias, ali, sentadas debaixo das árvores, alheias ao que acontecia ao redor. A Lagoa ainda é um lugar aprazível (apesar dos pontos poluídos, dos engarrafamentos, dos peixes fritos em azeite requentado...).
(foto: elaine borges)
postado por: elaineborges 5:14 PM
Sexta-feira, Janeiro 05, 2007
POLUIÇÃO VISUAL
A crescente apropriação da cidade de São Paulo pela incontrolada publicidade constitui uma agressão ao patrimônio ambiental urbano. É uma usurpação de referenciais urbanos com os quais a população se identifica, dada a sua base histórica e sociológica.
Fundamenta-se essa consciência histórica na percepção do universo social como algo submetido a um processo contínuo de transformação. Para Saramago, " a modernidade não se sustém se não tiver atrás de si uma sólida consciência do tempo, da cultura e da história".
O trecho acima é de um artigo do arquiteto Benedito Lima de Toledo, professor-titular da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, publicada no
O Estado de S.Paulo de hoje comentando a lei já em vigor em São Paulo que proíbe a publicidade ( cartazes, outdoors, faixas, etc) na cidade. Decisão polêmica, é verdade, mas bem que poderia servir de exemplo para nossa cidade - a bela Florianópolis que, a cada dia, ostenta uma "mar" de enormes cartazes distribuidos até mesmo em áreas de preservação permanente. A estética urbana da nossa bela Ilha está comprometida. Já comentei este assunto anteriormente mas continuo indignada ao ver tanta publicidade invadindo nosso espaço urbano - espaço que é de todos, da coletividade, mas é tratado como propriedade de poucos.
postado por: elaineborges 11:24 PM
Quarta-feira, Janeiro 03, 2007
ILHA SEM MAGIA
(Praia da Joaquina - foto: elaine borges)
Rodovias com intenso movimento, acidentes com mortes, falta de água nos balneários do norte da Ilha e Balneário Camboriú (litoral norte), preços exorbitantes nos supermercados e restaurantes (uma seqüência de camarão chega a custar 120 reais), aluguéis de imóveis caríssimos (alguns custam de seis a dez mil reais a diária), caos em vários trechos do litoral... Veranear no litoral catarinense tem seu preço. "É humilhante" como desabafou uma paulista em reportagem no
DC de hoje. "Nunca passei por uma situação dessas", disse. Seu marido vai no mesmo tom: "é inaceitável que se faça propaganda turística sem oferecer condições para receber os visitantes". Ambos reclamavam da falta de água no Balneário Camboriu, onde há 15 dias não vêem pingar uma gota de água nas torneiras do imóvel que alugaram. Em Canasvieiras, Ingleses, Lagoinha e Ponta das Canas (litoral norte da Ilha) embora a direção da CASAN tenha prometido que não faltaria água nesta temporada, a promessa não está sendo cumprida. O que fica evidente é que a falta de infra-estrutura no litoral e em Florianópolis, principalmente, transformam a temporada de verão num verdadeiro caos. O simples ato de ir-e-vir exige do motorista uma imensa dose de paciência. E quando chove - como agora - a confusão no trânsito se transfere para as vias de acesso ao Shopping Beira-Mar. Sem ter o que fazer, todos os turistas decidem ir às compras. E chegar como? Mais engarrafamento, mais confusão no trânsito, mais paciência...
A tão decantada Ilha da Magia nestes momentos fica com seu famoso encanto totalmente abalado.
postado por: elaineborges 3:33 PM
Terça-feira, Janeiro 02, 2007
EDUCAÇÃO, POR FAVOR!
Florianópolis dobra a sua população durante o Verão. E se é verdade que nem todos os nativos são a fina flor da elegância, é certo que a vinda de milhares de pessoas de outros lugares aumenta os dissabores dos cidadãos: lixo na praia, lixo na rua, discussões e indisciplina no trânsito, carros com som ligado no último volume, farofeiros que se instalam sem respeitar o espaço dos outros na areia, jovens folgados que sentam no meio da calçada e não estão nem aí com os outros, motoristas que, no engarrafamento, furam a fila pelo acostamento, enfim, faça você também, leitor(a), a sua lista de situações que irritam todos aqueles que prezam por uma convivência com o mínimo de respeito e educação.
De Cacau Menezes - na sua coluna de hoje no
Diário Catarinense.
postado por: elaineborges 1:58 PM
Segunda-feira, Janeiro 01, 2007
A LUA NA LAGOA
(foto: elaine borges)
Em vários momentos das primeiras horas do novo ano vimos, da sacada, a lua que ora surgia, ora se escondia entre as nuvens, enquanto cá e lá fogos de artifício coloriam o céu na Lagoa da Conceição da bela Ilha de Santa Catarina.
postado por: elaineborges 11:49 PM
RECEITA DE ANO NOVO
Carlos Drummond de Andrade
Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)
Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
postado por: elaineborges 11:17 PM