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Balaio de Siri

Um balaio onde tudo cabe: comentários sobre livros, filmes,discos,política,notícias em geral...Balaio de Siri é em homenagem a uma antiga moradora de Florianópolis que gostava de pegar siri na Lagoa da Conceição.



Sábado, Julho 21, 2007


O GESTO DO ESCÁRNIO

Há tragédias que não se consegue descrever, comentar, falar. As lágrimas saltam aos olhos, a boca seca, sente-se uma dor imensa. Foi assim e está sendo quando se vêem cenas tão tristes devido ao acidente com o avião da TAM, que causou mais de 200 mortes. Mas há também cenas que revoltam, enraivecem e aumentam ainda mais nossa indignação com um governo insensível como este que tem como líder maior o Lula, o ex-operário. A cena é aquela do Ministro das Relações Internacionais, Marco Aurélio Garcia, que com uma mão fechada e outra aberta fez o gesto obsceno que todos conhecem ao ver a notícia de que o avião da TAM estava com defeito no reversor e poderia ser a causa do acidente. Meu Deus, quanta insensibilidade! Com o gesto ficou claro que o importante era livrar o governo da responsabilidade de tantos problemas no setor aéreo. Problemas que se arrastam desde setembro do ano passado, com o desastre da Gol.
O jornalista Fernando Rodrigues, da Folha, expressa bem o gesto que ele chamou de "gesto didático";

Um gesto didático
BRASÍLIA - Se tudo começa e termina na política, não seria diferente com a tragédia do avião da TAM. A evidência maior são as imagens de Marco Aurélio Garcia apresentadas pela TV Globo -e amplamente divulgadas na internet. O assessor especial de Lula assistia a uma reportagem na TV apontando a existência de falha mecânica no avião acidentado. Em resumo, as mortes não teriam sido (apenas) em decorrência da desídia do governo. Marco Aurélio comemorou com um gesto obsceno. Bateu a palma de uma mão estendida contra a outra, fechada.
O petista encarnou ali toda a administração federal lulista. Era como se quisesse dizer: "A culpa não é só nossa. Vocês dançaram". Mas "vocês" quem? A maioria da população que certamente enxerga alguma culpa do governo? A mídia? Todos os não-lulistas? Aquele gesto de Marco Aurélio, a rigor, é didático. Mostra a farsa das declarações de pesar dos políticos quando acontece uma tragédia. Em público, fingem consternação. Os de oposição vão até o local onde estão os mortos. Alguns choram. Encenam a solidariedade necessária. Os governistas se fecham em seus gabinetes. Procuram desculpas.
Uma coisa os une: a obsessão sobre tirar proveito político de tudo. Ao comemorar a possível dispersão de responsabilidades sobre o acidente com o avião da TAM, Marco Aurélio nos coloca em contato com a política em seu estado mais puro. Não importa resolver o caos no setor aéreo. O relevante é salvar a própria pele. E comemorar depois a desgraça dos adversários.
O petismo reviveu o funesto episódio protagonizado por Rubens Ricupero, em 1994, quando o então ministro da Fazenda cunhou a famosa frase: "Eu não tenho escrúpulos. O que é bom a gente fatura; o que é ruim, esconde". Marco Aurélio, como Ricupero, não conseguiu esconder. Melhor assim.

postado por: elaineborges 1:29 PM


VOZES DA LAGOA

(foto: elaine borges)

Era assim - como está descrito na fala da Carolina, nascida nas primeiras décadas do século XX - que se dividia terrenos na Lagoa da Conceição. O relato está no Vozes da Lagoa, a ser lançado em sua segunda edição amanhã, na Casarão da Lagoa. Festa pra nós, autoras. O livro é nossa joínha e nele estão relatos de um tempo em que na Lagoa "tudo era mato". Hoje os terrenos custam uma fortuna...

UM CHÃOZINHO DE TERRA
Carolina – Retiro da Lagoa

Aqui não compravam terreno.
Chegava alguém, queria fazer uma casa e dizia:
- Oh Tiberto – Felisberto Teixeira, meu pai – quero fazer uma
casinha, mas não tenho um chãozinho e eu queria que me desses.
E o meu pai respondia:
- Faz, faz onde você quiser.
No outro dia, vinha outro, e foram fazendo as casas assim.
Papai nunca vendeu um pedaço de terreno.

postado por: elaineborges 1:05 PM


Segunda-feira, Julho 16, 2007


SÁBADO NA LAGOA

(foto: elaine borges)

O menino aproveitou a bela manhã de sábado e ficou alguns minutos lá, pescando no trapiche da Lagoa da Conceição.

postado por: elaineborges 4:00 PM


Sexta-feira, Julho 13, 2007

LULA VAIADO NO MARACANÃ

Foi uma festa bonita, fogos de artifício, o hino nacional cantado com emoção por Elza Soares, mas o que valeu mesmo a pena ver foi a estrondosa vaia dada ao Lula por 90 mil pessoas que lá estavam na abertura dos Jogos Pan-Americanos. O povo carioca manifestou a grande insatisfação de muitos brasileiros ao homem que um dia representou nossa grande esperança de que, no seu governo, teríamos um país mais justo e igualitário, mas que hoje está deslumbrado com o poder.
Li agora no blog do Noblat o ótimo texto do Luiz Cláudio Cunha, competente jornalista de boas e excelentes reportagens, já tendo passado pela Veja, Istoé, e sempre desempenhando com ética e capacidade sua profissão.
Eis o que ele escreveu e que transcrevo:

Enviado por Luiz Cláudio Cunha - 13.7.2007| 22h24m
Lula no Maracanã

A cerimônia de abertura do PAN 2007 no Maracanã, nesta noite, revelou duas novidades ao país: a auto-estima recuperada do Rio de Janeiro, depois de tantas notícias negativas e sangrentas, e a baixa-estima popular escancarada com a vaia monumental de 90 mil pessoas ao presidente Lula, depois de tantas pesquisas de opinião triunfais e inebriantes.



A festa, belíssima, com as cores e a energia que só o Rio seria capaz de produzir, pode ser o marco de uma trajetória de alto astral que sempre foi a marca da Cidade Maravilhosa, até ser acuada e desfigurada anos atrás pelo crime organizado e pelo tráfico de drogas, que mata, vicia, assusta e corrompe.



A vaia, estrondosa, pode ser um ponto de inflexão na curva estável de popularidade de um presidente que resiste a tudo – navalha, Zé Dirceu, sanguessuga, Palocci, mensalão, vampiros da Saúde, Delúbio, os aloprados do PT, Waldomiro Diniz, furacão, Vavá.



Impávido, Lula atravessou este circo de horrores indiferente, cego e surdo a tudo e a todos. Não era nada com ele, embora respingando no ministro do peito, no assessor de confiança, no gabinete ao lado, no irmão ingênuo e simplório.



Na rede de Lula, era tudo lambari, incapazes de serem confundidos com os verdadeiros tubarões da corrupção. E isso, segundo as pesquisas de vários institutos, medida ao longo de meses a fio, era a percepção dos brasileiros, pacientes e complacentes, cada vez mais encantados com o presidente da República e com os números vigorosos de uma política vigorosa e estável.



Estádio nunca foi problema para Lula. Desde o campo de Vila Euclides, no ABC paulista, onde ele se projetou como herói da classe trabalhadora em plena ditadura, comandando greves e plantando as sementes do primeiro partido operário de massa da política brasileira.



Só agora, mais recentemente, num ou noutro evento Brasil afora, Lula experimentou o sabor amargo de vaias, geralmente de grupos menores que se infiltravam na solenidade. Parecia coisa de xiitas do MSLT ou de ressentidos da esquerda radical do PSOL e do PSTU.



Agora, no Maracanã, foi diferente. Nunca antes na história deste país, como diria o próprio Lula, um presidente foi vaiado por um Maracanã lotado.

Quando o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Nuzman, agradeceu ao microfone pelo apoio das três esferas de governo – federal, estadual e municipal -, ouviu-se o que milhares de pesquisadores dos institutos de opinião não escutaram nos últimos cinco anos. Uma sonora, clara, uníssona, retumbante vaia, capaz de consolar o juiz de futebol mais salafrário.

Nuzman teve o cuidado de não citar o nome, falou apenas em "presidente". Não adiantou. Na seqüência, quando o orador homenageou o "governador", sem citar o nome de Sérgio Cabral, a vaia prosseguiu, firme e forte. Só ao citar o "prefeito", sem declarar o nome de César Maia, é que a platéia, convertida, se derramou em aplausos e nítida aprovação. O que só deve ter piorado o impacto da cena na cabeça do presidente.

Minutos depois, quando o mexicano presidente do Comitê Olímpico das Américas anunciou a palavra iminente de Lula, nova e consagradora vaia. A cena final mostrou Lula, com um papel na mão, pronto para declarar o Pan do Rio oficialmente aberto, distinção reservada à maior autoridade do país. Diante do caos iminente, Nuzman retomou o microfone e poupou Lula do vexame final, fazendo ele mesmo a declaração de abertura.

Lula conseguiu ser o primeiro brasileiro amedalhado do Pan 2007. Não foi ouro, nem prata, nem bronze. O que foi, talvez só as novas pesquisas poderão mostrar.

postado por: elaineborges 10:55 PM


Quinta-feira, Julho 12, 2007

DE GERSHWIN, ELLA, NINA SIMONE....

Eu cansei de escrever, dizer, relatar que amo música. Ouço muito meus prediletos cantores, autores, regentes... É uma grande mistura. Mas quero agora contar o que estou escutando com muito entusiasmo: Rhapsody in Blue, do George Gershwin. Ontem vi na TV um especial registrando os 60 anos de sua morte e aí fui pra minha discoteca e comecei a me deliciar ouvindo suas músicas. Daí lembrei do filme Manhattan, do Woody Allen, que tem aquela magnífica abertura. E qual é a música? Rhapsody in Blue, muito popular e que ele compôs em 1924 (pesquisei na Wikipédia). Daí lembrei da Ella Fitzgerald (que vi cantar em P. Alegre) e da Nina Simone cantando magnificamente I love Porgy. Oh, quanta música linda e quantas esplêndidas cantoras!

postado por: elaineborges 6:08 PM


Terça-feira, Julho 10, 2007

BELÍSSIMA

(foto:elaine borges)

Não sei o nome dessa árvore. Está lá, em uma rua no bairro Santa Mônica. É belíssima.

postado por: elaineborges 1:09 AM


CAROLINA

Machado de Assis

Querida, ao pé do leito derradeiro
Em que descansas dessa longa vida,
Aqui venho e virei, pobre querida,
Trazer-te o coração do companheiro.

Pulsa-lhe aquele afeto verdadeiro
Que, a despeito de toda a humana lida,
Fez a nossa existência apetecida
E num recanto pôs o mundo inteiro.

Trago-te flores - restos arrancados
Da terra que nos viu passar unidos
E ora mortos nos deixa e separados.

Que eu, se tenho nos olhos malferidos
Pensamentos de vida formulados,
São pensamentos idos e vividos.


Estamos relendo em grupo - nós, da Sociedade Amantes da Leitura - Dom Casmurro, do grande escritor Machado de Assis. Cada leitura é uma redescoberta. Ele é mesmo the best - nosso maior escritor. Incomparável. Cada frase, cada capítulo, cada personagem que ele descreve, nos levam ao seu mundo imaginário. Ele conversa conosco, leitores entusiasmados. Ler Machado de Assis é não só obrigação de quem ama literatura, mas um grande prazer. Depois de lermos A Divina Comédia, de Dante, D. Quixote, do Cervantes, entrar nesse mundo machadiano é uma outra viagem. Indispensável.
E foi também - como se vê na poesia dedicada à sua mulher, quando ela morreu ( em 1906, dois anos antes da sua morte) - um grande poeta.

postado por: elaineborges 12:48 AM


Quinta-feira, Julho 05, 2007

DIA ENSOLARADO

(foto: elaine borges)

Florianópolis: 27 graus - 16h:02 min. Céu claro e limpo. Era pra ser inverno. Não é. O dia foi ensolarado e quente.

postado por: elaineborges 4:37 PM


INDIGNAÇÃO

(foto: elaine borges)

Passei a minha indignação pra Baby, que reagiu assim ao me ver tão sem esperanças.

postado por: elaineborges 3:47 PM


SEM ESPERANÇA

Há dias fiquei longe do blog. Um pouco de cansaço, fastio, às vezes tristeza ao ver o noticiário: a cena política está um desastre. Muita, mas muita decepção com o que vem ocorrendo no legislativo, no executivo, no judiciário... Cá na Ilha foram cassados os mandatos dos vereadores Juarez Silveira e Marcílio Ávila, resultado da Operação Moeda Verde que prendeu (e soltou) mais de 20 pessoas acusadas de terem favorecido grandes empresários, burlando a lei de proteção ao meio ambiente. Mas, não sei não, será que as falcatruas, os jeitinhos, os favorecimentos, não irão continuar? Há um jogo pesado a ser vencido. Esquemas envolvendo funcionários públicos, prefeitos, empresários... A Ilha de Santa Catarina tem um ecossistema delicado: mangues, dunas, rios, mata atlântica, lagoas... Pena que a ocupação desordenada do solo está destruindo toda essa beleza. Daí minha dúvida, meu ceticismo e a pergunta: a cassação dos dois vereadores representa um início de novos tempos, de mais ação dos fiscais da Susp, da Floram, do Ibama, de respeito às leis ambientais? Essa é a minha dúvida. Quero ter esperanças, mas tá difícil.

postado por: elaineborges 3:42 PM


ADEUS, LAMAS

Toda a vez que encontrava o Lamas ouvia suas críticas, a maioria pertinentes: "Não se faz mais jornalismo como antes, ninguém denuncia, são todo uns acomodados, as fotos não têm força de denúncia"... Ultimamente andava preocupado com a devastação do meio ambiente. Com sua câmera registrava o mundo que o rodeava, sempre com a preocupação da denúncia: um pôr de sol, pássaros ao longe...Tinha também um conjunto de fotos de grandes músicos (Gillespie, Hermeto Paschoal...). Fotos que ele sonhava publicar em um livro, mas não conseguiu. Olívio Lamas morreu dias atrás. Era um amigo, um grande fotógrafo. Fica na história do foto-jornalismo como o primeiro profissional que fotografou um aidético, em São Paulo. Com essa foto – publicada na revista Imprensa - ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo.

postado por: elaineborges 3:39 PM



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