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Balaio de Siri

Um balaio onde tudo cabe: comentários sobre livros, filmes,discos,política,notícias em geral...Balaio de Siri é em homenagem a uma antiga moradora de Florianópolis que gostava de pegar siri na Lagoa da Conceição.



Segunda-feira, Abril 30, 2007

LAGARTEANDO...

(foto: elaine borges)

Manhã outonal (24 graus) a Baby resolveu curtir o sol e escolheu um lugar tranqüilo para lá ficar, lagarteando...

postado por: elaineborges 12:46 PM


Sexta-feira, Abril 27, 2007

TRAGÉDIA

Triste ver as cenas de choro, desespero, das famílias junto ao incêndio que destruiu ontem à tarde o Super-Mercado Rosa, na praia dos Ingleses, em Florianópolis. Pior foi saber que o culpado pela tragédia que causou duas mortes e 30 feridos, foi um jovem de 19 anos que, armado, entrou no estabelecimento, jogou alcool no chão no setor de produtos de limpeza e ateou fogo. E hoje ouvimos depoimentos de amigos e familiares do culpado que morreu carbonizado afirmando que o rapaz era dócil, educado, conversava com todo mundo. Teria sido demitido do Super-Mercado e, revoltado, resolveu se vingar. É mais um caso daqueles que nada justifica. Vidas humanas foram destruidas. E fica a pergunta: o que leva jovens a praticar gestos tão desumanos?

postado por: elaineborges 12:56 PM


COMO AVESTRUZ

Na Folha de hoje Clóvis Rossi comenta a pesquisa que informa que o brasileiro se interessa mais por temas como ciência, saúde, meio-ambiente do que por política.E ele tem razão. Embora não seja nosso tema predileto, a política é determinante até mesmo na ciência e ignorá-la é agir como avestruz, enterrando a cabeça na areia. Ficar atento aos assuntos da política exige boa dose de paciência. Ás vezes temos até engulhos, mas pior é ignorar o que se passa nesse mundo tão cheio de sombras.

Eis a íntegra da coluna e que merece a transcrição:

DESISTIMOS?

PARIS - Está em texto de Vinicius Abate, publicado ontem, uma das razões, provavelmente a principal, para a podridão política que assola o país. Diz o texto: "Os brasileiros se interessam mais por ciência do que por política.
É o que revela pesquisa divulgada pelo Ministério da Ciência e Tecnologia. Quando estimulados a responder sobre o nível de interesse que têm sobre ciência, 41% disseram ter "muito interesse". Quando o assunto é política, o índice de pessoas que dizem ter "muito interesse" cai para 20%".
Nada contra a ciência, claro.
Tampouco chega a ser uma grande novidade o desinteresse pela política. O que espanta é, primeiro, o baixíssimo número dos que têm "muito interesse" pela política. Segundo, o fato de haver o dobro de interessados em ciência, ramo que sempre foi dito como árido (política pode ser sórdida, no Brasil, mas árida com certeza não é; ao contrário, está sempre grávida de emoções fortíssimas e indignações idem).
Até entendo as razões do desinteresse. Mesmo quem, como eu, ganha a vida escrevendo sobre política, na maior parte das vezes, tem crescentes dificuldades para manter a concentração e, ainda por cima, não usar palavrões.
O problema é que não há como fugir do fato de que política acaba sendo determinante. Determinante até para a ciência, ao menos no que toca à alocação de verbas, questão crucial em qualquer país.
Logo, fugir da política equivale a fugir da vida, equivale a bancar o avestruz, enfiando a cabeça na terra para não ver a cavalgada de trambiques que passa por política no Brasil. Equivale a entregar a política a esse pessoal que fez dela caso de polícia.
Admito que está muito difícil de convencer o cidadão sufocado a não desistir. Mas não custa lembrar que, se insistir pode não mudar nada, desistir com certeza é preservar a sujeira.


postado por: elaineborges 12:41 PM


Quarta-feira, Abril 25, 2007

BEIRA-MAR NORTE

(foto: elaine borges)

Florianópolis: Av.Beira-Mar Norte, sábado, feriado, 30 graus.

postado por: elaineborges 1:09 AM


BONS MOMENTOS

(fotos: elaine borges)

Nós, da Sociedade Amantes da Leitura, estamos só sorrisos. Como não ficarmos felizes com as presenças dos mais ilustres escritores de Santa Catarina no último final de semana na nossa Biblioteca Barca dos Livros? Pois lá estiveram Eglê Malheiros, Salim Miguel e Flávio José Cardozo, escritores dos mais respeitados do país e que nós, de Florianópolis, temos a honra de conviver. Eglê leu trechos do seu belo livro infanto-juvenil "Os Meus Fantasmas" (Ed.Movimento) e Flávio leu "O Tesouro da Serra do Bem-Bem" (Ed. Saraiva), sua primeira - e bem sucedida - tentativa de se lançar na área da literatura infanto-juvenil. E Salim lá estava, trocando idéias, conversando, estimulando as promoções da Sociedade Amantes da Leitura.
No domingo também ouvimos a leitura de trechos da obra de Cecília Meirelles "O Romanceiro da Inconfidência" pelos atores Margarida Baird e Jaime Baú.
Bons momentos.

postado por: elaineborges 12:51 AM


Quinta-feira, Abril 19, 2007



(foto: elaine borges)

O céu que nos protege.

postado por: elaineborges 1:54 PM


UM DIA, UMA GATA

(foto: elaine borges)

Um dia, uma gata quis olhar o mundo com os olhos dos humanos. Mas tinha um dom especial: via também a alma dos humanos, lia seus pensamentos. E para distinguir uma voz da outra, entender seus dramas, e, o mais importante, o caráter dos humanos, passou a "pintar" as pessoas. Azul eram as cândidas, suaves, leves; vermelha as sanguíneas, violentas, irritadas, impacientes, vingativas; verdes as esperançosas; amarelas as mais atentas, mas desconfiadas. E tinha também àquelas que cintilavam, brilhavam, piscavam como as estrelas que via quando, da janela, olhava o céu.
Foi bom, por um tempo, ver o mundo colorido dos humanos. Mas a gatinha começou a perceber que o mundo dos de duas patas, que andam eretos, que pensam, raciocinam, falam, não era lá grande coisa. Lia pensamentos obscuros, maldosos... Percebeu que muitos humanos pensavam uma coisa, mas falavam outra. Ler o pensamento das crianças era bem mais legal. Ouvia um turbilhão de palavras, de frases desconexas, algumas ela não entendia, mas percebia que era alguma brincadeira. Ela também gostava de ouvir as vozes dos velhinhos, de ler seus pensamentos. Eram sempre voltados para o passado. Quase sempre iniciavam seus pensamentos assim: "No meu tempo..."
Ultimamente, no entanto, a gatinha começou a se desfazer do seu dom. Percebeu que os "vermelhos" estavam se sobressaindo aos demais. Muita vingança, homens matando seus iguais, crianças sendo assassinadas... Mas o que mais horrorizou a gatinha foi o que ocorreu na Universidade de Virginia, nos Estados Unidos. Olhando as imagens na televisão, viu pessoas de várias cores, mas quando viu a imagem do jovem que matou seus colegas, seus pêlos se irisaram: ele estava todo vermelho, dos pés à cabeça. Horrorizada, a gatinha correu para o sofá, voltou a cabecinha, encolheu as patinhas e lá ficou um tempão, até passar o susto. E agora não tem certeza se quer readquirir o dom de olhar o mundo com os olhos dos humanos. E nem ver suas cores. Teme ver muito mais homens com cores vermelhas sobressaindo aos azuis, verdes, amarelos... E não ver nunca mais os brilhantes que cintilam como as estrelas.

postado por: elaineborges 1:21 AM


DESLUA

Mas em deslua, no escuro feito, é um escurão, que peia e pega.

Grande Sertão: Veredas - Guimarães Rosa

postado por: elaineborges 12:25 AM


Quarta-feira, Abril 18, 2007

EL CRISTAL

En este mundo traidor
nada es verdad, ni es mentira.
Todo está em el color
del cristal em que se mira.


(autor desconhecido).

Não se preocupe em "entender". Viver ultrapassa todo entendimento.

Clarice Lispector - A Hora da Estrela

postado por: elaineborges 2:20 PM


Segunda-feira, Abril 16, 2007


OUTONO

(foto: elaine borges)

Folha na relva - outono.

postado por: elaineborges 1:49 PM


Sábado, Abril 14, 2007

LAGOA DA CONCEIÇÃO


(fotos: elaine borges)

Dois momentos: sábado, Lagoa da Conceição, Florianópolis.

postado por: elaineborges 7:24 PM


A FRASE

A literatura, às vezes,
é uma voz embriagada que canta
.

João Gilberto Noll.

postado por: elaineborges 1:39 AM


A VOZ DO NARRADOR

Lá estava ele, lendo trechos do seu livro "Lord". Silêncio. Só a voz, falando de um homem andando pelas ruas de Londres. Caminhando. Essa é a essência da obra literária de João Gilberto Noll que ontem ouvimos ler trechos de um de seus livros na Sociedade Amantes da Leitura, na Lagoa da Conceição. Foi um momento raro: ouvir um autor ler seus textos. Noll tem uma voz bonita, profunda, que exige silêncio para ouvi-la - e o silêncio se fez. E leu trechos de um de seus tantos personagens anônimos, que caminham, buscam, olham, sofrem... Personagens sem nome, perturbadores, às vezes. Seus contos são cinematográficos. Tanto que vários deles já viraram filme. Um deles foi Alguma coisa urgentemente , do premiado livro O Cego e a Dançarina, o primeiro editado de um total de 13, selecionado para figurar no livro Os cem melhores contos brasileiros do século, em 2000, e que resultou também no filme Nunca fomos tão felizes(1984) de Murilo Salles.
Na conversa, Noll disse ver a literatura como um acontecimento, que conduza o leitor para um momento profundo, ritualístico. E a leitura de ontem, foi, sim, um acontecimento.

Já em casa, fui terminar de ler o romance Rastros do Verão (seu quarto livro), e lá estava o homem sem nome perambulando por uma Porto Alegre vazia, em pleno período carnavalesco.

ALGUMA COISA URGENTEMENTE

Os primeiros anos de vida suscitaram em mim o gosto da aventura.O meu pai dizia não saber bem o porquê da existência e vivia mudando de trabalho, de mulher e de cidade. A característica mais marcante o meu pai era a sua rotatividade. Dizia-se filósofo sem livros, com uma única fortuna: o pensamento. Eu, no começo, achava o meu pai tão-só um homem amargurado por ter sido abandonado pela minha mãe quando eu era de colo. Morávamos então no alto da Rua Ramiro Barcelos, em Porto Alegre, o meu pai me levava a passear todas as manhãs na Praça Júlio de Castilhos e me ensinava os nomes das árvores, eu não gostava de ficar só nos nomes, gostava de saber as características de cada vegetal, a região de origem. Ele me dizia que o mundo não era só aquelas plantas, era também as pessoas que passavam e as que ficavam e que cada um tem o seu drama. Eu lhe pedia colo. Ele me dava e assobiava uma canção medieval que ele afirmava ser a sua preferida. No colo dele eu balbuciava uns pensamentos perigosos:
- Quando é que você vai morrer?
- Não vou te deixar sozinho, filho.
Ele me falava com o olhar visivelmente emocionado e contava que antes me ensinaria a ler e escrever. Ele fazia questão de esquecer que eu sabia de tudo o que se passava com ele. Pra que ler? - eu lhe perguntava. Pra descrever a forma desta árvore - ele me respondia um pouco irritado com a minha pergunta. Mas logo se apaziguava.
- Quando você aprender a ler vai possuir de alguma forma todas as coisas, inclusive você mesmo.


Acima, trecho do conto Alguma coisa urgentemente.

postado por: elaineborges 1:36 AM


Quinta-feira, Abril 12, 2007

A BARCA DOS LIVROS


(fotos: Ronaldo Segalin)

Continuam as atividades da Abril com Livros, promoção da Sociedade Amantes da Leitura. Nesta sexta-feira será a vez de ouvir o escritor João Gilberto Noll falar sobre "A Voz do Narrador" na Biblioteca Barca dos Livros ( Rua senador Ivo D'Aquino, 103 - Lagoa da Conceição). Para quem não sabe, a biblioteca faz parte de um projeto mais ambicioso: construir uma barca/biblioteca que percorreria a lagoa, emprestando livros aos pequenos leitores. E enquanto a barca não sai ( já conta com aprovação da Lei Rouanet) os livros - cerca de 5.000 - já estão sendo catalogados na biblioteca e breve estarão disponíveis. Por enquanto, já é possível manuseá-los na bela casa alugada, onde também funciona o Rosen Café.

postado por: elaineborges 12:27 AM


Terça-feira, Abril 10, 2007

EXTRAORDINÁRIO


Para quem gosta de cinema este é um DVD obrigatório: "Morricone por Morricone". Emocionante, extraordinário! Acabei de ver e me deliciar com músicas de filmes inesquecíveis. Lá estão, entre outras, "Era Uma vez no Oeste", "Três Homens em Conflito", "O Deserto dos Tártaros", "Os Intocáveis", "Era Uma Vez na América" e, talvez um das mais belas músicas de cinema, a tocante "A Missão". O próprio Morricone é o regente da Orquestra Filarmônica de Munique, num concerto de quase duas horas e 22 músicas executado em 2004. Além da seleção musical excelente (Morricone é autor de quase 400 músicas para filmes), O DVD (da Versátil Home Vídeo) tem também Extras: seleção de músicas e a extensa biografia do compositor.
Fica minha sugestão para quem curte cinema e música e, sobretudo, as belas trilhas sonoras do Ennio Morricone - tão justamente homenageado na última entrega do Oscar, em fevereiro último.

postado por: elaineborges 11:35 PM


Segunda-feira, Abril 09, 2007

VERGONHOSO

"Apesar de toda encenação prévia, o papel da Polícia Militar na repressão à farra-do-boi foi lamentável, vergonhoso,apenas de fachada, fingido. Se não fizesse nada, talvez a sanha cruel dos farristas não fosse tão abusada e criminosa".

De Raul Sartori na sua coluna de hoje no jornal A Notícia.

postado por: elaineborges 11:21 PM


BALANÇO DA BARBÁRIE

Um total de 292 farras-do-boi foram registradas neste ano no litoral de Santa Catarina, 30% a mais do que no ano passado. Esta é uma das mais tristes estatísticas contabilizadas pela Polícia Militar. Cenas de entristecer, revoltar, envergonhar foram registradas pelas câmeras dos cinegrafistas: animais sendo fustigados, agredidos, torturados. Um boi foi encontrado morto na praia de Ingleses; um rapaz morreu num acidente de moto quando participava da "brincadeira" em Governador Celso Ramos; soldados da PM foram apedrejados pelos farristas...Enfim, a farra-do-boi virou um desafio: de um lado a fraca tentativa da polícia de inibir os farristas e , de outro, homens, mulheres, até crianças correndo atrás dos pobres animais. A violência imperou. E a grande vítima é o animal, transformado em "objeto" de uma brincadeira bárbara praticada em nome de uma "tradição" trazida pelos açorianos.

postado por: elaineborges 11:16 PM


OUTONO CHEGANDO


(fotos: elaine borges)

Parece que o outono - finalmente - chegou. Hoje cá na Ilha o vento sul deixou o dia agradável, com temperaturas oscilando entre 25/27 graus. No domingo, nuvens cobriram o céu e em Ponta das Canas o mar, o céu, as nuvens formavam um conjunto belo, digno de uma tarde de outono.

postado por: elaineborges 11:03 PM



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