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Balaio de Siri

Um balaio onde tudo cabe: comentários sobre livros, filmes,discos,coisas do cotidiano...O nome - Balaio de Siri - é em homenagem a Dona Lina,antiga moradora da Lagoa da Conceição,em Florianópolis,que gostava de pegar siri nas águas da lagoa.



Sábado, Agosto 16, 2008

PAINEIRA (?)

Foto: elaine borges

PAINEIRA

Não resisti em mostrar esse pé de uma pequena e bonita árvore.Quando ainda fechadas, as flores parecem figos. Na identificação, dizia ser uma Paineira.

postado por: elaineborges 9:41 PM



Foto: elaine borges

O BUDA NAGÔ

"Dorival é um Buda nagô/ Filho da casa real da inspiração/ Como príncipe principiou/ A nova idade de ouro da canção".

Foi assim que Gilberto Gil homenageou Dorival Caymmi, o grande compositor e cantor baiano que morreu hoje às seis horas, no Rio de janeiro, onde morava.
Ouvindo agora O Mar reforço a impressão que tenho ao ouvir suas músicas: aparentemente é tudo muito simples, mas sabe-se que Caymmi levava muito tempo, até anos, para concluir que a música estava pronta. Caymmi, voz única, possante, bela, evocava as forças da natureza como poucos. O Vento, por exemplo, outra de suas tantas músicas, é belíssima. Suas canções praieiras são lindas, evocam toda a beleza da natureza que o rodeava.


E não esquecendo nunca que ele é pai de uma das maiores cantoras do Brasil, Nana Caymmi, e ainda dos excelentes músicos e também cantores Dori e Danilo. Há um CD que os três filhos gravaram em homenagem aos 90 anos do pai que é muito bonito (é o que escuto no momento).
Com sua morte, perdemos um dos maiores artistas do Brasil. Compositor que cantava o mar como poucos, com seus jangadeiros do nordeste, iemanjá, o vento, a praia... São dele músicas como "O que é que a baina tem?", "Saudade da Bahia", "Rosa Morena", "Maracangalha", "O samba da minha terra", a doce "Acalanto" e tantas outras que fazem parte da memória musical brasileira.

Era o nosso "Buda Nagô", como disse Gilberto Gil no disco Parabolicamará.

O MAR

Dorival Caymmi


O mar quando quebra na praia
É bonito, é bonito
O mar... pescador quando sai
Nunca sabe se volta, nem sabe se fica
Quanta gente perdeu seus maridos seus filhos
Nas ondas do mar

O mar quando quebra na praia
É bonito, é bonito

Pedro vivia da pesca
Saia no barco
Seis horas da tarde

Só vinha na hora do sol raiá
Todos gostavam de Pedro
E mais do que todas
Rosinha de Chica
A mais bonitinha
E mais bem feitinha

De todas as mocinha lá do arraiá

Pedro saiu no seu barco
Seis horas da tarde
Passou toda a noite

Não veio na hora do sol raiá
Deram com o corpo de Pedro
Jogado na praia
Roído de peixe
Sem barco sem nada

Num canto bem longe lá do arraiá

Pobre Rosinha de Chica
Que era bonita
Agora parece
Que endoideceu
Vive na beira da praia
Olhando pras ondas
Andando rondando
Dizendo baixinho
Morreu, morreu, morreu, oh...

O mar quando quebra na praia
É bonito, é bonito

O mar... pescador quando sai
Nunca sabe se volta, nem sabe se fica
Quanta gente perdeu seus maridos seus filhos
Nas ondas do mar

O mar quando quebra na praia
É bonito, é bonito.

postado por: elaineborges 5:41 PM


Terça-feira, Agosto 12, 2008

FLORIANÓPOLIS...

...CHUVA E VENTO

...E CÉU AZUL
Fotos: elaine borges

A CIDADE E A CHUVA

As janelas do meu apartamento balançaram muito hoje, no meio da tarde, com a chegada de uma massa de ar frio e ventos que chegaram a 75 km por hora em alguns bairros de Florianópolis. Na Lagoa da Conceição as rajadas de vento foram fortíssimas e em algumas regiões houve chuva de granizo. No final do dia veio a calmaria e um azul violeta enfeitava o céu sobre a ponte Hercílio Luz, no centro da Ilha. No interior de Santa Catarina as temperaturas caíram rapidamente, em média 10 graus – de 23 para 12 graus, segundo dados dos meteorologistas.

postado por: elaineborges 7:41 PM



Reprodução TV

O APOIO DA BABY

A Baby, a seu modo, passou seu calorsinho para a vitória do judoca Tiago Camilo que, após uma dura luta, conquistou a medalha de bronze. A terceira do Brasil até agora nas Olimpíadas de Pequim.

postado por: elaineborges 7:12 PM


Sexta-feira, Agosto 08, 2008

O PROTESTO

Reprodução do poster

O GESTO QUE FICOU NA HISTÓRIA

A foto acima é uma das mais recorrentes quando o assunto é Olimpíada. E principalmente quando o tema é a Olimpíada do México, em 1968. O ano de 1968 foi o ano da rebeldia, da mini-saia, da pílula anticoncepcional, da revolta dos estudantes em Paris. Há 40 anos, o mundo entrava em ebulição. E para registrar aquele período tão especial, turbulento e efervescente, publicam-se livros, reportagens, entrevistas, depoimentos...

Mas há aquele gesto de dois negros norte-americanos, Tommy Smith e John Carlos, medalhas de ouro e bronze, respectivamente, nos 200 metros rasos. Smith correu os 200 metros numa velocidade impressionante, menos de 20 segundos, exatamente 19.87 segundos. John Carlos, seu colega na Faculdade de San Jose State, da Califórnia, ficou em terceiro. A surpresa foi o segundo colocado: o australiano Peter Norman, que correu os 200 metros rasos em 20.06 segundos e ficou com a medalha de prata.

Mas o que ficou registrado para o mundo foi o gesto dos atletas (cujo poster está no meu escritório – presente do Dani em um dos meus tantos aniversários): os dois negros norte-americanos com os punhos erguidos fazendo a saudação ao movimento das panteras negras enquanto ouviam o hino nacional. E mais: na foto vê-se o australiano ostentando no peito um adesivo em defesa dos direitos humanos. Na época, a luta dos direitos civis contra o racismo era intensa. Mas há histórias de bastidores que resultaram naquele gesto e que li mais tarde na revista Piauí (edição nº 2): os norte-americanos só tinham um par de luvas (Carlos esquecera as suas) e, por sugestão do Peter, cada um usou em mãos diferentes as luvas que restavam. Tiraram também os tênis, simbolizando a pobreza dos negros e ainda colocaram no pescoço colares e um lenço preto, alusão aos negros linchados. Foi então que Peter Norman pediu o adesivo, colocou no peito e foi para o pódio.
Resultado: a dupla foi expulsa da Vila Olímpica e tiveram caçadas suas medalhas. Peter Norman foi duramente criticado pela imprensa do seu país e pelo comitê olímpico.

John Carlos diria mais tarde: “Peter tornou-se meu irmão naquele momento”.

E nas Olimpíadas na China que começam hoje, haverá algum momento de protesto? Atletas alemães já posaram com retratos de presos pelo regime de Pequim. Há violações de direitos humanos, há a questão do Tibete e lá estão mais de 5.000 jornalistas, portanto, o cenário está posto.

postado por: elaineborges 12:30 AM


Quinta-feira, Agosto 07, 2008

SANTO ANTONIO DE LISBOA

Foto: elaine borges

AÇORES

Vestígios do passado ainda são bem visíveis em Santo Antônio de Lisboa.

postado por: elaineborges 10:20 PM


UMA ILHA CAÓTICA

Será que os ilhéus não estão percebendo que, aos poucos, os morros da Ilha vão se tornando impérios de bandidos, territórios inexpugnáveis, onde não chega a lei, a saúde ou a educação?

Segue, pela inércia das administrações, o processo de caotização da Ilha, a ação predatória do homem aviltando o que Deus bordou com tanto capricho. O desleixo de duas décadas de sucessivos governos, empenhados apenas em arranjos cosméticos, entregaram o sul da Ilha ao saque dos invasores, ao abuso dos que não respeitavam posturas municipais e à absoluta ausência de autoridade gestora. Impera hoje na região a organização da desordem, um festival de agressões à natureza e ao equilíbrio ecológico, desdita que os teocratas do verde pretendiam evitar.


O trecho acima é da coluna do Sérgio da Costa Ramos de hoje, no DC. Ele, como tantos moradores de Florianópolis, tem demonstrado sua indignação com o situação caótica da cidade que, a cada dia, sofre uma intensa ação predatória.

postado por: elaineborges 10:16 PM


Terça-feira, Agosto 05, 2008


Foto: elaine borges

LAGARTEANDO...

Florianópolis, temperatura de 20 graus, sol batendo na janela. Foi lá que a Baby passou a manhã de hoje, lagarteando.

postado por: elaineborges 11:10 AM


Segunda-feira, Agosto 04, 2008

POR QUE ESCREVEMOS?

Emanuel Medeiros Vieira*

Começamos escrevendo para viver e acabamos escrevendo para não morrer.
Para quem edifica palavras mal rompe a aurora, escrever é inadiável e urgente, mesmo que nada externamente nos obrigue a isso. Mas a necessidade interna é visceral, orgânica, chama e fogo, flecha, algo colado à pele.
Não conseguimos escapar desse apelo.
Escrevemos para perdurar, para vencer a poeira do tempo, para despistar a morte, para regar nossos fantasmas e (por que não?), para amar e ser amado.
A literatura é o refúgio da sinceridade num mundo de pose.
“A literatura é um apelo de fogo, onde mora meu desespero, a minha inquietação e o meu paraíso”, escreveu alguém.
Eu sei: tento escrever um hino de amor à palavra.
Qual a maior viagem (interior) que podemos fazer, senão aquela que é um mergulho no livro, nesta criação de outros mundos, nessa peregrinação às áfricas interiores?
“Se o mundo dos objetos palpáveis e vida prática, não é mais real que o mundo das ficções, dos sonhos e dos labirintos, então pode ser que o autor de artifícios verbais tenha mais direito à condição de demiurgo que qualquer outro candidato”, escreveu Samuel Titan Jr., falando sobre Borges.

Hoje, a realidade chamada virtual fica sendo mais importante que o humano propriamente dito.
Uma personalidade não aparece porque é boa, mas é boa porque aparece.
Vivemos uma mudança de época e não uma época de mudanças.
Ou está inapelavelmente decretado que não há nada mais a fazer, que o destino já rabiscou todos os destinos?
Queremos um modelo de consumidores ou de cidadãos?
Aceita-se passivamente um mundo onde são as coisas que comandam e não os valores.
Queremos pessoas abúlicas, inertes, numa globalização onde impera a uniformidade e não a igualdade?

A literatura é um sonho do eterno. Sua morte tem sido decretada diariamente.
Mas por que ela continua tão viva?
Pois há dentro do homem uma sede de infinito que nenhum modelo meramente mercantil pode saciar.


*Emanuel Medeiros Vieira nasceu em Florianópolis em 1945. Há alguns anos mora em Brasília. Em 1972 publicou seu primeiro livro, “A Expiação de Jeruza”. Tem vários romances e contos editados, entre eles “Os hippies envelhecidos” e “Nunca mais voltaremos para casa”.

O texto acima foi repassado por ele para vários amigos. Eu recebi da Eglê Malheiros. Para quem gosta de ler e escrever, vale a leitura.

postado por: elaineborges 10:23 PM


Sábado, Agosto 02, 2008

CAMPECHE

Fotio: elaine borges

AZUL

Para onde
nos atrai
o azul?


Guimarães Rosa

postado por: elaineborges 10:36 PM



Foto: elaine borges

A GATA E SEUS MISTÉRIOS

A Baby se mudou: agora sua cama é esse canto do sofá, na sala. Por que? Não sei. O canto mais confortável - penso eu - ela ignorou. Gatos são muito estranhos e misteriosos, mas adoráveis.

postado por: elaineborges 10:16 PM


MORTE E JULGAMENTO

Este é o título do livro da escritora Donna Leon. Quem é ela? Eu pouco sabia e pouco ainda sei da autora desse policial envolvente da Companhia das Letras. Sei que ela é americana, professora universitária, mora em Veneza e tem mais dois livros traduzidos aqui no Brasil: “Morte no teatro La Fenice” e” Morte em terra estrangeira”. Li somente o primeiro e - como se vê - a morte é um dos seus temas prediletos. No que li agora, há toda uma complexa rede de corrupção, com muitas passagens violentas, crimes misteriosos, tendo como cenário a bela Veneza. Como nos bons livros policiais, há sempre um mistério relacionado a crimes, um detetive obstinado, a caça aos culpados, indícios falsos, um emaranhado de personagens, tudo para envolver nós, leitores. O escritor competente da literatura policial é aquele que nos cativa rapidamente e atiça nossa curiosidade. É aquele que entrega ao leitor pedaços mínimos de pistas para desvendar o mistério (quase sempre envolvendo assassinatos) que só revela nas páginas finais. Pois a escritora Donna Leon sabe prender seus leitores. Eu, por exemplo, fiquei grudada no “Morte e Julgamento” – uma trama bem construída e que despertou em mim vontade de ler suas outras obras. Para quem gosta da boa literatura policial, experimente ler o “Morte e Julgamento”. É um bom entretenimento.

postado por: elaineborges 9:47 PM



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