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Balaio de Siri

Um balaio onde tudo cabe: comentários sobre livros, filmes,discos,política,notícias em geral...Balaio de Siri é em homenagem a uma antiga moradora de Florianópolis que gostava de pegar siri na Lagoa da Conceição.



Quarta-feira, Outubro 31, 2007

UM TAXISTA REVOLTADO

Fora de casa na hora que anunciaram que o Brasil será a sede da Copa do Mundo de 2014 fui atualizada pelos últimos acontecimentos por um dos amigos taxistas que costumam me levar nas minhas rápidas corridas pela cidade (não tenho carro). E tive a sorte de conversar com um dos mais atualizados - e também dos mais revoltados com o governo, com o PT, com Lula, com a corrupção... Enfim, meu amigo taxista não só é um ácido crítico dos descalabros dos governos - tanto o federal, como estadual e municipal e qualquer autoridade envolvidos com escândalos que constam na sua ampla lista - como gosta de trocar opinião com seus passageiros (as). E - confesso - também gosto de conversar com ele. E hoje meu amigo taxista não só me contou o que ouvira no rádio, como manifestou sua indignação: "Onde se viu, o país com tanta pobreza, sem hospital, escolas caindo aos pedaços e vão gastar um dinheirão para trazer uns vendidos, esses jogadores que só querem dinheiro, pra iludir o povo?" E continuou: "Lembra da última Copa, aquele fiasco, jogadores que mal se seguravam nas pernas, que só queriam festar?" Claro que dei razão a ele. Pena que a corrida de hoje foi curta. Ele estava extremamente revoltado e, se a corrida fosse mais longa, ouviria muito mais de um homem indignado com essa "bandalheira".

E ainda sobre o assunto, vale a leitura da coluna do Janio de Freitas na Folha de ontem.
Eis um trecho:

O BONDE

Governadores em viagem à Suíça contribuem para o propósito de desviar bilhões das necessidades prementes.

EM POSES e cores para todos os gostos, hoje a TV e amanhã os jornais vão brindar-nos com imagens de um grupo de governadores, encabeçado por seu presidente, em viagem à Suíça sob a justificativa geral de fazer "lobby" pela indicação do Brasil para sede da Copa do Mundo de 2014. O motivo citado é uma falsidade: o Brasil é candidato único, logo, não era necessária pressão alguma, a Fifa ficou sem alternativa. O que as imagens vão mostrar, de fato, não é um grupo de governadores com seu presidente, aquele que lhes solta verbas em troca de agrados, é o bonde dos irresponsáveis.
Bem à maneira carioca, assaltantes do Rio deram esse nome -bonde- ao tipo, digamos, de operação em que agem uns seguindo os outros, todos orientados para o mesmo objetivo. O bonde que se mostra na Suíça é uma contrafação do bonde carioca. De olho no duplo objetivo de agradar a Lula e de explorar os entusiasmos ingênuos dos seus eleitorados, o grupo de governadores está contribuindo para o propósito irresponsável de desviar vários bilhões das necessidades mais prementes, para uma espécie de festa que não faz falta ao Brasil.
O arrazoado que a Fifa recebeu com o compromisso do governo brasileiro é um amontoado de mentiras. Tanto sobre condições já existentes para sustentar a candidatura à Copa, entre as quais estão referências à infra-estrutura e à segurança absolutamente forjadas, como sobre disponibilidades do país para cumprir as exigências em construção de estádios e de mais e gigantesca infra-estrutura pelo país afora, para os eventos da Copa e para os alegados milhões de torcedores estrangeiros.
Tostão, hoje tão admirável no jornalismo quanto foi no futebol, anteontem lembrou na Folha, em ponderações sobre a Copa no Brasil, o gasto gigantesco com o Pan no Rio. O gasto admitido é superior a quatro vezes o custo apresentado para trazer os jogos. E não está incluída grande parte das obras presentes no custo orçado, mas não saídas do papel, como o metrô da Barra. Nunca foi apresentado o custo final e verdadeiro do Pan: é uma verificação que o Ministério Público Federal e o do Estado do Rio devem à população e à sua própria respeitabilidade. O que se sabe de certo é que os dados oficiais não são confiáveis, ou por incompletos alguns, ou porque falsos. Sem falar nas manipulações que multiplicaram custos de obras e equipamentos como milagres do padrão de moralidade nacional.

postado por: elaineborges 12:44 AM


Domingo, Outubro 28, 2007


(Baby - foto: elaine borges)

OUTRA GATA

Nelson Archer

Embora seja tão
minúscula, está viva
a gata que se esquiva
enquanto minha mão,
com mais de um arranhão,
conclui a tentativa
inútil e, à deriva,
afaga o nada em vão.
Fruindo em paz de sete
vidas, no entanto, a gata
faz sua toilette
e assim não se constata
que esconde um canivete
suíço em cada pata.

postado por: elaineborges 11:23 PM


Sábado, Outubro 27, 2007

A CIDADE DESFIGURADA

Olhar a feição da cidade e descobri-la desfigurada, vítima da cruel cirurgia do "progresso", é um grande choque. O rosto de Floripa está cheio de dentes, cheio de pentes, "alfinetes sobre uma almofada", como diria o poeta Walt Whitman sobre a Nova York desfigurada pela febre imobiliária.

De Sergio da Costa Ramos - trecho da sua coluna de hoje no DC.

E quando vejo no noticiário da TV que funcionários do IPUF recebiam terrenos do Grupo Habitasul em Jurerê Internacional (área cujo metro quadrado e o mais caro de Florianópolis) como pagamento por prestarem assessoria ao grupo, desconfio que a cidade continuará desfigurada. As licenças ambientais continuarão sendo fornecidas sem qualquer critério e a "quadrilha de servidores associada para a prática de crime contra a administração pública e contra o meio ambiente", como a delegada Julia Vergara - que presidiu o inquérito da Operação Moeda Verde entregue semana passada à Justiça federal - se refere aos 54 indiciados (32 são servidores públicos) vai sair ilesa desse processo. Que – pelos cálculos das autoridades do judiciário – levará no mínimo seis anos para ser concluído. Até lá a vítima maior continuará sendo Florianópolis, em rápido processo de deteriorização.

postado por: elaineborges 1:14 PM


FLORIANÓPOLIS

(foto:elaine borges)

Florianópolis: sábado, 26 graus, meio-dia. A cidade através da minha janela.

postado por: elaineborges 12:15 PM


Sexta-feira, Outubro 26, 2007


Pântano do Sul - foto: elaine borges

Uff! Estou há mais de cinco dias tentando postar fotos e não conseguia. Hoje - finalmente - consegui!

postado por: elaineborges 8:46 PM


Sexta-feira, Outubro 19, 2007


OS OMBROS SUPORTAM O MUNDO

Carlos Drummond de Andrade

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.


Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.


Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teu ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.

Do livro Nova Reunião - José Olympio Editora - 1985.

postado por: elaineborges 10:21 PM


Quarta-feira, Outubro 17, 2007

BONITO DE VER

Foi bonito ver pessoas reunidas lembrando um grande personagem de Florianópolis - Franklin Cascaes -, como vi ontem à noite lá no Teatro da UBRO. Gostei também de ouvir o escritor Salim Miguel fazer um pequeno reparo. Quis chamar a atenção sobre o excesso de "açorianismo" que às vezes toma conta dos debates. Lembrou ele que, se Florianópolis tem forte influência açoriana, não se pode esquecer que antes deles vieram os índios, depois os africanos, mais tarde os poloneses, os árabes, italianos e tantas outras etnias que formaram nossas cidades.

postado por: elaineborges 12:18 AM


Terça-feira, Outubro 16, 2007


Congresso Bruxólico - Franklin Cascaes (reprodução)

CONGRESSO BRUXÓLICO

Do livro O Fantástico na Ilha de Santa Catarina - de Franklin Cascaes – edição da UFSC/1979.

Fala a história popular ilhoa que mulheres-bruxas, chefes de bandos comunitários bruxólicos, se reúnem de tempos em tempos em lugares ermos, “pra mode” tratarem da organização e continuação da vida fictícia de suas sinas diabólicas através dos séculos, e também para prestarem obediência ao seu chefe inferneiro, o foguista, fogoso e gostosão, Anjo Lúcifer.

Os olhos da imaginação popular do homem da argila humana crua, desde os mais remotos tempos da sua aparição sobre esta bola de suposições variada e variantes, que anda girando por aí, embrulhada em invólucro de éter e de outras mais variedades supostas, conseguiu criar fantasias incríveis e gostosas de serem vividas, espiritualmente, quando o verdadeiro e palpável atormenta.

Dentro deste turbilhão de sacrifícios que hoje enfrentamos, amordaçados por uma sociedade avara de riquezas, orgulho, sacrifícios e incertezas, reviver um pouco dessas fantasias bruxólicas que estou pondo em vida cultural é, creio, um tanto quanto agradável e aceitável.

Afirma a madame História que, nestes Congressos Bruxólicos, as filiadas de bandos comunitários não comparecem, pois, segundo as fantasias, só as chefes têm acesso aos gabinetes rubros do Anjo Lúcifer.

Neste casarão telhado com víboras e terreiro atapetado de aranhas – que mostra o desenho – vemos a presidente do congresso na porta ladeada pela sua secretária, recebendo suas colegas que já estão chegando de várias comunidades bruxólicas imaginárias da terra. Esta casa teria vivido junto à Pedra Braba, na Ilha de Santa Catarina, de muito bom acordo com a cultura popular açoriana e, consequentemente, da Desterrense.

É rica, bela, admirável e invejada a imaginação popular dos teus habitantes descendentes de açorianos, oh! Minha querida Ilha de Santa Catarina de Alexandria.

Cascaes - 1964

postado por: elaineborges 4:39 PM


FRANKLIN CASCAES E SEU MUNDO MÁGICO

"Meus lobisomens, bruxas, demônios e boi-tatás, existem". Quem afirmava isto com muita convicção era Franklin Cascaes que, se vivo fosse, hoje estaria completando 99 anos (1908/1983). Conheci Cascaes na década de 70. Naqueles dias, estava indignado porque iam transformar uma igrejinha de Itaguaçu (parte continental de Florianópolis) em uma casa noturna. Uma afronta, um desrespeito à Igreja e aos católicos, como ele, dizia. E a indignação era maior porque aquele lugar tinha um valor especial para ele: foi lá que ele nasceu. Além disso, a igrejinha era um patrimônio cultural e merecia outro destino. Embora esbravejando contra àqueles pecadores, foi derrotado: a igrejinha virou boate. Cascaes era assim, um estudioso, um pesquisador das manifestações culturais da Ilha e grande defensor de nossos bens culturais. A sua maneira, era também um repórter. Percorria todo o interior da Ilha levando um gravador. Ouvia e gravava relatos dos moradores e, em casa, materializava o que havia registrado com desenhos, esculturas, além de transcrever em papéis almaços as histórias daquele mundo fantástico que habitava a imaginação dos moradores ilhéus. Ouvia os pescadores, observava o trabalho dos nativos nas tarefas nos engenhos de farinha, via como faziam as cestas (os tipitis)... Acompanhava e participava dos rituais religiosos, as procissões, as festas natalinas...Não satisfeito, criou e montou por vários anos um presépio natalino, montado na Praça 15, usando basicamente material retirado das matas da região. Era uma beleza de ver. Criativo, seus desenhos beiram ao fantástico e seus relatos permanecem até hoje como testemunhos de um tempo tão mágico como ele, um artista que se expressava das mais variadas formas.
Para marcar a data um grupo de entidades - a Fundação Municipal Franklin Cascaes, Associação de Amigos do Museu Universitário e o Museu da UFSC - apresentam hoje, no Teatro da UBRO, um curta-metragem, artistas fazem performances, haverá apresentação do boi-de-mamão, e o escritor Salim Miguel e o museólogo Gelsi José Coelho conversam sobre Cascaes e sua obra. Também será assinado o decreto municipal que institui 2008 como o Ano Franklin Cascaes.

postado por: elaineborges 4:35 PM


AH, QUANTA CHUVA!


(fotos: elaine borges)

A minha pequena gatinha (nem tanto porque está bem gordinha) ficou nervosa hoje porque não conseguiu fazer seu plantão diário na beirada da janela. A chuva não deixou. Aliás, chove na nossa bela Ilha desde domingo. Eu não me queixo, gosto de dias assim, chuvosos e cinzentos.

postado por: elaineborges 3:18 PM


Segunda-feira, Outubro 15, 2007

CABEÇAS RASPADAS - MODA?

Outro trecho do mesmo capítulo do livro 1808, do Laurentino Gomes (1):

"Carlota, as filhas princesas e outras damas da corte tinham desembarcado com as cabeças raspadas ou cabelos curtos, protegidas por turbantes, devido à infestação de piolhos que havia assolado os navios durante a viagem. Tobias Monteiro conta que, ao ver as princesas assim cobertas, as mulheres do Rio de Janeiro tiveram uma reação surpreendente. Acharam que aquela seria a última moda na Europa. Dentro de pouco tempo, quase todas elas passaram a cortar os cabelos e a usar turbantes para imitar as nobres portuguesas".

(1) Laurentino foi meu colega quando eu era correspondente do Estado de S. Paulo em S.Catarina e sempre foi um profissional brilhante.

postado por: elaineborges 11:10 PM


AS PRIMEIRAS MAJESTADES

Outro relato do repórter Perereca do livro 1808:

Rio de Janeiro, cidade a mais ditosa do Novo Mundo! Rio de Janeiro, aí tens a tua augusta rainha e o teu excelso príncipe com sua real família, as primeiras majestades que o hemisfério austral viu e conheceu. Estes são os teus soberanos e senhores, descendentes e herdeiros daqueles grandes reis que te descobriram, te povoaram e te engrandeceram, ao ponto de seres de hoje em diante princesa de toda a América e corte dos senhores reis de Portugal. Enche-te de júbilo, salta de prazer, orna-te dos teus mais ricos vestidos, sai ao encontro dos teus soberanos, e recolhe com todo o respeito, veneração e amor o príncipe ditoso, que vem em nome do senhor visitar o seu povo.

postado por: elaineborges 11:08 PM




1808 - COMO UMA RAINHA LOUCA, UM PRÍNCIPE MEDROSO E....

Estou lendo dos mais saborosos livros pela descrição, seriedade nas pesquisas, humor de alguns relatos, clareza dos textos. Refiro-me ao 1808 - Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a História de Portugal e Brasil - (Editora Planeta), do jornalista Laurentino Gomes (1). É um livro-reportagem, como o autor o define. Foram dez anos de investigação jornalística e que resultou em um livro ao qual lemos com prazer. Acompanhamos os preparativos da família real na fuga para o Rio de Janeiro, a recepção, a abertura dos portos brasileiros, a descrição dos personagens, caricatos, às vezes, mas como diz o autor “isso é algo que se pode dizer de todos os governantes que os seguiram, inclusive alguns muito atuais”.

No capítulo 10 há um personagem hilário: o repórter Perereca. E não resisto à tentação de transcrever parte do capítulo e de como o nobre colega dos tempos da monarquia descreveu a chegada da corte ao Rio de Janeiro:

A CHEGADA DA CORTE

"A esquadra de D.João e da família real portuguesa entrou na Baia da Guanabara no começo da tarde de 7 de março de 1808. Havia sol e céu azul, sem uma única nuvem. Um vento forte soprava do oceano para aliviar o calor ainda sufocante do final do verão carioca. Depois de três meses e uma semana de viagem, contando a escala em Salvador, centenas de nobres e ilustres passageiros se comprimiam na amurada dos navios para contemplar o soberbo espetáculo que se descortinava diante de seus olhos: uma cidadezinha de casas brancas, alinhadas rente à praia, debruçava-se às margens de uma baía de águas calmas emoldurada por altíssimas montanhas de granito cobertas pela floresta luxuriante, de tonalidade verde-escura, como nunca se tinha visto em Portugal.
Para os que estavam em terra, o momento era de festa e regozijo. Postado entre as milhares de pessoas ansiosas que se comprimiam ao longo do cais para ver a chegada das naus portuguesas, um repórter registrou a cena da seguinte forma":

REPÓRTER PERERECA

Eram duas para as três horas da tarde, a qual estava muito fresca, bela e aprazível. (...) Desde a aurora o sol nos havia anunciado como o mais ditoso (dia) para o Brasil: uma só nuvem não ofuscava os seus resplendores, e cujos ardores eram mitigados pela frescura de uma forte e constante viração. Parecia que este astro brilhante, apartando a si todo o obstáculo, como se regozijava de presenciar a triunfante entrada do primeiro soberano da Europa na mais afortunada cidade do novo mundo, e queria ser participante do júbilo e aplausos de um povo embriagado no mais veemente prazer.

"Luís Gonçalves dos Santos não era um jornalista de profissão, mas um cronista por vocação. Aos quarenta anos, versado em latim, grego e Filosofia, exercia a função de cônego da Igreja Católica. Embora ocupasse um cargo importante da hierarquia católica, tinha um apelido engraçado, Padre Perereca, devido à estatura baixa e franzina e os olhos esbugalhados. É uma indicação de que, já naquela época, a irreverência e o humor faziam parte da personalidade carioca e não poupavam ninguém. Padre Perereca registrava tudo que via e defendia suas idéias de forma apaixonada. Por isso tornou-se o melhor e mais detalhado repórter dos acontecimentos de 1808 até 1821, quando a corte retornou a Portugal".


postado por: elaineborges 11:06 PM


Quarta-feira, Outubro 10, 2007


ESTAMOS DE LUTO

Hoje é um dia muito triste em nosso Estado. O terrível acidente na BR-282 é o pior ocorrido nas estradas de Santa Catarina desde o ano 2.000. Até agora foram contados 27 mortos e mais de 90 feridos. Entre os mortos, três colegas jornalistas: Elisandra Lucotti, da Folha d’Oeste, de São Miguel do Oeste, Evandro Troian, cinegrafista da RBS, e o radialista Valdir Lucas Rúpulo, da Rádio Peperi. Todos estavam trabalhando do primeiro acidente que envolveu um ônibus e um caminhão, próximo ao município de Descanso (distante cerca de 800 km de Florianópolis). Os três foram atropelados por um caminhão cujo motorista não conseguiu frear a atingiu inúmeras pessoas que estavam socorrendo as vítimas do primeiro acidente. Entre eles, estavam quatro bombeiros que também morreram. Como disse a direção do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina, em nota de pesar pela morte dos colegas, “tragédias como esta expõe os riscos que envolvem as atividades dos jornalistas na busca de informação.”

postado por: elaineborges 11:43 PM


Terça-feira, Outubro 09, 2007

VOZES DA LAGOA

O Ilton é um grande amigo. Mantemos contato via blog há muito tempo. Quando saiu a segunda edição do Vozes da Lagoa, mandei um exemplar para ele. Hoje li seu comentário no Jus Sperniandi. E - confesso - fiquei muito emocionada. Puxando por um gancho (o desafio do Tambosi - outro blog que também leio) ele conclui que as mais profundas lições de filosofia também se encontram no cotidiano desses antigos moradores da Lagoa da Conceição, cujos relatos se encontram no livro.
Transcrevo abaixo seu comentário e aproveito para dizer: obrigada Ilton, em nome também da Suzete e da Bebel.

EU FAZIA MANTEIGA, QUEIJO, DOCE DE ABÓBORA, DE MAMÃO...

O Tambosi quis me meter numa gelada. Mesmo se dizendo contra essas coisas, intimou-me a participar de uma brincadeira iniciada pelo blog Nariz Gelado: pegar o livro mais próximo, abrir na página 161 e transcrever a quinta frase completa encontrada.
Pensei seriamente em não fazê-lo. Detesto estas coisas e já deixei bem claro aqui.
Ocorre que ao olhar para o livro mais próximo de mim mudei de idéia. Não, não é nada tão especial quanto à citação que ele fez. Ele é filósofo e vive cercada de livros de Filosofia, Sociologia e outras ciências que existem mas que, se não existissem, não nos faria falta. E ele, espertamente, não cumpriu sua tarefa a contento. Ele transcreveu uma oração completa de Thomas Nagel, e não apenas uma frase. Confiram aqui. Seria muito mais condizente e inteligível se sua transcrição fosse: não posso ter qualquer justificação para confiar na minha capacidade para raciocinar. Isto é que é filosofia!
Desculpe, Tambosi, mas acho essas ciências abstratas sem poder de modificar o ideal humano. Não acho que a Filosofia crie comportamentos mas que o comportamento humano, nascido antes, é que inspira filosofias, filosofadas e filigranas. Na relação causa-conseqüência a Filosofia é conseqüência adaptável ao interesse de quem escreve. Mas isto é matéria para outro post, até porque eu me perderia, embananado em divagações benzodiazepínicas e estruturadas no absolutamente nada. Ou Nada, se quiserem substantivar propriamente o nada.
A citação que encontrei, mais profunda e profícua do que aquilo que as obras todas de ciências humanas e desumanas exibem suas páginas 161, quinta frase, é tão singela quanto profunda:
Eu fazia manteiga, queijo, doce de abóbora, de mamão...
Exatamente assim. Ela integra um conjunto de declarações singelas de antigos moradores da Lagoa da Conceição, na Ilha de Santa Catarina, prestadas à minha querida Elaine Borges, do blog Balaio de Siri (à esquerda, entre os meus favoritos há muito tempo) e a Bebel Orofino, que resultou no livro Vozes da Lagoa, com fotos de Suzete Sandin.
A Elaine me enviou o livro em setembro. É a segunda edição, comemorativa dos vinte anos da Fundação Cultural Franklin Cascaes, de Florianópolis, publicada pela Editora Nauemblu & Arte.
A frase foi dita por Carolina Teixeira Rosa, então moradora do Retiro da Lagoa, no capítulo que trata do trabalho daqueles tempos, sob o título Bolo Bem Temperado. Fazendo manteiga, queijo, doce de abóbora e de mamão dona Carolina garantia comida saborosa para a família e, certamente, vendendo os produtos, ajudava na manutenção da casa. No dia em que me provarem que o pensamento socrático ou o aristotélico influenciou nessas tarefas de um cotidiano de antigamente, então acreditarei mais na Filosofia.
O livro é comovente e resgatou (a primeira edição é de 1993) de modo primoroso um mundo de tradição dos açorianos que habitavam a região da Lagoa da Conceição na primeira metade do século XX.
Todo catarinense, mesmo os do Oeste, deveriam tê-lo para voltar no passado e enlevar-se com uma forma de vida dura mas graciosa que está cada vez mais longínqua.
Cumpri, ao menos em parte, a tarefa que o Tambosi me incumbiu. A segunda parte — indicar cinco blogues para fazer o mesmo — vou deixar de lado. O próprio Tambosi diz que o fez pela última vez. Eu o faço por uma última vez que não existe — para ser bem filosófico.
Não quero ser como o cachorro que, quando se aproximava de um grupelho de cadelas, na rua, era solenemente rejeitado. A primeira que o via alertava as demais:
— Xi! Vamos embora que lá vem aquele cara do nariz gelado de novo.

postado por: elaineborges 7:27 PM


Quinta-feira, Outubro 04, 2007


( Baby - foto: elaine borges)

SEM PALAVRAS

Se os animais pudessem falar,
o cão seria um tipo disparatado e
falador, enquanto que o gato
teria o raro dom de nunca dizer
uma palavra a mais.

Mark Twain

postado por: elaineborges 3:11 PM


COLOMBO X SALVATTI

Após um ano, finalmente foi instalada ontem a CPI das ONGs. O presidente escolhido foi Raimundo Colombo, dos Democratas de Santa Catarina, adversário político de Ideli Salvatti, líder do PT no Senado. Segundo a última Veja, Ideli tem ligações ( que ela não nega) com a Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul, com sede em Chapecó, que teria cometido fraudes. A Fedraf-Sul recebeu da União R$ 5,2 milhões, entre 2003 e 2007, da União. O problema é a escolha do relator: Valter Pereira (PMDB/MS) teve o novo rejeitado porque o PT quer um nome mais “confiável” e indicou Inácio Arruda (PCdoB/CE). Raimundo Colombo garante que vai agir com isenção. Mas é certo que esta CPI tem tudo para deixar a senadora petista ainda mais agitada do que já é no seu estado normal.

postado por: elaineborges 12:23 AM


Quarta-feira, Outubro 03, 2007


(foto: elaine borges)

UMA ÁRVORE É UMA ÁRVORE

Alberto Caeiro (1)

O que ouviu os meus versos disse-me: "Que tem isso de novo?
Todos sabem que uma flor é uma flor e uma árvore é uma árvore.
Mas eu respondi, nem todos,
Porque todos amam as flores por serem belas, e eu sou diferente
E todos amam as árvores por serem verdes e darem sombra, mas eu não.
Eu amo as flores por serem flores, diretamente.
Eu amo as árvores por serem árvores, sem o meu pensamento.

.......................................................................................................................

Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.


(1) Alberto Caeiro (1889 - 1915):

Alberto Caeiro é um dos heterônimos de Fernando Pessoa. Nasceu em Lisboa, em 1889, e morreu jovem, com 26 anos. Morava no campo e só tinha instrução primária. Perdeu os pais cedo e vivia com a avó e uma tia. Morreu tuberculoso.

postado por: elaineborges 11:01 PM



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